104- “Não existe problema algum, seja grande ou pequeno, que não possa ser resolvido com amor.”
quarta-feira, 9 de maio de 2018
CAPÍTULO 12 - Não Fuja
CAPÍTULO 12
— Por Tyron! Ela conseguiu escapar, Guimlel! — escutei a exclamação de aturdimento
ressoar no ambiente.
— Sra. Brit?!
— Eu mesma. — Apesar dos olhos arregalados, ela mantinha uma atitude contida. Senti
falta do seu costumeiro padrão agitado e afetuoso. Ao seu lado, a figura longilínea de Guimlel
parecia dobrar de tamanho. Com uma sobrancelha arqueada e a outra contraída, ele me
observava com um misto de espanto e preocupação. Desvencilhei-me de seus olhares
inquisidores e vasculhei o lugar. Meu coração começou a socar o peito com violência ao
perceber que estava dentro do casulo de Richard. — Você conseguiu — anunciou ela, mas o
estupefato de sua fisionomia perdia espaço para rugas de tristeza.
— Eu o quê?! Como vim parar aqui? — questionei atordoada e estremeci com a cena
que me envolvia. A Sra. Brit tinha a testa lotada de vincos, mas balançava a cabeça, como que
se desculpando por não poder responder. O semblante de Guimlel, por sua vez, denunciava
mais do que assombro. Havia algo estranho... Uma mistura de sofrimento e... desconfiança?
Céus! O que estava acontecendo ali? Encarei minhas mãos trêmulas e ensanguentadas,
chequei os danos em meu corpo. Aquilo era real.
— Richard? — senti um nó se formar em minha garganta. A Sra. Brit levou as mãos ao
rosto e fechou os olhos. Oh, não! — Ele...? Onde ele está? — meu sussurro saiu fraco,
ardendo na ferida da expectativa, no pavor de saber a resposta que poderia arruinar os cacos
da vida que estava me forçando para juntar.
— Meu menino não suportou, ele não...
— Está satisfeita agora? Veja o que você fez com ele, híbrida! — acusou Guimlel.
Então os dois se afastaram, abrindo meu campo de visão. Ainda caída sobre o chão, vi
surgir uma cama na minha frente. O corpo imóvel sob um lençol branco fez meu pulso disparar
e meu espírito encolher no peito. Desejo. Medo. Expectativa.
— Rick! — a rouquidão em minha voz se tornou um murmúrio de apreensão. Tentei me
levantar, mas minhas pernas não responderam. Aflita e sem conseguir ver seu rosto de onde
estava, comecei a me arrastar em sua direção.
— Fique onde está, híbrida traiçoeira! — advertiu Guimlel. Congelei no lugar. — Alertei-a
sobre o risco que Richard corria caso insistisse em ficar perto dele! Expliquei que você o
tornaria vulnerável e da importância de Richard para Zyrk. Mas você não me ouviu! Ou melhor,
fingiu ouvir e mentiu para mim. Bem típico dos humanos... Como fui tão estúpido e me deixei
enganar?
— Guimlel, não! — intercedeu a Sra. Brit.
— Deixe-me falar, Labrítia! Estou com essa droga agarrada em minha garganta. —
Guimlel estava enfurecido. Senti-me mal naquele instante, envergonhada. Bem no fundo sabia
que o mago tinha razão. Tudo aquilo havia acontecido com Rick porque ele quis me proteger.
Porque me amava. — N-Nós o perdemos — ele tentava manter a expressão de ira intocada,
mas não teve sucesso em disfarçar a sombra do desespero em sua voz. — Zyrk o perdeu por
sua causa, híbrida!
— P-Perdeu? — Foi a vez da minha voz falhar.
— Você quebrou sua promessa e veja o que aconteceu com Richard! Mostrei o perigo
para os dois! Alertei que era uma tolice acreditar que o sentimento que possuíam um pelo
outro era algo maior. Daquela vez ele quase a matou e agora foi a sua vez de revidar —
rosnou. — Parabéns! Você foi mais bem-sucedida que Rick!
— Ele está...?
— Morto? É essa a palavra que não consegue pronunciar, híbrida? Sim! Está satisfeita?
Meu estômago congelou. Eu não afundava apenas, estava em queda livre e em altíssima
velocidade. Um precipício sem fim, meu corpo despencando em um buraco negro de culpa e
angústia, uma queda para sempre.
— Não, Guimlel! Você está piorando as coisas — implorava a Sra. Brit através de um
choro fino e sem lágrimas.
— Por Tyron! Nós perdemos o filho que criamos e Zyrk perdeu um futuro melhor por
causa dela! E você me pede calma, Labrítia?
Eu também não tinha lágrimas. Não as encontrei dentro de mim. Estava seca,
completamente murcha.
— Esse corpo sem vida à sua frente é de Richard sim! — vociferou o mago.
— Não completamente... ainda — apressou-se em dizer a Sra. Brit. — Ele não partiu,
Nina, mas não consigo mais captar sua energia. Tecnicamente é como se estivesse morto.
— Ele não tem energia, mas ainda não partiu? — balbuciei, forçando minha mente a se
manter lúcida e atenta, algo quase impossível quando todo ar havia sido tragado dos meus
pulmões. Nada mais fazia sentido. — Não entendo.
— A magia do Grande Conselho está adiando a partida dele. Estão apenas aguardando
a data do acasalamento — explicou ela.
— Oh, Tyron! A data está quase chegando! — Guimlel levou as mãos à cabeça em
desespero.
— Mas por que não conseguem?
— Nós somos a morte, garota estúpida! — Guimlel me interrompeu sem paciência. —
Temos poder sobre a morte e não sobre a vida!
Poder sobre a vida...? Claro! Um discreto sorriso me escapava.
— Deixe-me vê-lo. Talvez eu possa ajudar — tomada por súbita esperança, tentei me
levantar.
— Fique onde está, híbrida venenosa! Vou avisar o Grande Conselho sobre a sua fuga.
— Não! — A Sra. Brit bradou alarmada, segurando-o pelo braço. — Será que não
enxerga, Guimlel? Ela não pode lhe causar nenhum mal, pelo contrário.
— O que quer dizer, Labrítia? — desvencilhou-se de forma brusca.
— Deixe-a tentar.
— Quantas vezes tenho que dizer que ela é um grande perigo! — retrucou nervoso. —
Além do mais, o Grande Conselho descobrirá o que acabou de acontecer. Ele jamais permitiria
uma insanidade desse porte.
— E desde quando você se preocupa com a opinião do Grande Conselho, Guimlel? Se
agirmos logo eles só descobrirão depois que tivermos tentado.
O mago hesitou por um instante.
— Quem sabe se ela... — A Sra. Brit insistia.
— Não! — rebateu ele sem muita convicção. — Ela pode acabar de matá-lo!
— Não vê que ela é a nossa última chance, Guimlel? O tempo está se esgotando!
— Eu não sei. — O médium começou a andar de um lado para o outro. Senti novo aperto
ao reconhecer o movimento. Richard fazia o mesmo quando se encontrava nervoso. Herdara o
cacoete de Guimlel, o homem que o havia criado na infância.
— Pois decida-se! Você sabe que logo eles estarão aqui!
— É arriscado demais! — vociferou o mago. — Ele pode não aguentar e aí não haverá a
procriação.
— Se este quadro permanecer, não haverá procriação de qualquer maneira, homem!
— Raios! Não vê que ele está assim por causa dela? — Apontou para mim com o rosto
crispado de raiva.
— Se eu sou a culpada, deixem-me tentar reparar meu erro. — Meu pedido saiu baixo.
— Por favor?
O vento começou a uivar raivosamente do lado externo. Guimlel continuava a esfregar a
longa trança negra da barba para cima e para baixo.
— Rápido, Guimlel! — ordenou a Sra. Brit com o rosto deformado pela tensão.
— Por Tyron! Tantos anos, tanto esforço! Tudo jogado fora! — Ele balançava a cabeça
sem parar. — Vá, híbrida! — ordenou nervoso e caminhou até a outra extremidade do casulo,
permanecendo de costas para nós. Sem perder tempo, tornei a me arrastar em direção à
cama.
As feridas em minhas mãos latejavam e não sentia mais meu lado direito, mas pouco
importava agora. Meu corpo haveria de suportar e me levar até Richard. Nem que eu tivesse
que me arrastar com os dentes. Levantei-me aos tropeços, tentando ignorar a dor e a
ardência terríveis que se alastravam por minha pele.
E quase fui a nocaute no instante seguinte.
Uma descarga de adrenalina, como se injetassem droga potente em minhas veias, fezme
estremecer da cabeça aos pés. Um filme de incompreensão, amor e doação passando
rápido demais em minha mente, chacoalhando meu mundo e todas as minhas dimensões. As
ridículas balas de café, a primeira vez que vi seus magnéticos olhos azuis, nossas discussões,
fugas, mortes, meu amadurecimento forçado, sua armadura se desintegrando, nosso diálogo
insuficiente, perdido em meio a um amor impossível, ações genuínas de afeto e uma sina
maldita. Senti o gosto de lágrimas em meus lábios e nem sabia que estava chorando. Pisquei
com força e o encontrei: a pele alva e pálida demais, olheiras pronunciadas, a barba por fazer,
os cabelos negros desgrenhados na bagunça mais linda que meus olhos ousaram vislumbrar, a
escultura mais perfeita que um ser maior poderia ter construído. Com apenas o rosto do lado
de fora do lençol, ele parecia a pintura de um deus grego embalado em um sono profundo,
meu indomável príncipe encantado. Como ele poderia ser a minha morte se meu coração
trepidava, minhas células vibravam enlouquecidamente e eu me sentia mais viva do que
nunca em sua presença?
— Ah, Rick! — gemi num sussurro afônico e me joguei sobre ele, abraçando-o com
todas as minhas forças, apreensão, desejo e fé. Segurei seu rosto exuberante entre minhas
mãos trêmulas e comecei a beijá-lo com desespero, as lágrimas forçando passagem, rolando
por minhas bochechas e encharcando as dele. Imóvel como um pesado boneco de cera, sua
pele quente era a única pista de que ainda estava vivo. — Por favor, acorde. Eu preciso de
você — soluçava agora.
A ausência de resposta começou a me afligir. Um tsunami de emoções contraditórias.
Medo. Incerteza. Dor. O filme de amor tinha falhas, vinha imbuído pela sentença da desgraça.
Ele ganhava espaço e sufocava a semente de esperança, esfacelava de vez meu espírito
combalido e me fazia compreender a indefinida realidade à minha frente.
E se o que o paralisava não fosse o mesmo sentimento que consumiu meu avô? E se
eu não fosse capaz de despertá-lo? E se realmente houvesse um ponto vulnerável em nossa
relação? E se o elo frágil fosse eu ou o meu amor insuficiente? E se...
O pavor começou a se agigantar dentro do meu peito. E não era pelo receio de que ele
não me amasse o bastante, mas principalmente pelo medo de que, na única vez em que
Richard precisou de mim, eu falharia com ele. Entrei em desespero e comecei a sacudi-lo.
Destruída e sem saber o que fazer, afundei meu rosto em seu peitoral e chorei muito. Meu
sofrimento em ondas de soluços vibrava por sua pele como notas de uma triste melodia de
despedida.
— Eu não queria que nada disso tivesse acontecido, e-eu... Desculpe! — entre
espasmos, confessei a minha dor. — Obrigada por tudo que fez por mim. Desculpe por não ter
te entendido, por ter sido tão estúpida, tão cega. Você tinha que ter confiado em mim, no
nosso amor. Não devia ter guardado tantos segredos. — Meu pranto enchia o ambiente. Ao
longe captei um gemido da Sra. Brit e a respiração acelerada de Guimlel. — Desculpe por
estar falhando com você. A última coisa que eu queria era destruir sua vida, seu futuro. Sinto
muito por não ter sido forte o bastante e por ter duvidado de você, de nós.
Dor e impotência rasgavam meu peito. Arfando entre soluços, tornei a envolver seu
maxilar anguloso e o beijei sôfrega e desesperadamente. Deixei que o gosto salgado das
minhas lágrimas invadissem seus lábios. No lugar onde minha felicidade deveria encontrar seu
pouso, deparei-me com a incompreensão e a tristeza envoltas em uma capa de dor e... ira!
Nada era como eu imaginava! Minha vida era uma droga, um grande emaranhado de
mentiras e sofrimento!
Uma fúria obstrutiva lançou suas garras em torno do meu pescoço. Comecei a sufocar.
Confronto. Energia. Um fogo crescente e abrasador tomou conta do meu corpo. Minhas mãos
ardiam e senti toda desesperança do mundo invadir minhas células. Eu não podia perdê-lo.
Assim como minha mãe, Richard era parte da minha vida, um dos pilares da minha existência,
da minha força. Uma parte de mim estava morrendo ali, com ele, dentro dele.
— Não! Não! Não! Seu estúpido! — comecei a socar seu peito com força, como se
quisesse que ele sentisse uma mínima parte da dor que me dilacerava. — Droga, Rick! Por
que mentiu para mim, seu cabeça-dura metido a herói! Por que está fazendo isso comigo?
Você sempre foi tão forte! Por que não reage agora? Por quê? — Comecei a sacudi-lo com
violência, meu inconformismo e força subitamente drenados por uma onda de pranto
devastador, suor e derrota. O pior pesadelo, aquele que jamais julguei ser possível, agora se
tornava realidade: Eu o estava perdendo. Richard estava morrendo e eu não conseguiria salválo.
Após berrar, implorar e soluçar, meus braços tombaram, exaustos, e desmoronei em seu
peitoral de pedra. Fechei os olhos e, afogada em meu sofrimento, soltei um choro rouco e
baixo, meu pranto de redenção: — Desde a primeira vez que o vi... Eu sempre te amei, Rick. E
sempre te amarei.
— Eu também, Tesouro.
O murmúrio saiu tão baixo que pensei ter sido a voz do meu subconsciente me pregando
uma peça. Mas, assim que seus dedos entrelaçaram-se levemente nos meus e uma descarga
elétrica percorreu minha pele de cima a baixo, fui eu quem quase enfartou de felicidade. Sem
encontrar a minha voz, levantei o rosto e quase fiquei cega com o brilho incandescente que
emanava de suas pedras azuis-turquesa. Mesmo abatido, seu discreto sorriso fez minha alma
ricochetear freneticamente dentro do peito até explodir de euforia, como nunca nenhum outro
foi capaz. Richard era a bateria que me recarregava, o combustível para o meu corpo e
espírito.
— Ah, Rick! — arfei sem conseguir segurar o sorriso que quase rasgou o meu rosto de
um lado ao outro. Vidrado, ele apertou minha mão entre seus dedos quentes. De repente sua
testa se encheu de vincos.
— Que cheiro é esse? — questionou ele ainda deitado, afastando meu corpo do dele.
Richard reparou no estado em que eu me encontrava e, anestesiada momentaneamente pela
injeção de felicidade, só então me dei conta de que todo meu lado direito latejava. Furiosa, a
dor voltara com força total. Contraí a testa quando ele tocou meu braço direito. — Isso é...
Por Tyron! Nina, você está ferida! — observou preocupado.
— Calma — pedi. — Você também não está muito melhor do que eu.
— O que houve? — arqueou uma das sobrancelhas inquisitivas enquanto tentava se
levantar.
— Não use suas energias, filho! — gemeu a Sra. Brit visivelmente emocionada. Ela tinha
a boca estreitada em uma linha fina e apertava as próprias mãos. — Por Tyron! N-nosso mmenino
conseguiu, Guimlel!
— S-sim, ele... — Guimlel respondeu atordoado, os olhos arregalados brilhavam muito e
denunciavam sua surpresa enquanto entortava a barba de um jeito estranho. Correndo a visão
dos nossos dedos entrelaçados para os nossos rostos, seu semblante de excitação foi
abruptamente substituído por um aflito. — Eles estão chegando! Afaste a híbrida dele,
Labrítia!
— Não! — Richard rugiu e passou o braço pela minha cintura. Fiquei realmente tocada e
orgulhosa do homem que amava. Mesmo fraco Richard ainda era um guerreiro que daria a
vida para me proteger. — Ela não sai daqui.
— Fique quieto, Rick! Desde quando você ficou tolo assim? — rebateu o mago. Richard
fechou a cara e, sem deixar de encará-lo, começou a se levantar.
— Filho, não! — implorou a Sra. Brit agoniada.
— Eles têm razão, Rick. Fique — pedi com uma calma que surpreendeu a mim mesma
porque minha mente trabalhava de maneira alucinada com a súbita decisão: nós íamos fugir
dali!
— Nina, eles não...
— Shhh — interrompi colocando um dedo em seus lábios ressecados.
Um ruído maior do lado de fora.
— Tire-a daí, Labrítia! — rosnou Guimlel. — Eles chegarão em instantes.
— Venha, Nina — pediu ela e, antes que se aproximasse de mim, eu fiz um gesto com as
mãos para que ela ficasse onde estava.
— Não quero complicar as coisas para o seu lado, Sra. Brit — respondi para a surpresa
de todos. — Deixe-me apenas dar um último abraço nele.
— Nina, não! — Richard tinha a testa lotada de vincos, mas era óbvio que não tinha força
suficiente para ir contra a situação. Estava fraco demais.
— Eu vou feliz, Rick — pisquei e, atordoado, ele apertou ainda mais a minha cintura e me
puxou para junto dele.
Era o que eu planejava!
Com os braços ao redor de sua cabeça sussurrei rapidamente em seu ouvido: — Tenho
um plano para sairmos daqui. Assim que eu me afastar de você finja que está mal novamente.
Entendeu?
Pedi a Deus que ele tivesse me escutado. Levantando-me com dificuldade, acariciei seu
rosto e nossos olhares se encontraram. Suas pedras azuis brilharam para mim e eu sorri.
Ele havia entendido!
— Por Tyron! Ela conseguiu escapar, Guimlel! — escutei a exclamação de aturdimento
ressoar no ambiente.
— Sra. Brit?!
— Eu mesma. — Apesar dos olhos arregalados, ela mantinha uma atitude contida. Senti
falta do seu costumeiro padrão agitado e afetuoso. Ao seu lado, a figura longilínea de Guimlel
parecia dobrar de tamanho. Com uma sobrancelha arqueada e a outra contraída, ele me
observava com um misto de espanto e preocupação. Desvencilhei-me de seus olhares
inquisidores e vasculhei o lugar. Meu coração começou a socar o peito com violência ao
perceber que estava dentro do casulo de Richard. — Você conseguiu — anunciou ela, mas o
estupefato de sua fisionomia perdia espaço para rugas de tristeza.
— Eu o quê?! Como vim parar aqui? — questionei atordoada e estremeci com a cena
que me envolvia. A Sra. Brit tinha a testa lotada de vincos, mas balançava a cabeça, como que
se desculpando por não poder responder. O semblante de Guimlel, por sua vez, denunciava
mais do que assombro. Havia algo estranho... Uma mistura de sofrimento e... desconfiança?
Céus! O que estava acontecendo ali? Encarei minhas mãos trêmulas e ensanguentadas,
chequei os danos em meu corpo. Aquilo era real.
— Richard? — senti um nó se formar em minha garganta. A Sra. Brit levou as mãos ao
rosto e fechou os olhos. Oh, não! — Ele...? Onde ele está? — meu sussurro saiu fraco,
ardendo na ferida da expectativa, no pavor de saber a resposta que poderia arruinar os cacos
da vida que estava me forçando para juntar.
— Meu menino não suportou, ele não...
— Está satisfeita agora? Veja o que você fez com ele, híbrida! — acusou Guimlel.
Então os dois se afastaram, abrindo meu campo de visão. Ainda caída sobre o chão, vi
surgir uma cama na minha frente. O corpo imóvel sob um lençol branco fez meu pulso disparar
e meu espírito encolher no peito. Desejo. Medo. Expectativa.
— Rick! — a rouquidão em minha voz se tornou um murmúrio de apreensão. Tentei me
levantar, mas minhas pernas não responderam. Aflita e sem conseguir ver seu rosto de onde
estava, comecei a me arrastar em sua direção.
— Fique onde está, híbrida traiçoeira! — advertiu Guimlel. Congelei no lugar. — Alertei-a
sobre o risco que Richard corria caso insistisse em ficar perto dele! Expliquei que você o
tornaria vulnerável e da importância de Richard para Zyrk. Mas você não me ouviu! Ou melhor,
fingiu ouvir e mentiu para mim. Bem típico dos humanos... Como fui tão estúpido e me deixei
enganar?
— Guimlel, não! — intercedeu a Sra. Brit.
— Deixe-me falar, Labrítia! Estou com essa droga agarrada em minha garganta. —
Guimlel estava enfurecido. Senti-me mal naquele instante, envergonhada. Bem no fundo sabia
que o mago tinha razão. Tudo aquilo havia acontecido com Rick porque ele quis me proteger.
Porque me amava. — N-Nós o perdemos — ele tentava manter a expressão de ira intocada,
mas não teve sucesso em disfarçar a sombra do desespero em sua voz. — Zyrk o perdeu por
sua causa, híbrida!
— P-Perdeu? — Foi a vez da minha voz falhar.
— Você quebrou sua promessa e veja o que aconteceu com Richard! Mostrei o perigo
para os dois! Alertei que era uma tolice acreditar que o sentimento que possuíam um pelo
outro era algo maior. Daquela vez ele quase a matou e agora foi a sua vez de revidar —
rosnou. — Parabéns! Você foi mais bem-sucedida que Rick!
— Ele está...?
— Morto? É essa a palavra que não consegue pronunciar, híbrida? Sim! Está satisfeita?
Meu estômago congelou. Eu não afundava apenas, estava em queda livre e em altíssima
velocidade. Um precipício sem fim, meu corpo despencando em um buraco negro de culpa e
angústia, uma queda para sempre.
— Não, Guimlel! Você está piorando as coisas — implorava a Sra. Brit através de um
choro fino e sem lágrimas.
— Por Tyron! Nós perdemos o filho que criamos e Zyrk perdeu um futuro melhor por
causa dela! E você me pede calma, Labrítia?
Eu também não tinha lágrimas. Não as encontrei dentro de mim. Estava seca,
completamente murcha.
— Esse corpo sem vida à sua frente é de Richard sim! — vociferou o mago.
— Não completamente... ainda — apressou-se em dizer a Sra. Brit. — Ele não partiu,
Nina, mas não consigo mais captar sua energia. Tecnicamente é como se estivesse morto.
— Ele não tem energia, mas ainda não partiu? — balbuciei, forçando minha mente a se
manter lúcida e atenta, algo quase impossível quando todo ar havia sido tragado dos meus
pulmões. Nada mais fazia sentido. — Não entendo.
— A magia do Grande Conselho está adiando a partida dele. Estão apenas aguardando
a data do acasalamento — explicou ela.
— Oh, Tyron! A data está quase chegando! — Guimlel levou as mãos à cabeça em
desespero.
— Mas por que não conseguem?
— Nós somos a morte, garota estúpida! — Guimlel me interrompeu sem paciência. —
Temos poder sobre a morte e não sobre a vida!
Poder sobre a vida...? Claro! Um discreto sorriso me escapava.
— Deixe-me vê-lo. Talvez eu possa ajudar — tomada por súbita esperança, tentei me
levantar.
— Fique onde está, híbrida venenosa! Vou avisar o Grande Conselho sobre a sua fuga.
— Não! — A Sra. Brit bradou alarmada, segurando-o pelo braço. — Será que não
enxerga, Guimlel? Ela não pode lhe causar nenhum mal, pelo contrário.
— O que quer dizer, Labrítia? — desvencilhou-se de forma brusca.
— Deixe-a tentar.
— Quantas vezes tenho que dizer que ela é um grande perigo! — retrucou nervoso. —
Além do mais, o Grande Conselho descobrirá o que acabou de acontecer. Ele jamais permitiria
uma insanidade desse porte.
— E desde quando você se preocupa com a opinião do Grande Conselho, Guimlel? Se
agirmos logo eles só descobrirão depois que tivermos tentado.
O mago hesitou por um instante.
— Quem sabe se ela... — A Sra. Brit insistia.
— Não! — rebateu ele sem muita convicção. — Ela pode acabar de matá-lo!
— Não vê que ela é a nossa última chance, Guimlel? O tempo está se esgotando!
— Eu não sei. — O médium começou a andar de um lado para o outro. Senti novo aperto
ao reconhecer o movimento. Richard fazia o mesmo quando se encontrava nervoso. Herdara o
cacoete de Guimlel, o homem que o havia criado na infância.
— Pois decida-se! Você sabe que logo eles estarão aqui!
— É arriscado demais! — vociferou o mago. — Ele pode não aguentar e aí não haverá a
procriação.
— Se este quadro permanecer, não haverá procriação de qualquer maneira, homem!
— Raios! Não vê que ele está assim por causa dela? — Apontou para mim com o rosto
crispado de raiva.
— Se eu sou a culpada, deixem-me tentar reparar meu erro. — Meu pedido saiu baixo.
— Por favor?
O vento começou a uivar raivosamente do lado externo. Guimlel continuava a esfregar a
longa trança negra da barba para cima e para baixo.
— Rápido, Guimlel! — ordenou a Sra. Brit com o rosto deformado pela tensão.
— Por Tyron! Tantos anos, tanto esforço! Tudo jogado fora! — Ele balançava a cabeça
sem parar. — Vá, híbrida! — ordenou nervoso e caminhou até a outra extremidade do casulo,
permanecendo de costas para nós. Sem perder tempo, tornei a me arrastar em direção à
cama.
As feridas em minhas mãos latejavam e não sentia mais meu lado direito, mas pouco
importava agora. Meu corpo haveria de suportar e me levar até Richard. Nem que eu tivesse
que me arrastar com os dentes. Levantei-me aos tropeços, tentando ignorar a dor e a
ardência terríveis que se alastravam por minha pele.
E quase fui a nocaute no instante seguinte.
Uma descarga de adrenalina, como se injetassem droga potente em minhas veias, fezme
estremecer da cabeça aos pés. Um filme de incompreensão, amor e doação passando
rápido demais em minha mente, chacoalhando meu mundo e todas as minhas dimensões. As
ridículas balas de café, a primeira vez que vi seus magnéticos olhos azuis, nossas discussões,
fugas, mortes, meu amadurecimento forçado, sua armadura se desintegrando, nosso diálogo
insuficiente, perdido em meio a um amor impossível, ações genuínas de afeto e uma sina
maldita. Senti o gosto de lágrimas em meus lábios e nem sabia que estava chorando. Pisquei
com força e o encontrei: a pele alva e pálida demais, olheiras pronunciadas, a barba por fazer,
os cabelos negros desgrenhados na bagunça mais linda que meus olhos ousaram vislumbrar, a
escultura mais perfeita que um ser maior poderia ter construído. Com apenas o rosto do lado
de fora do lençol, ele parecia a pintura de um deus grego embalado em um sono profundo,
meu indomável príncipe encantado. Como ele poderia ser a minha morte se meu coração
trepidava, minhas células vibravam enlouquecidamente e eu me sentia mais viva do que
nunca em sua presença?
— Ah, Rick! — gemi num sussurro afônico e me joguei sobre ele, abraçando-o com
todas as minhas forças, apreensão, desejo e fé. Segurei seu rosto exuberante entre minhas
mãos trêmulas e comecei a beijá-lo com desespero, as lágrimas forçando passagem, rolando
por minhas bochechas e encharcando as dele. Imóvel como um pesado boneco de cera, sua
pele quente era a única pista de que ainda estava vivo. — Por favor, acorde. Eu preciso de
você — soluçava agora.
A ausência de resposta começou a me afligir. Um tsunami de emoções contraditórias.
Medo. Incerteza. Dor. O filme de amor tinha falhas, vinha imbuído pela sentença da desgraça.
Ele ganhava espaço e sufocava a semente de esperança, esfacelava de vez meu espírito
combalido e me fazia compreender a indefinida realidade à minha frente.
E se o que o paralisava não fosse o mesmo sentimento que consumiu meu avô? E se
eu não fosse capaz de despertá-lo? E se realmente houvesse um ponto vulnerável em nossa
relação? E se o elo frágil fosse eu ou o meu amor insuficiente? E se...
O pavor começou a se agigantar dentro do meu peito. E não era pelo receio de que ele
não me amasse o bastante, mas principalmente pelo medo de que, na única vez em que
Richard precisou de mim, eu falharia com ele. Entrei em desespero e comecei a sacudi-lo.
Destruída e sem saber o que fazer, afundei meu rosto em seu peitoral e chorei muito. Meu
sofrimento em ondas de soluços vibrava por sua pele como notas de uma triste melodia de
despedida.
— Eu não queria que nada disso tivesse acontecido, e-eu... Desculpe! — entre
espasmos, confessei a minha dor. — Obrigada por tudo que fez por mim. Desculpe por não ter
te entendido, por ter sido tão estúpida, tão cega. Você tinha que ter confiado em mim, no
nosso amor. Não devia ter guardado tantos segredos. — Meu pranto enchia o ambiente. Ao
longe captei um gemido da Sra. Brit e a respiração acelerada de Guimlel. — Desculpe por
estar falhando com você. A última coisa que eu queria era destruir sua vida, seu futuro. Sinto
muito por não ter sido forte o bastante e por ter duvidado de você, de nós.
Dor e impotência rasgavam meu peito. Arfando entre soluços, tornei a envolver seu
maxilar anguloso e o beijei sôfrega e desesperadamente. Deixei que o gosto salgado das
minhas lágrimas invadissem seus lábios. No lugar onde minha felicidade deveria encontrar seu
pouso, deparei-me com a incompreensão e a tristeza envoltas em uma capa de dor e... ira!
Nada era como eu imaginava! Minha vida era uma droga, um grande emaranhado de
mentiras e sofrimento!
Uma fúria obstrutiva lançou suas garras em torno do meu pescoço. Comecei a sufocar.
Confronto. Energia. Um fogo crescente e abrasador tomou conta do meu corpo. Minhas mãos
ardiam e senti toda desesperança do mundo invadir minhas células. Eu não podia perdê-lo.
Assim como minha mãe, Richard era parte da minha vida, um dos pilares da minha existência,
da minha força. Uma parte de mim estava morrendo ali, com ele, dentro dele.
— Não! Não! Não! Seu estúpido! — comecei a socar seu peito com força, como se
quisesse que ele sentisse uma mínima parte da dor que me dilacerava. — Droga, Rick! Por
que mentiu para mim, seu cabeça-dura metido a herói! Por que está fazendo isso comigo?
Você sempre foi tão forte! Por que não reage agora? Por quê? — Comecei a sacudi-lo com
violência, meu inconformismo e força subitamente drenados por uma onda de pranto
devastador, suor e derrota. O pior pesadelo, aquele que jamais julguei ser possível, agora se
tornava realidade: Eu o estava perdendo. Richard estava morrendo e eu não conseguiria salválo.
Após berrar, implorar e soluçar, meus braços tombaram, exaustos, e desmoronei em seu
peitoral de pedra. Fechei os olhos e, afogada em meu sofrimento, soltei um choro rouco e
baixo, meu pranto de redenção: — Desde a primeira vez que o vi... Eu sempre te amei, Rick. E
sempre te amarei.
— Eu também, Tesouro.
O murmúrio saiu tão baixo que pensei ter sido a voz do meu subconsciente me pregando
uma peça. Mas, assim que seus dedos entrelaçaram-se levemente nos meus e uma descarga
elétrica percorreu minha pele de cima a baixo, fui eu quem quase enfartou de felicidade. Sem
encontrar a minha voz, levantei o rosto e quase fiquei cega com o brilho incandescente que
emanava de suas pedras azuis-turquesa. Mesmo abatido, seu discreto sorriso fez minha alma
ricochetear freneticamente dentro do peito até explodir de euforia, como nunca nenhum outro
foi capaz. Richard era a bateria que me recarregava, o combustível para o meu corpo e
espírito.
— Ah, Rick! — arfei sem conseguir segurar o sorriso que quase rasgou o meu rosto de
um lado ao outro. Vidrado, ele apertou minha mão entre seus dedos quentes. De repente sua
testa se encheu de vincos.
— Que cheiro é esse? — questionou ele ainda deitado, afastando meu corpo do dele.
Richard reparou no estado em que eu me encontrava e, anestesiada momentaneamente pela
injeção de felicidade, só então me dei conta de que todo meu lado direito latejava. Furiosa, a
dor voltara com força total. Contraí a testa quando ele tocou meu braço direito. — Isso é...
Por Tyron! Nina, você está ferida! — observou preocupado.
— Calma — pedi. — Você também não está muito melhor do que eu.
— O que houve? — arqueou uma das sobrancelhas inquisitivas enquanto tentava se
levantar.
— Não use suas energias, filho! — gemeu a Sra. Brit visivelmente emocionada. Ela tinha
a boca estreitada em uma linha fina e apertava as próprias mãos. — Por Tyron! N-nosso mmenino
conseguiu, Guimlel!
— S-sim, ele... — Guimlel respondeu atordoado, os olhos arregalados brilhavam muito e
denunciavam sua surpresa enquanto entortava a barba de um jeito estranho. Correndo a visão
dos nossos dedos entrelaçados para os nossos rostos, seu semblante de excitação foi
abruptamente substituído por um aflito. — Eles estão chegando! Afaste a híbrida dele,
Labrítia!
— Não! — Richard rugiu e passou o braço pela minha cintura. Fiquei realmente tocada e
orgulhosa do homem que amava. Mesmo fraco Richard ainda era um guerreiro que daria a
vida para me proteger. — Ela não sai daqui.
— Fique quieto, Rick! Desde quando você ficou tolo assim? — rebateu o mago. Richard
fechou a cara e, sem deixar de encará-lo, começou a se levantar.
— Filho, não! — implorou a Sra. Brit agoniada.
— Eles têm razão, Rick. Fique — pedi com uma calma que surpreendeu a mim mesma
porque minha mente trabalhava de maneira alucinada com a súbita decisão: nós íamos fugir
dali!
— Nina, eles não...
— Shhh — interrompi colocando um dedo em seus lábios ressecados.
Um ruído maior do lado de fora.
— Tire-a daí, Labrítia! — rosnou Guimlel. — Eles chegarão em instantes.
— Venha, Nina — pediu ela e, antes que se aproximasse de mim, eu fiz um gesto com as
mãos para que ela ficasse onde estava.
— Não quero complicar as coisas para o seu lado, Sra. Brit — respondi para a surpresa
de todos. — Deixe-me apenas dar um último abraço nele.
— Nina, não! — Richard tinha a testa lotada de vincos, mas era óbvio que não tinha força
suficiente para ir contra a situação. Estava fraco demais.
— Eu vou feliz, Rick — pisquei e, atordoado, ele apertou ainda mais a minha cintura e me
puxou para junto dele.
Era o que eu planejava!
Com os braços ao redor de sua cabeça sussurrei rapidamente em seu ouvido: — Tenho
um plano para sairmos daqui. Assim que eu me afastar de você finja que está mal novamente.
Entendeu?
Pedi a Deus que ele tivesse me escutado. Levantando-me com dificuldade, acariciei seu
rosto e nossos olhares se encontraram. Suas pedras azuis brilharam para mim e eu sorri.
Ele havia entendido!
Oração do dia 9 Palavras para afirmar a própria grandiosidade.
Oração do dia 9
Palavras para afirmar a própria grandiosidade.
Dentro de mim existe o Universo imenso, ilimitado. Sou mais grandioso do que as estrelas que contemplo numa noite de céu límpido. Percebo que sou dotado de singular capacidade para entender as estrelas. Sou superior às estrelas que brilham no céu, pois, além de compreendê-las, compreendo a mim mesmo. Sou um ser criado à imagem de Deus, que habita no reino dos céus. Sou um ser grandioso que caminha a passos largos pelo espaço sideral. Sou aquele que, tal como o Senhor do Universo, caminha na eternidade. Possuo mente, por isso domino o mundo. Neste momento, dou o primeiro passo como comandante de minhas próprias obras. Sou superior às estrelas; portanto, igualo-me à força que criou este mundo. Sim, sou um com a Força que criou o mundo. Vivo como um ser grandioso, transcendendo todos os temores, fraquezas e mesquinharias. Sou um ser superior às estrelas. Tenho a convicção de que Deus, que criou e sustenta o Universo, me protege e me dá toda a segurança. Por isso, minha alma é tranqüila. Realmente, sou um com o Criador do céu e da terra. Agradeço,de todo o coração, a Deus-Pai.
terça-feira, 8 de maio de 2018
4 - Eliminando Pensamentos Negativos: Quando e como - MEM LAMED AYIN
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REFLEXÂO:
Pensamentos não se originam na matéria física do cérebro.
O cérebro é simplesmente um rádio que transmite pensamentos para a mente racional.
Então, de onde vem a transmissão propriamente dita?
A Cabala ensina que existem duas fontes distintas: a Força da Luz e a Força da Escuridão.
São como duas estações transmissoras, e estão no ar 24 horas por dia!
Aqui está o verdadeiro problema: a Força da Escuridão do ego tem controle sobre as nossas ondas mentais!
Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, em volume máximo, pensamentos negativos e egocêntricos dominam nossa consciência.
Esta Força da Escuridão é a origem de todos os nossos medos e dúvidas.
Os pensamentos que nos vêm da Luz, por sua vez, são quase imperceptíveis.
É somente quando conseguimos tirar de sintonia o sinal transmitido pela Força da Escuridão que somos capazes de ouvir os sons tímidos de nossas próprias almas.
Pensamentos recorrentes incluem incerteza, preocupação constante, pânico e medo excessivo, chegando ao ponto de ficarmos tomados pela ansiedade.
Pensamentos negativos incluem também as coisas terríveis que pensamos sobre outras pessoas quando elas nos prejudicam, ou os julgamentos duros que fizemos dos outros quando os invejamos.
O comportamento obsessivo-compulsivo também começa com idéias negativas incontroláveis.
Desligar nossos processos mentais negativos liberta a mente e automaticamente põe o comportamento obsessivo sob controle.
Um coração frio é uma abertura para um ataque de pensamentos prejudiciais e improdutivos.
Quando nosso coração se torna sensível e quente, fechamos completamente essas aberturas.
AÇÂO:
Você está desligando a tomada para pensamentos destrutivos que emanam do ego.
No espaço que se abre, uma irradiação bondosa de Luz espiritual inunda seu coração e sua mente.
MEDITE NESTAS LETRAS E VOCALIZE: Olam
AÇÃO: Sempre que um pensamento negativo vier a sua mente,
experimente imediatamente trocá-lo por um outro positivo. Não
avalie nem julgue, apenas troque-o.
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Minutos de Sabedoria 54
Minutos de Sabedoria
54
Cada um recebe de acordo com o que dá. Se você der ódios e indiferenças, há de recebê-los de volta. Mas se der atenção e carinho, há de ver-se cercado de afeto e Amor. Ninguém se aproxima do espinheiro, por causa dos espinhos, nem do lodo, porque suja.Mas todos apreciam permanecer perto das flores, que espalham beleza e perfume. Cada um recebe de acordo com o que dá.
Carlos Torres Pastorino
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
NESTA VIDA, NADA SE RESOLVE FUGINDO DOS PROBLEMAS.
Pare de pensar em fugir das dificuldades. Fugir das dificuldades não é um meio de se livrar do sofrimento; pelo contrário, tal atitude só contribui para prolongar o sofrimento. É preciso ter atitude oposta, isto é, estar disposto a enfrentar os problemas. Qualquer dificuldade pode ser transformada em prazer ou satisfação quando enfrentada com determinação.
8º dia do mês - exercicio de concentração
8º dia do mês
1. Neste dia você vai aprender a se manifestar, enquanto você se concentrar em uma
sequência de eventos. Imagine que você está sentado no oceano olhando para um
barco de pesca passando rapidamente. Na frente do barco a água é calma: por trás
dele há ondas. As ondas são um resultado da ação do barco. Vamos olhar para uma
folha de uma árvore em crescimento. Esta folha pode também ser considerada como
um resultado da existência da árvore. Nuvens aparecem e as primeiras gotas de chuva
caíram na terra. As gotas de chuva podem ser vistas como um resultado da existência
das nuvens.
Há exemplos semelhantes ao seu redor em grande número. Pegue qualquer fenômeno e
concentre-se sobre as consequências que ele produz. Ao fazer isso, mantenha o seu
evento desejado em sua consciência - e isso vai acontecer! Este método é muito
eficaz. Com sua ajuda você também pode alterar eventos passados.
2. Dígitos para Concentração
*Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1543218
*Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 984301267
3. Você percebe que o movimento infinito dentro da lemniscata do número 8 se
conecta com os mundos, o que você encontrou durante os últimos 7 dias. E quando
você ligar o seu mundo com todos os mundos, você vai notar que você tem alegria,
tanto em sua alma como o mundo é diverso. Se você tomar em cada partícula do
mundo como uma forma geral de alegria, você vai ver que a alegria é eterna, como
graça é eterna e você pode levantar as mãos para receber a bênção de Deus, como
ele chama você para a eternidade.
Veja eternidade onde ela está. Veja a eternidade onde não é. Veja eternidade onde
sempre foi e você se tornará um Criador da eternidade lá onde ele escapa aos olhos do
outro. Quando você já viu a eternidade e tê-la criado, você a terá para sempre eterna
em tudo, em qualquer eternidade e qualquer mundo.
Você é o Criador, na forma e imagem de Deus, e assim que você criou por toda a
eternidade. Ao criar a eternidade você irá criar a si mesmo. Ao criar-se, criar a
eternidade, assim como a eternidade pode criar o outro e como o Criador criou tudo ao
mesmo tempo.
(Reflexões sobre o dia 8... Talvez seja mais indicado como uma pergunta... Quando se
sugere que ao olhar para "sequência" também podemos mudar os acontecimentos
passados, então estamos essencialmente e energicamente, reescrevendo a história ao
vê-la no contexto? Sabemos que a história é escrita pelos vencedores. Neste caso,
reescrevê-la, vendo os acontecimentos através de uma lente mais simpática... (talvez)
que nos permita ver e sentir um ou mais eventos de uma forma mais harmoniosa. Junte
isso com a procura de alegria e vamos encontrá-la... Então, o poder que existe em
reescrever nossas histórias, a fim de permitir uma, mais cheia momentos de alegria, dia,
ano e no fato da eternidade).
1. Neste dia você vai aprender a se manifestar, enquanto você se concentrar em uma
sequência de eventos. Imagine que você está sentado no oceano olhando para um
barco de pesca passando rapidamente. Na frente do barco a água é calma: por trás
dele há ondas. As ondas são um resultado da ação do barco. Vamos olhar para uma
folha de uma árvore em crescimento. Esta folha pode também ser considerada como
um resultado da existência da árvore. Nuvens aparecem e as primeiras gotas de chuva
caíram na terra. As gotas de chuva podem ser vistas como um resultado da existência
das nuvens.
Há exemplos semelhantes ao seu redor em grande número. Pegue qualquer fenômeno e
concentre-se sobre as consequências que ele produz. Ao fazer isso, mantenha o seu
evento desejado em sua consciência - e isso vai acontecer! Este método é muito
eficaz. Com sua ajuda você também pode alterar eventos passados.
2. Dígitos para Concentração
*Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1543218
*Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 984301267
3. Você percebe que o movimento infinito dentro da lemniscata do número 8 se
conecta com os mundos, o que você encontrou durante os últimos 7 dias. E quando
você ligar o seu mundo com todos os mundos, você vai notar que você tem alegria,
tanto em sua alma como o mundo é diverso. Se você tomar em cada partícula do
mundo como uma forma geral de alegria, você vai ver que a alegria é eterna, como
graça é eterna e você pode levantar as mãos para receber a bênção de Deus, como
ele chama você para a eternidade.
Veja eternidade onde ela está. Veja a eternidade onde não é. Veja eternidade onde
sempre foi e você se tornará um Criador da eternidade lá onde ele escapa aos olhos do
outro. Quando você já viu a eternidade e tê-la criado, você a terá para sempre eterna
em tudo, em qualquer eternidade e qualquer mundo.
Você é o Criador, na forma e imagem de Deus, e assim que você criou por toda a
eternidade. Ao criar a eternidade você irá criar a si mesmo. Ao criar-se, criar a
eternidade, assim como a eternidade pode criar o outro e como o Criador criou tudo ao
mesmo tempo.
(Reflexões sobre o dia 8... Talvez seja mais indicado como uma pergunta... Quando se
sugere que ao olhar para "sequência" também podemos mudar os acontecimentos
passados, então estamos essencialmente e energicamente, reescrevendo a história ao
vê-la no contexto? Sabemos que a história é escrita pelos vencedores. Neste caso,
reescrevê-la, vendo os acontecimentos através de uma lente mais simpática... (talvez)
que nos permita ver e sentir um ou mais eventos de uma forma mais harmoniosa. Junte
isso com a procura de alegria e vamos encontrá-la... Então, o poder que existe em
reescrever nossas histórias, a fim de permitir uma, mais cheia momentos de alegria, dia,
ano e no fato da eternidade).
103 - Louise Hay - afirmações
103- “Obtenho a ajuda de que preciso, de diversas fontes. O meu sistema de apoio é forte e afetuoso.”
CAPÍTULO 11 – Dias atuais
CAPÍTULO 11 – Dias atuais
— É tudo que posso fazer por ele. Espero que Labrítia chegue logo — murmurou Sertolin
em tom grave para Guimlel. Ele havia colocado Richard em um campo de força branco
leitoso. Angustiada, mal percebi que fincava as unhas em minha própria pele. O estado de Rick
era grave.
Com exceção de Shakur, os demais líderes foram dispensados. O governante de Thron
foi preso por desobedecer a todas as ordens dadas e partir para violentas agressões verbais
a Napoleon. Kaller, Leônidas e Von der Hess pareceram aliviados com a dispensa. Wangor,
meu avô, permaneceu pensativo e taciturno durante todo o tempo e, antes de acatar a ordem
dos magos, piscou enigmaticamente para mim, fazendo um gesto com as mãos e me pedindo
calma. Meu coração imediatamente se agitou dentro do peito. Podia sentir que Wangor estava
bolando alguma alternativa para me tirar dali e tive medo de que ele viesse a fazer alguma
besteira irreversível. Não cogitava a hipótese de perdê-lo também.
Um zunido alto e uma luz roxa ganharam intensidade ao meu redor. Os magos estavam
alterando o campo magnético que envolvia a minha cela, deixando-a barulhenta e apenas
parcialmente transparente. Assustada, olhei para os demais casulos de força e vi que, assim
como o meu, o mesmo acontecia com as celas dos outros três prisioneiros, Kevin, Shakur e
Richard. Antes dos magos retornarem ao seu descanso na grande tenda e da parede de
energia arroxeada dificultar minha visão e audição, presenciei Shakur levando as mãos aos
ouvidos e os berros acalorados de Kevin.
— Droga! — xinguei alto ao receber um choque e ter meu corpo repelido com violência
ao tentar socar o campo de energia. Liberei uma risada irônica ao perceber que as chances de
fuga ficavam ainda mais complicadas. O Grande Conselho não brincava em serviço.
Meus berros sucumbiram, sussurros roucos massacrados pelo zunido que me envolvia.
Levei as mãos à cabeça e deixei meu corpo escorregar dentro dos limites seguros do maldito
casulo. A madrugada daquela noite sem fim avançava. Forçava-me a resistir aos tentáculos do
sono que, valendo-se da minha exaustão, acariciavam sorrateiramente minhas pálpebras sem
resistência. Eu tinha de ficar acordada, eu precisav...
Naquele silêncio sepulcral um clarão de luz vermelha explodia nas minhas retinas. Reabri
os olhos e meu coração foi à boca quando, dentro das brasas incandescentes, identifiquei
duas silhuetas dentro do casulo de energia de Richard. Não havia dúvida de que aquele vulto
de quase dois metros de altura e ligeiramente curvado era Guimlel. Ao seu lado, uma pessoa
baixa e gordinha gesticulava sem parar: a Sra. Brit!
Claro! Como não imaginei isso antes? A tal Labrítia era a Sra. Brit!
Desesperada, berrei seu nome o mais alto que meus pulmões permitiram. Em vão. O
zunido do campo de força era absurdamente alto e sobrepujava todos os sons ao redor. De
repente o clarão avermelhado ficou ainda mais intenso, ganhou tons de laranja, expandindo-se
dentro do casulo onde eles estavam. Por trás da silhueta gorducha da Sra. Brit e de Guimlel,
ambos com os braços levantados, o vulto de um corpo era suspenso no ar. Quase engasguei
de emoção. Eu o reconheceria em qualquer dimensão: era Richard!
Graças a Deus! Ela o estava curando!
Vi a energia mudar de cor, ganhar nuances de roxo, verde e azul-claro enquanto envolvia
seu corpo inanimado. Lágrimas de felicidade me escapavam. Um pranto de esperança e alívio.
Ele sobreviveria! E onde havia vida, existiam chances. Ainda havia esperança para nós.
Haveríamos de arranjar um meio de escapar de toda aquela loucura.
De repente, a luz começou a falhar e Richard desabou no chão à frente deles. Perdi o ar
ao ver o mago sacudir o corpo de Rick com desespero. A silhueta da Sra. Brit abaixou os
braços e assumiu uma postura abatida, a cabeça curvada sobre os ombros. Não era preciso
explicar aquela expressão corporal: derrota.
Como assim?! Richard estava tão mal a ponto deles terem desistido? Ele não... Droga!
Não podia ser! Os meus ferimentos naquele pântano negro foram horríveis e a Sra. Brit os
curou em apenas um único dia. Como ela não foi capaz de sarar as feridas dele? A silhueta
de Richard começou a desaparecer, a luz alaranjada perdeu intensidade até ficar do tamanho
da cabeça de um alfinete. E se apagou. A escuridão absoluta tornou a me envolver. Comecei a
asfixiar, tomada por nova onda de desespero.
— Não! Não! Não! Sra. Brit! — Ignorando os choques violentos, mordi os lábios e
comecei a socar o campo magnético que me aprisionava. A ideia de perder Richard para
sempre me sufocava e quando dei por mim eu não apenas berrava, mas jogava todo meu
corpo contra a espessa parede de energia. Meu lado direito ardeu por inteiro e não mais
respondia aos meus comandos. Braços e pernas eram eletrocutados, mas meus gritos de
sofrimento pouco tiveram a ver com as feridas que se abriam em minha pele. A dor vinha de
dentro, como se os cortes fossem internos, como se todas as minhas células estivessem
sendo rasgadas à força. Ainda assim meus ganidos estridentes não conseguiam sobrepujar a
espessa barreira. Lancei minhas unhas ensanguentadas contra o campo magnético na insana
tentativa de criar uma trinca, uma saída. Em vão. Não me permiti desistir e chorar. Eu
precisava lutar. Rick me pediu para ser forte e agora era a hora de provar.
Mas, Deus, o que fazer se a melhor curandeira de Zyrk falhara? O que a estava
impedindo de salvá-lo? Ela sempre curou todo mundo...
Um pensamento estalou em minha mente e meu pulso deu outro salto.
Nem sempre! Um enorme sorriso se abriu em minha face e tive de fazer força para
segurar a emoção que me invadia. A Sra. Brit não conseguiu curar Wangor, meu avô!
Não conseguiu porque a ferida dele não era física, mas sim uma chaga da alma.
Regozijei-me no lugar. Não eram os ferimentos externos, mas sim os do coração que
impediam Richard de reagir. E, para aquele tipo de injúria, ela nunca teria a cura.
Mas eu sim!
Eu acordei meu avô e ia fazer o mesmo pelo homem que eu amava! Pela morte que se
deixou abater e agora morria porque havia se apaixonado por mim. Uma sensação de
arrebatamento indescritível tomou conta de todo meu corpo. Eufórica, senti as palmas das
minhas mãos esquentarem. Sorri ao reconhecer aquele sinal, a reação do que a coragem
desencadeava em minhas células.
Eu haveria de conseguir! Por Rick. Por minha mãe. Por mim.
Concentrei todas as minhas forças, pensei em coisas boas, no insensato amor que ainda
me mantinha respirando, e lancei minhas mãos ensanguentadas contra o campo magnético.
Pouco tempo tive de suportar a dor das descargas de eletricidade, pois, no instante seguinte,
eu tocava o ar e meu corpo despencava para o lado de fora do casulo.
— Argh!
Reconheci o zunido de energia e a luz ofuscante de imediato. Ainda caída, levantei a
cabeça e, de assombro, deparei-me com a pessoa à minha frente.
Oh!
— É tudo que posso fazer por ele. Espero que Labrítia chegue logo — murmurou Sertolin
em tom grave para Guimlel. Ele havia colocado Richard em um campo de força branco
leitoso. Angustiada, mal percebi que fincava as unhas em minha própria pele. O estado de Rick
era grave.
Com exceção de Shakur, os demais líderes foram dispensados. O governante de Thron
foi preso por desobedecer a todas as ordens dadas e partir para violentas agressões verbais
a Napoleon. Kaller, Leônidas e Von der Hess pareceram aliviados com a dispensa. Wangor,
meu avô, permaneceu pensativo e taciturno durante todo o tempo e, antes de acatar a ordem
dos magos, piscou enigmaticamente para mim, fazendo um gesto com as mãos e me pedindo
calma. Meu coração imediatamente se agitou dentro do peito. Podia sentir que Wangor estava
bolando alguma alternativa para me tirar dali e tive medo de que ele viesse a fazer alguma
besteira irreversível. Não cogitava a hipótese de perdê-lo também.
Um zunido alto e uma luz roxa ganharam intensidade ao meu redor. Os magos estavam
alterando o campo magnético que envolvia a minha cela, deixando-a barulhenta e apenas
parcialmente transparente. Assustada, olhei para os demais casulos de força e vi que, assim
como o meu, o mesmo acontecia com as celas dos outros três prisioneiros, Kevin, Shakur e
Richard. Antes dos magos retornarem ao seu descanso na grande tenda e da parede de
energia arroxeada dificultar minha visão e audição, presenciei Shakur levando as mãos aos
ouvidos e os berros acalorados de Kevin.
— Droga! — xinguei alto ao receber um choque e ter meu corpo repelido com violência
ao tentar socar o campo de energia. Liberei uma risada irônica ao perceber que as chances de
fuga ficavam ainda mais complicadas. O Grande Conselho não brincava em serviço.
Meus berros sucumbiram, sussurros roucos massacrados pelo zunido que me envolvia.
Levei as mãos à cabeça e deixei meu corpo escorregar dentro dos limites seguros do maldito
casulo. A madrugada daquela noite sem fim avançava. Forçava-me a resistir aos tentáculos do
sono que, valendo-se da minha exaustão, acariciavam sorrateiramente minhas pálpebras sem
resistência. Eu tinha de ficar acordada, eu precisav...
Naquele silêncio sepulcral um clarão de luz vermelha explodia nas minhas retinas. Reabri
os olhos e meu coração foi à boca quando, dentro das brasas incandescentes, identifiquei
duas silhuetas dentro do casulo de energia de Richard. Não havia dúvida de que aquele vulto
de quase dois metros de altura e ligeiramente curvado era Guimlel. Ao seu lado, uma pessoa
baixa e gordinha gesticulava sem parar: a Sra. Brit!
Claro! Como não imaginei isso antes? A tal Labrítia era a Sra. Brit!
Desesperada, berrei seu nome o mais alto que meus pulmões permitiram. Em vão. O
zunido do campo de força era absurdamente alto e sobrepujava todos os sons ao redor. De
repente o clarão avermelhado ficou ainda mais intenso, ganhou tons de laranja, expandindo-se
dentro do casulo onde eles estavam. Por trás da silhueta gorducha da Sra. Brit e de Guimlel,
ambos com os braços levantados, o vulto de um corpo era suspenso no ar. Quase engasguei
de emoção. Eu o reconheceria em qualquer dimensão: era Richard!
Graças a Deus! Ela o estava curando!
Vi a energia mudar de cor, ganhar nuances de roxo, verde e azul-claro enquanto envolvia
seu corpo inanimado. Lágrimas de felicidade me escapavam. Um pranto de esperança e alívio.
Ele sobreviveria! E onde havia vida, existiam chances. Ainda havia esperança para nós.
Haveríamos de arranjar um meio de escapar de toda aquela loucura.
De repente, a luz começou a falhar e Richard desabou no chão à frente deles. Perdi o ar
ao ver o mago sacudir o corpo de Rick com desespero. A silhueta da Sra. Brit abaixou os
braços e assumiu uma postura abatida, a cabeça curvada sobre os ombros. Não era preciso
explicar aquela expressão corporal: derrota.
Como assim?! Richard estava tão mal a ponto deles terem desistido? Ele não... Droga!
Não podia ser! Os meus ferimentos naquele pântano negro foram horríveis e a Sra. Brit os
curou em apenas um único dia. Como ela não foi capaz de sarar as feridas dele? A silhueta
de Richard começou a desaparecer, a luz alaranjada perdeu intensidade até ficar do tamanho
da cabeça de um alfinete. E se apagou. A escuridão absoluta tornou a me envolver. Comecei a
asfixiar, tomada por nova onda de desespero.
— Não! Não! Não! Sra. Brit! — Ignorando os choques violentos, mordi os lábios e
comecei a socar o campo magnético que me aprisionava. A ideia de perder Richard para
sempre me sufocava e quando dei por mim eu não apenas berrava, mas jogava todo meu
corpo contra a espessa parede de energia. Meu lado direito ardeu por inteiro e não mais
respondia aos meus comandos. Braços e pernas eram eletrocutados, mas meus gritos de
sofrimento pouco tiveram a ver com as feridas que se abriam em minha pele. A dor vinha de
dentro, como se os cortes fossem internos, como se todas as minhas células estivessem
sendo rasgadas à força. Ainda assim meus ganidos estridentes não conseguiam sobrepujar a
espessa barreira. Lancei minhas unhas ensanguentadas contra o campo magnético na insana
tentativa de criar uma trinca, uma saída. Em vão. Não me permiti desistir e chorar. Eu
precisava lutar. Rick me pediu para ser forte e agora era a hora de provar.
Mas, Deus, o que fazer se a melhor curandeira de Zyrk falhara? O que a estava
impedindo de salvá-lo? Ela sempre curou todo mundo...
Um pensamento estalou em minha mente e meu pulso deu outro salto.
Nem sempre! Um enorme sorriso se abriu em minha face e tive de fazer força para
segurar a emoção que me invadia. A Sra. Brit não conseguiu curar Wangor, meu avô!
Não conseguiu porque a ferida dele não era física, mas sim uma chaga da alma.
Regozijei-me no lugar. Não eram os ferimentos externos, mas sim os do coração que
impediam Richard de reagir. E, para aquele tipo de injúria, ela nunca teria a cura.
Mas eu sim!
Eu acordei meu avô e ia fazer o mesmo pelo homem que eu amava! Pela morte que se
deixou abater e agora morria porque havia se apaixonado por mim. Uma sensação de
arrebatamento indescritível tomou conta de todo meu corpo. Eufórica, senti as palmas das
minhas mãos esquentarem. Sorri ao reconhecer aquele sinal, a reação do que a coragem
desencadeava em minhas células.
Eu haveria de conseguir! Por Rick. Por minha mãe. Por mim.
Concentrei todas as minhas forças, pensei em coisas boas, no insensato amor que ainda
me mantinha respirando, e lancei minhas mãos ensanguentadas contra o campo magnético.
Pouco tempo tive de suportar a dor das descargas de eletricidade, pois, no instante seguinte,
eu tocava o ar e meu corpo despencava para o lado de fora do casulo.
— Argh!
Reconheci o zunido de energia e a luz ofuscante de imediato. Ainda caída, levantei a
cabeça e, de assombro, deparei-me com a pessoa à minha frente.
Oh!
Oração do dia 8 Palavras para manter o domínio sobre a situação e o destino.
Oração do dia 8
Palavras para manter o domínio sobre a situação e o destino.
Conscientizo-me de que tenho o poder de controlar a situação e comandar o meu destino com meus pensamentos. Compreendo que, sendo bons os meus sentimentos, são bons os meus pensamentos; sendo bons os meus pensamentos, são boas as minhas palavras; e, sendo boas as minhas palavras, o mundo que habito torna-se o mundo ideal, repleto de bondade. Por isso, não abro a boca pra dizer más palavras. Estou atento a cada pensamento meu, a cada palavra minha. Não emito pensamentos agourentos, não profiro palavras agourentas, não ouço comentários agourentos. Abandonei por completo o hábito de criticar os outros, já não existe em mim o hábito de apontar os defeitos alheios. Já não faço comentários pessimistas a respeito de minha própria pessoa, de meus amigos, de minha profissão. Sou o otimismo em pessoa, sou a esperança em pessoa. Meu coração está repleto de intensa alegria. Proporciono felicidade a todas as pessoas, abençôo todas as coisas. Dou coragem a todos. Minhas palavras tornam-se realidade no mundo das formas. Quando desejo a realização de algo, afirmo com convicção de algo, afirmo com convicção: “Isso se concretiza, infalivelmente”. Essas palavras possuem força criadora. Por isso, o que eu desejo não demora a surgir a surgir ao meu redor. Agradeço a Deus por me dar esta convicção.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
7º dia do mês - exercicios de concentração
7º dia do mês
1. No dia 7 do mês focalizar elementos maximamente distantes de sua consciência. Na
vida diária, estamos envolvidos com esses elementos, quando olhamos para uma nuvem
distante ou objetos distantes tais como as árvores e suas folhas.
Para a manifestação de qualquer objeto em particular ou a realização de qualquer
modo desejado, é necessário para processar uma grande quantidade de
informação. Elementos maximamente distantes de nossa consciência produzem o
processamento de informações mais rápido. Quanto mais distante o elemento que você
escolher, mais rápido o processamento que você vai conseguir. O conhecimento desses
fatores é usado da seguinte maneira: Você se parece com a sua visão normal em uma
nuvem ou ver a nuvem com a sua visão interior e, ao mesmo tempo, você constrói o
evento desejado ou resultado nesta nuvem (ou, alternativamente, em uma folha se você
está olhando para uma folha em uma árvore distante). Através da utilização de
elementos maximamente distantes de sua consciência, você pode rapidamente atingir
o resultado desejado e a ocorrência do evento irá acontecer de forma harmoniosa,
porque a nuvem não pode ser um agente de destruição da mesma forma que as folhas
não podem ser.
2. Dígitos para Concentração
*Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1485321
*Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 991843288]
3. Você vê que o mundo é feito em sua imagem e se desenvolve através de sua
cooperação com a vontade do Criador. Todo mundo aceita que o mundo foi criado. E
quando você quer mudar o mundo através de suas ações, suas ações vão levar a uma
bênção geral. Suas ações tornam-se poderosas, sua saúde melhora e uma bênção geral
entra em sua vida. Essa bênção em geral é o ato do mundo que leva você para o reino
do divino e que o estado onde você adquire uma vida universal e individual para
sempre e sempre.
8º dia do mês
1. Neste dia você vai aprender a se manifestar, enquanto você se concentrar em uma
sequência de eventos. Imagine que você está sentado no oceano olhando para um
barco de pesca passando rapidamente. Na frente do barco a água é calma: por trás
dele há ondas. As ondas são um resultado da ação do barco. Vamos olhar para uma
folha de uma árvore em crescimento. Esta folha pode também ser considerada como
um resultado da existência da árvore. Nuvens aparecem e as primeiras gotas de chuva
caíram na terra. As gotas de chuva podem ser vistas como um resultado da existência
das nuvens.
Há exemplos semelhantes ao seu redor em grande número. Pegue qualquer fenômeno e
concentre-se sobre as consequências que ele produz. Ao fazer isso, mantenha o seu
evento desejado em sua consciência - e isso vai acontecer! Este método é muito
eficaz. Com sua ajuda você também pode alterar eventos passados.
2. Dígitos para Concentração
*Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1543218
*Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 984301267
3. Você percebe que o movimento infinito dentro da lemniscata do número 8 se
conecta com os mundos, o que você encontrou durante os últimos 7 dias. E quando
você ligar o seu mundo com todos os mundos, você vai notar que você tem alegria,
tanto em sua alma como o mundo é diverso. Se você tomar em cada partícula do
mundo como uma forma geral de alegria, você vai ver que a alegria é eterna, como
graça é eterna e você pode levantar as mãos para receber a bênção de Deus, como
ele chama você para a eternidade.
Veja eternidade onde ela está. Veja a eternidade onde não é. Veja eternidade onde
sempre foi e você se tornará um Criador da eternidade lá onde ele escapa aos olhos do
outro. Quando você já viu a eternidade e tê-la criado, você a terá para sempre eterna
em tudo, em qualquer eternidade e qualquer mundo.
Você é o Criador, na forma e imagem de Deus, e assim que você criou por toda a
eternidade. Ao criar a eternidade você irá criar a si mesmo. Ao criar-se, criar a
eternidade, assim como a eternidade pode criar o outro e como o Criador criou tudo ao
mesmo tempo.
(Reflexões sobre o dia 8... Talvez seja mais indicado como uma pergunta... Quando se
sugere que ao olhar para "sequência" também podemos mudar os acontecimentos
passados, então estamos essencialmente e energicamente, reescrevendo a história ao
vê-la no contexto? Sabemos que a história é escrita pelos vencedores. Neste caso,
reescrevê-la, vendo os acontecimentos através de uma lente mais simpática... (talvez)
que nos permita ver e sentir um ou mais eventos de uma forma mais harmoniosa. Junte
isso com a procura de alegria e vamos encontrá-la... Então, o poder que existe em
reescrever nossas histórias, a fim de permitir uma, mais cheia momentos de alegria, dia,
ano e no fato da eternidade).
102 - Louise Hay
102- “Concedo-me o dom de estar livre do passado e volto-me com alegria para o presente.”
CAPÍTULO 10 – Não Fuja
CAPÍTULO 10 – Aproximadamente 12 anos atrás
— Corram! Não podemos perder esse voo para Montevidéu! — acelero-as pelo saguão
de um aeroporto. Nina está mais linda e esperta a cada dia. Como a mãe. Minha alma regozija
com essa constatação.
— Isso precisa acabar! — Stela rebate aos brados.
— Isso vai melhorar quando eu acabar com Dale. Ele vem se escondendo de mim, mas
sinto sua energia por perto. Ele vai aparecer.
— E aí outro virá depois dele! — Ela leva as mãos à cabeça, os nervos ameaçando
dominá-la.
— Calma, meu amor. Eu vou dar um jeito. Não deixarei que ninguém faça mal a vocês
duas.
— Você se acha invencível, mas não tem como lutar contra todos! Não pode estar em
todos os lugares, Ismael!
— Quando não posso, conto com sua percepção para protegê-las. Eu te ensinei como
despistá-los. Sem contar que você é mais esperta que a maioria dos resgatadores, minha
pequena.
— Mas e se forem muitos?
— Duvido. Zyrk não tem uma oferta muito grande de homens para colocar atrás de você.
Lembre-se que, fora Dale, ninguém sabe da existência de Nina e, portanto, você não passa de
uma mera humana que teve sua data de partida alterada por ineficiência de seu resgatador.
Para todos os demais, Dale apenas enlouqueceu.
— Mas eles querem reclamar parte do território de Windston.
— Isso não é nada se soubessem da recompensa maior, da híbrida.
— Não a chame assim!
— Quantas vezes preciso lhe dizer que isso é um elogio, Stela?
— Desculpe — ela se aninha em meu peitoral. Consigo sentir sua dor e preocupação.
— Acredite em mim. Sei o que estou fazendo — acaricio seus fartos cabelos negros. —
Vocês duas são o meu milagre. Por favor, nunca duvide disso, Stela.
#
Stela tem andado muito tensa. Há momentos em que eu mal a reconheço. Esforço-me ao
máximo em criar um ambiente de harmonia e tranquilidade ao nosso redor, mas qualquer
tentativa de acalmá-la é em vão. Quando coloca algo naquela cabecinha linda, ninguém
remove. Está mais obcecada do que nunca em fazer uma lente especial para Nina. Tenho a
sensação de que não está satisfeita com os eficazes ensinamentos de defesa que lhe passei,
pois a encontro estudando com um afinco assustador, dia e noite, todos os tipos de materiais
que ocultam essências, cheiros humanos. Está ficando impressionantemente especializada no
assunto e distante de mim. Percebo que usa seu estudo como desculpa. No fundo sinto que
ela deseja ficar só e que, em determinados momentos, minha presença a incomoda. Sei que
deseja um lar definitivo mais do que tudo na vida, uma pousada onde possa viver sossegada e
criar nossa filha. Relevo vários comentários cruéis que lança no ar. Imagino que esteja assim
por causa da aproximação de mais um aniversário de Pequenina. Seus nervos estão mais à
flor da pele do que nunca. Com o tempo venho observando que ela está perdendo a luta contra
eles. A vida de nômades que somos obrigados a levar, os resgatadores que sou forçado a
eliminar com frequência para protegê-las e a preocupação com a segurança de Nina vêm lhe
afligindo com maior intensidade do que antes. Stela parece não suportar mais. Tento acalmála,
relembrá-la de que ela é uma receptiva espetacular, que as coisas vão se acalmar quando
nossa filha alcançar a maturidade aos dezessete anos humanos, que as pupilas de Nina vão
firmar, que a energia dela não oscilará tanto quanto agora e que não será mais um alvo fácil.
Respiro fundo e tento me convencer de que deve ser esse o motivo. Tampo os ouvidos para a
voz dentro de mim que alerta sobre um perigo à espreita, uma força oculta que cresce e
ameaça vir à tona.
#
Estou agitado, olhando para todos os lados com exceção do espetáculo à minha frente.
Stela já percebeu meu estado alerta, mas, depois de tantos anos fugindo dessa sombra
certeira, compreendeu que, da mesma forma que a vida se renova a cada instante, sempre
existirá alguém morrendo em algum lugar do mundo. Sempre. Como deveria ter acontecido
com ela, há mais de cinco anos. Não tocamos nesse assunto. Não suporto pensar na ideia de
perdê-la, da mesma forma que sei que ela se recusa a desistir da vida por causa de Nina. Tem
ciência de que nossa Pequenina ainda precisa de nós para se manter viva. Somos
expectadores das pessoas com suas horas contadas e que atravessam nossos caminhos, mas
precisamos nos esquivar dos resgatadores que estão atrás delas. Não podemos correr o risco
que eles esbarrem em nós também. Já bastam aqueles de quem fugimos constantemente.
Respiro fundo. É mais que natural que alguém vá morrer em breve em um lugar
abarrotado de gente como este circo. Sinto a indiscutível energia zirquiniana crescendo. Há
mais de um resgatador pelas redondezas. Mas há algo estranho dessa vez e não consigo
captar. Vejo Stela me observar pelo canto do olho.
— O que foi? — ela sussurra.
— Fique aqui. Vou ter que fazer uma varredura pelas redondezas — respondo.
— Por que está tenso? Estão atrás de nós?
— Shhhh. Vai ficar tudo bem. Uma ronda usual — tranquilizo-a ao visualizar sua testa se
enchendo de vincos.
— Mamãe, eu quero fazer xixi — Pequenina nos interrompe.
— Já vamos, Nina. Mamãe está conversando com papai — Stela responde agitada
demais.
— Mas eu quero...
— Fica quieta, Nina! — Stela rosna e agora sou eu quem aperta os olhos, preocupado
em deixá-las ali a sós. Stela está tendo outra crise e tenho medo que seus instintos para a
percepção sejam prejudicados devido ao seu estado nervoso, que ela cometa alguma falha
enquanto eu estiver atrás dos resgatadores. Mas também sei que não posso ficar ali com elas.
Se ficar, estaremos perdidos. Meu trunfo sempre foi ser o elemento surpresa. Os
resgatadores correm atrás das duas e não sabem da minha existência. Cegos pela atração,
como moscas que farejam mel, eu os elimino em nossa teia. — Ismael, eu...
— Calma, minha pequena — peço e acaricio seu rosto lindo. — Vai dar tudo certo. Vou
me certificar do perigo e, se for o caso, eliminá-los.
— Ismael, e-eu... — ela hesita e me olha com intensidade. Tremo. Tento engolir, mas
minha boca está seca.
— O que foi? — pergunto e ouço minha voz. Está rouca.
— Eu... — suspira e segura minhas mãos. — Você sabe que eu te amo, não sabe? Que
eu sempre te amei desde a primeira vez que o vi.
Por que ela está me dizendo isso ali e tão de repente?
Meu coração acelera, enlouquecido dentro do peito, enquanto afundo no banco da
arquibancada. Estou sem reação, apático, mudo. Há anos desejo ouvir essa frase de seus
lábios. Stela nunca disse. Sempre deu a entender, mas nunca utilizou a palavra amor. Eu
também nunca disse, mas por medo de errar ou mentir, por receio de não saber se de fato é
isso o que sinto no peito. Teoricamente eu seria vetado de tal sentimento por ser um
zirquiniano e não me perdoaria se mentisse para a pessoa que mais estimo na vida. Adoro
nossa Pequenina, mas sei que é por Stela o sentimento avassalador que me move todos os
dias. Mesmo sem nunca termos tido um contato mais íntimo, sinto-me profundamente feliz por
tudo que tenho vivido ao seu lado. Todas as sensações que ela foi capaz de fazer meu corpo
experimentar não foram nada se comparadas à mudança em minha essência. Por ela tenho
certeza de que daria a minha vida e a minha alma.
— Pequena, o que está havendo? — pergunto sem força. Devia estar feliz, mas onde
deveria encontrar euforia, deparo-me com um vazio de pavor.
— Não importa o que venha a acontecer, nunca duvide disso — pede baixinho.
— Stela, você está me preocupando.
— Eu te amo, mas não aguento mais. Eu preciso... — ela não diz mais coisa com coisa.
Sinto a explosão de energia negra dentro dela. Eu já a vi muito nervosa antes, mas essa crise
é, indiscutivelmente, a maior de todas. Fico assustado. — Você é o pai dela, Ismael —
continua acelerada. — Dale foi apenas o procriador. Pai é quem cuida, quem ama. Nina
sempre foi sua filha, Ismael. Mesmo que um dia tenha muita raiva de mim, não jogue a culpa
nela. Nunca se esqueça de que você é o pai dela.
Minha cabeça gira dentro de um furacão de emoções. Outra energia, a hostil, expandese
rapidamente. Os resgatadores estão por perto agora. Não temos mais tempo para
conversa. Preciso agir.
— Espere-me aqui — ordeno e lhe dou um beijo na testa. Stela levanta o rosto e me
puxa para perto, afundando os lábios nos meus. Há urgência e desespero nesse beijo. Abraçoa
com vontade e sinto a dor do momento se espalhar por minha pele. Não consigo
compreender o que está acontecendo ali. Perco a fala e, angustiado, levanto-me num
rompante. Quero ficar. Desejo ardentemente acalmá-la e certificá-la de que tudo ficará bem,
mas sei que, se não for agora, será o nosso fim. — Não vou demorar. Não saia daqui, está
bem? — Ela me olha com intensidade e acena levemente. Viro para o lado e Pequenina está
gargalhando com a apresentação dos palhaços. O esboço de um sorriso me escapa e me
convenço de que logo tudo ficará bem.
#
Demoro mais tempo que imaginava. Foram quatro resgatadores eliminados. Três deles
enviados por Windston. Wangor, pai de Dale, não está dando trégua. Venho ocultando o fato
de Stela e lhe dizendo que os homens que estão atrás de Nina nada mais são do que
resgatadores em missões habituais, mortes comuns. Não quero que sofra ainda mais. Sei que
os humanos dão muito valor a essa questão de família e ela ficaria arrasada se soubesse que
o avô de Pequenina é quem mais deseja vê-la morta.
Estou exausto e sei que não foi pelas lutas. É um cansaço interno, celular. A
apresentação acaba. Vejo a multidão de pessoas sair, dispersando-se pelo gramado ao redor
da grande tenda. Procuro por elas e não as encontro. Farejo o ar e nada. Nem sinal das duas.
Recordo-me imediatamente das palavras de Stela. Estremeço com a certeza que perambula
em minha mente.
Não pode ser! Ela não fez isso comigo!
Berro seu nome e o nome de Pequenina. Corro feito um louco por entre aquela manada
de gente. Empurro todos pelo caminho. Esbravejo o nome delas como um louco. Tenho ódio
de mim, de existir. Xingo centenas de palavras vis, praguejo, jogo-me no chão, a cabeça entre
as pernas, e choro um pranto seco. Estou sangrando por dentro.
“Mesmo que um dia tenha muita raiva de mim...”
Ninguém as havia capturado.
Era apenas uma despedida.
Stela tinha me abandonado.
#
Dois anos, cento e setenta e sete dias desde a última vez que as vi. A lembrança do beijo
de despedida, dos olhos negros traiçoeiros de Stela e da expressão de alegria no rostinho
inocente de Nina ainda permanece vívida em minha mente. Vasculhei todos os cantos do
planeta em minha busca frenética. Todos os sinais se desintegraram pelo caminho. Há
momentos em que rio da minha desgraça e a admiro em silêncio. Stela se superou e, se não
fosse pelo ódio mortal que cresce dia após dia em minhas veias, poderia aplaudi-la de pé. A
aprendiz havia superado o mestre. Hoje compreendo e até tenho pena da loucura de Dale.
Venho perambulando nessa dimensão como um ser amaldiçoado. Tenho vergonha de ser o
que sou, de ter me transformado nesse homem sem destino, clã ou honra. Acho o Vértice
digno demais para o verme que me tornei, mas meu orgulho também não admite que seja alvo
de escárnio pelos da minha própria espécie. Abandonei meu reino, meu mentor, meu futuro
glorioso. Deixei tudo para trás pelo amor de uma humana. Todos sempre me alertaram sobre
essa raça perigosa. Uma espécie interesseira e de ações dúbias, capaz de pisar, esmagar
com as próprias mãos o sentimento mais estupendo que já encontrei.
Sinto a formação de uma pista estranha me atraindo para esse lugar há algum tempo.
Farejo-a com determinação. Capto traços das duas, mas não consigo ter certeza. Boa parte
da minha confiança me abandonou naquele dia fatídico. Perambulo por ruas desertas de
Istambul. Os auto-falantes lançam os cânticos das mesquitas no ar. Orações. Torno a
estremecer com esse pensamento. Há dois anos, cento e setenta e sete dias eu não medito e
tenho vontade de desistir delas, de mim. Apesar de tudo, ainda tenho fé em Tyron e sou
convicto de que suicídio é para os fracos. Uma semente de esperança insiste em se manter
viva dentro de minha alma. Acredito que algo bom há de acontecer em breve, que meu
sofrimento foi por um motivo maior, que Stela teve uma razão muito forte para tudo.
De repente sinto várias energias no meu campo magnético. Preciso me focar. Calma,
Ismael! Calma!, ordeno-me com severidade. Esvazio minha mente e então, como num passe
de mágica, eu as sinto. Distintas e muito claramente: Stela e Nina! Não há tempo para me
regozijar. Há três resgatadores correndo para o local onde elas estão. Meu coração dá
pancadas frenéticas no peito. Terei que ser rápido! Eles estão mais próximos que eu!
Corro como um louco e ainda assim não consigo alcançá-los. Perco o ar algumas vezes e
tenho que parar para respirar. Praguejo alto. Segurando a dor em meu abdome, torno a correr
em direção ao local onde a força se expande. Uma fumaça negra sinaliza a direção. Sinto novo
aperto no peito. À medida que me aproximo, escuto uma confusão de vozes falando ao mesmo
tempo, berros de desespero, gritos de horror, pessoas chorando alto. Fecho os olhos quando
uma rajada de vento quente atinge meu rosto. Vasculho ao redor e não as encontro. A fumaça
negra já se alastrou e impregna minhas narinas. O local exala um calor mortal. Sinto-me dentro
de uma fornalha. Olho em todas as direções. Ainda sinto o cheiro delas. Há uma nuvem
claustrofóbica de pavor. Os berros estão cada vez mais altos. Sei que os resgatadores estão
por ali, mas não consigo enxergá-los. Resolvo ficar visível, preciso das minhas forças, e
avanço ainda mais. Forço meu olfato em meio àquela nuvem de borracha carbonizada e capto
a essência delas. Estremeço. Não pode ser! Mal percebo o suor que gruda a roupa em minha
pele e sigo em direção ao foco do horror, o motivo de tudo.
E paraliso, catatônico, quando vejo meu coração abandonar o corpo.
Há um carro em chamas na minha frente. Labaredas, como ferozes línguas vermelhoalaranjadas,
o engolem com uma velocidade assustadora. A nuvem de fumaça ganhou peso e
lança suas garras febris em todas as direções, ameaçando sufocar os que ousarem se
aproximar. A lataria está em brasas, mas a parte interna ainda está relativamente preservada.
Levo as mãos à cabeça quando detecto duas pessoas lá dentro.
Tyron tenha misericórdia! São elas!
Dou dois passos à frente e então recuo por um momento. Sinto traços modificados na
essência delas. Aperto a cabeça entre as mãos, desorientado de pavor. Não tenho tempo. Há
muita fumaça e sei que meu estado de tensão está prejudicando minha capacidade olfativa,
mas reconheceria de longe o sangue que corre em suas veias. Meus olhos ardem e
lacrimejam. Sinto nova descarga de adrenalina e pavor. O fogo já se alastrou por todos os
lados e não tenho como ajudá-las. Começo a berrar e, enlouquecido, ando de um lado para o
outro em meio ao calor demoníaco. Não tenho como romper aquela barreira mortal. Sei que é
um caminho sem volta. Torno a encarar o carro em chamas e uma certeza me invade a alma:
eu sou um forte! Não vou abandoná-las! Jurei que as protegeria! Dei minha palavra que daria
minha vida para salvá-las e agora é a hora de provar!
Eu sou um homem de palavra!
Se não serei capaz de salvá-las, então partirei com elas!
Deixo os berros de advertência atrás de mim e avanço como um raio em direção ao
maldito carro. Suporto com os dentes trincados a ardência alucinante das queimaduras em
minhas mãos e rosto enquanto abro a porta do carro em brasas e me deparo com os dois
corpos à minha frente. Não consigo acreditar no que vejo. Tombo para a frente, curvado pelas
queimaduras irreversíveis da amargura e do sofrimento. Vomito fel. Fui enganado! Acho que
escuto novos gritos de pavor atrás de mim. Não tenho certeza de mais nada porque acabo de
morrer. O corpo que carrego pertence a um morto-vivo. Estou morto muito antes de meu
coração parar de bater e minha pele desintegrar. Sou lambido pelas chamas, mas estou
anestesiado. Os danos das brasas incandescentes da fúria e decepção são arrasadores.
Perco a única coisa que me mantinha de pé: a fé em um ser superior. Tyron é uma farsa; o
amor, uma armadilha demoníaca; os seres humanos, pragas a serem eliminadas da face da
terra.
Então eu morro e me transformo em um monstro de corpo e alma
— Corram! Não podemos perder esse voo para Montevidéu! — acelero-as pelo saguão
de um aeroporto. Nina está mais linda e esperta a cada dia. Como a mãe. Minha alma regozija
com essa constatação.
— Isso precisa acabar! — Stela rebate aos brados.
— Isso vai melhorar quando eu acabar com Dale. Ele vem se escondendo de mim, mas
sinto sua energia por perto. Ele vai aparecer.
— E aí outro virá depois dele! — Ela leva as mãos à cabeça, os nervos ameaçando
dominá-la.
— Calma, meu amor. Eu vou dar um jeito. Não deixarei que ninguém faça mal a vocês
duas.
— Você se acha invencível, mas não tem como lutar contra todos! Não pode estar em
todos os lugares, Ismael!
— Quando não posso, conto com sua percepção para protegê-las. Eu te ensinei como
despistá-los. Sem contar que você é mais esperta que a maioria dos resgatadores, minha
pequena.
— Mas e se forem muitos?
— Duvido. Zyrk não tem uma oferta muito grande de homens para colocar atrás de você.
Lembre-se que, fora Dale, ninguém sabe da existência de Nina e, portanto, você não passa de
uma mera humana que teve sua data de partida alterada por ineficiência de seu resgatador.
Para todos os demais, Dale apenas enlouqueceu.
— Mas eles querem reclamar parte do território de Windston.
— Isso não é nada se soubessem da recompensa maior, da híbrida.
— Não a chame assim!
— Quantas vezes preciso lhe dizer que isso é um elogio, Stela?
— Desculpe — ela se aninha em meu peitoral. Consigo sentir sua dor e preocupação.
— Acredite em mim. Sei o que estou fazendo — acaricio seus fartos cabelos negros. —
Vocês duas são o meu milagre. Por favor, nunca duvide disso, Stela.
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Stela tem andado muito tensa. Há momentos em que eu mal a reconheço. Esforço-me ao
máximo em criar um ambiente de harmonia e tranquilidade ao nosso redor, mas qualquer
tentativa de acalmá-la é em vão. Quando coloca algo naquela cabecinha linda, ninguém
remove. Está mais obcecada do que nunca em fazer uma lente especial para Nina. Tenho a
sensação de que não está satisfeita com os eficazes ensinamentos de defesa que lhe passei,
pois a encontro estudando com um afinco assustador, dia e noite, todos os tipos de materiais
que ocultam essências, cheiros humanos. Está ficando impressionantemente especializada no
assunto e distante de mim. Percebo que usa seu estudo como desculpa. No fundo sinto que
ela deseja ficar só e que, em determinados momentos, minha presença a incomoda. Sei que
deseja um lar definitivo mais do que tudo na vida, uma pousada onde possa viver sossegada e
criar nossa filha. Relevo vários comentários cruéis que lança no ar. Imagino que esteja assim
por causa da aproximação de mais um aniversário de Pequenina. Seus nervos estão mais à
flor da pele do que nunca. Com o tempo venho observando que ela está perdendo a luta contra
eles. A vida de nômades que somos obrigados a levar, os resgatadores que sou forçado a
eliminar com frequência para protegê-las e a preocupação com a segurança de Nina vêm lhe
afligindo com maior intensidade do que antes. Stela parece não suportar mais. Tento acalmála,
relembrá-la de que ela é uma receptiva espetacular, que as coisas vão se acalmar quando
nossa filha alcançar a maturidade aos dezessete anos humanos, que as pupilas de Nina vão
firmar, que a energia dela não oscilará tanto quanto agora e que não será mais um alvo fácil.
Respiro fundo e tento me convencer de que deve ser esse o motivo. Tampo os ouvidos para a
voz dentro de mim que alerta sobre um perigo à espreita, uma força oculta que cresce e
ameaça vir à tona.
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Estou agitado, olhando para todos os lados com exceção do espetáculo à minha frente.
Stela já percebeu meu estado alerta, mas, depois de tantos anos fugindo dessa sombra
certeira, compreendeu que, da mesma forma que a vida se renova a cada instante, sempre
existirá alguém morrendo em algum lugar do mundo. Sempre. Como deveria ter acontecido
com ela, há mais de cinco anos. Não tocamos nesse assunto. Não suporto pensar na ideia de
perdê-la, da mesma forma que sei que ela se recusa a desistir da vida por causa de Nina. Tem
ciência de que nossa Pequenina ainda precisa de nós para se manter viva. Somos
expectadores das pessoas com suas horas contadas e que atravessam nossos caminhos, mas
precisamos nos esquivar dos resgatadores que estão atrás delas. Não podemos correr o risco
que eles esbarrem em nós também. Já bastam aqueles de quem fugimos constantemente.
Respiro fundo. É mais que natural que alguém vá morrer em breve em um lugar
abarrotado de gente como este circo. Sinto a indiscutível energia zirquiniana crescendo. Há
mais de um resgatador pelas redondezas. Mas há algo estranho dessa vez e não consigo
captar. Vejo Stela me observar pelo canto do olho.
— O que foi? — ela sussurra.
— Fique aqui. Vou ter que fazer uma varredura pelas redondezas — respondo.
— Por que está tenso? Estão atrás de nós?
— Shhhh. Vai ficar tudo bem. Uma ronda usual — tranquilizo-a ao visualizar sua testa se
enchendo de vincos.
— Mamãe, eu quero fazer xixi — Pequenina nos interrompe.
— Já vamos, Nina. Mamãe está conversando com papai — Stela responde agitada
demais.
— Mas eu quero...
— Fica quieta, Nina! — Stela rosna e agora sou eu quem aperta os olhos, preocupado
em deixá-las ali a sós. Stela está tendo outra crise e tenho medo que seus instintos para a
percepção sejam prejudicados devido ao seu estado nervoso, que ela cometa alguma falha
enquanto eu estiver atrás dos resgatadores. Mas também sei que não posso ficar ali com elas.
Se ficar, estaremos perdidos. Meu trunfo sempre foi ser o elemento surpresa. Os
resgatadores correm atrás das duas e não sabem da minha existência. Cegos pela atração,
como moscas que farejam mel, eu os elimino em nossa teia. — Ismael, eu...
— Calma, minha pequena — peço e acaricio seu rosto lindo. — Vai dar tudo certo. Vou
me certificar do perigo e, se for o caso, eliminá-los.
— Ismael, e-eu... — ela hesita e me olha com intensidade. Tremo. Tento engolir, mas
minha boca está seca.
— O que foi? — pergunto e ouço minha voz. Está rouca.
— Eu... — suspira e segura minhas mãos. — Você sabe que eu te amo, não sabe? Que
eu sempre te amei desde a primeira vez que o vi.
Por que ela está me dizendo isso ali e tão de repente?
Meu coração acelera, enlouquecido dentro do peito, enquanto afundo no banco da
arquibancada. Estou sem reação, apático, mudo. Há anos desejo ouvir essa frase de seus
lábios. Stela nunca disse. Sempre deu a entender, mas nunca utilizou a palavra amor. Eu
também nunca disse, mas por medo de errar ou mentir, por receio de não saber se de fato é
isso o que sinto no peito. Teoricamente eu seria vetado de tal sentimento por ser um
zirquiniano e não me perdoaria se mentisse para a pessoa que mais estimo na vida. Adoro
nossa Pequenina, mas sei que é por Stela o sentimento avassalador que me move todos os
dias. Mesmo sem nunca termos tido um contato mais íntimo, sinto-me profundamente feliz por
tudo que tenho vivido ao seu lado. Todas as sensações que ela foi capaz de fazer meu corpo
experimentar não foram nada se comparadas à mudança em minha essência. Por ela tenho
certeza de que daria a minha vida e a minha alma.
— Pequena, o que está havendo? — pergunto sem força. Devia estar feliz, mas onde
deveria encontrar euforia, deparo-me com um vazio de pavor.
— Não importa o que venha a acontecer, nunca duvide disso — pede baixinho.
— Stela, você está me preocupando.
— Eu te amo, mas não aguento mais. Eu preciso... — ela não diz mais coisa com coisa.
Sinto a explosão de energia negra dentro dela. Eu já a vi muito nervosa antes, mas essa crise
é, indiscutivelmente, a maior de todas. Fico assustado. — Você é o pai dela, Ismael —
continua acelerada. — Dale foi apenas o procriador. Pai é quem cuida, quem ama. Nina
sempre foi sua filha, Ismael. Mesmo que um dia tenha muita raiva de mim, não jogue a culpa
nela. Nunca se esqueça de que você é o pai dela.
Minha cabeça gira dentro de um furacão de emoções. Outra energia, a hostil, expandese
rapidamente. Os resgatadores estão por perto agora. Não temos mais tempo para
conversa. Preciso agir.
— Espere-me aqui — ordeno e lhe dou um beijo na testa. Stela levanta o rosto e me
puxa para perto, afundando os lábios nos meus. Há urgência e desespero nesse beijo. Abraçoa
com vontade e sinto a dor do momento se espalhar por minha pele. Não consigo
compreender o que está acontecendo ali. Perco a fala e, angustiado, levanto-me num
rompante. Quero ficar. Desejo ardentemente acalmá-la e certificá-la de que tudo ficará bem,
mas sei que, se não for agora, será o nosso fim. — Não vou demorar. Não saia daqui, está
bem? — Ela me olha com intensidade e acena levemente. Viro para o lado e Pequenina está
gargalhando com a apresentação dos palhaços. O esboço de um sorriso me escapa e me
convenço de que logo tudo ficará bem.
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Demoro mais tempo que imaginava. Foram quatro resgatadores eliminados. Três deles
enviados por Windston. Wangor, pai de Dale, não está dando trégua. Venho ocultando o fato
de Stela e lhe dizendo que os homens que estão atrás de Nina nada mais são do que
resgatadores em missões habituais, mortes comuns. Não quero que sofra ainda mais. Sei que
os humanos dão muito valor a essa questão de família e ela ficaria arrasada se soubesse que
o avô de Pequenina é quem mais deseja vê-la morta.
Estou exausto e sei que não foi pelas lutas. É um cansaço interno, celular. A
apresentação acaba. Vejo a multidão de pessoas sair, dispersando-se pelo gramado ao redor
da grande tenda. Procuro por elas e não as encontro. Farejo o ar e nada. Nem sinal das duas.
Recordo-me imediatamente das palavras de Stela. Estremeço com a certeza que perambula
em minha mente.
Não pode ser! Ela não fez isso comigo!
Berro seu nome e o nome de Pequenina. Corro feito um louco por entre aquela manada
de gente. Empurro todos pelo caminho. Esbravejo o nome delas como um louco. Tenho ódio
de mim, de existir. Xingo centenas de palavras vis, praguejo, jogo-me no chão, a cabeça entre
as pernas, e choro um pranto seco. Estou sangrando por dentro.
“Mesmo que um dia tenha muita raiva de mim...”
Ninguém as havia capturado.
Era apenas uma despedida.
Stela tinha me abandonado.
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Dois anos, cento e setenta e sete dias desde a última vez que as vi. A lembrança do beijo
de despedida, dos olhos negros traiçoeiros de Stela e da expressão de alegria no rostinho
inocente de Nina ainda permanece vívida em minha mente. Vasculhei todos os cantos do
planeta em minha busca frenética. Todos os sinais se desintegraram pelo caminho. Há
momentos em que rio da minha desgraça e a admiro em silêncio. Stela se superou e, se não
fosse pelo ódio mortal que cresce dia após dia em minhas veias, poderia aplaudi-la de pé. A
aprendiz havia superado o mestre. Hoje compreendo e até tenho pena da loucura de Dale.
Venho perambulando nessa dimensão como um ser amaldiçoado. Tenho vergonha de ser o
que sou, de ter me transformado nesse homem sem destino, clã ou honra. Acho o Vértice
digno demais para o verme que me tornei, mas meu orgulho também não admite que seja alvo
de escárnio pelos da minha própria espécie. Abandonei meu reino, meu mentor, meu futuro
glorioso. Deixei tudo para trás pelo amor de uma humana. Todos sempre me alertaram sobre
essa raça perigosa. Uma espécie interesseira e de ações dúbias, capaz de pisar, esmagar
com as próprias mãos o sentimento mais estupendo que já encontrei.
Sinto a formação de uma pista estranha me atraindo para esse lugar há algum tempo.
Farejo-a com determinação. Capto traços das duas, mas não consigo ter certeza. Boa parte
da minha confiança me abandonou naquele dia fatídico. Perambulo por ruas desertas de
Istambul. Os auto-falantes lançam os cânticos das mesquitas no ar. Orações. Torno a
estremecer com esse pensamento. Há dois anos, cento e setenta e sete dias eu não medito e
tenho vontade de desistir delas, de mim. Apesar de tudo, ainda tenho fé em Tyron e sou
convicto de que suicídio é para os fracos. Uma semente de esperança insiste em se manter
viva dentro de minha alma. Acredito que algo bom há de acontecer em breve, que meu
sofrimento foi por um motivo maior, que Stela teve uma razão muito forte para tudo.
De repente sinto várias energias no meu campo magnético. Preciso me focar. Calma,
Ismael! Calma!, ordeno-me com severidade. Esvazio minha mente e então, como num passe
de mágica, eu as sinto. Distintas e muito claramente: Stela e Nina! Não há tempo para me
regozijar. Há três resgatadores correndo para o local onde elas estão. Meu coração dá
pancadas frenéticas no peito. Terei que ser rápido! Eles estão mais próximos que eu!
Corro como um louco e ainda assim não consigo alcançá-los. Perco o ar algumas vezes e
tenho que parar para respirar. Praguejo alto. Segurando a dor em meu abdome, torno a correr
em direção ao local onde a força se expande. Uma fumaça negra sinaliza a direção. Sinto novo
aperto no peito. À medida que me aproximo, escuto uma confusão de vozes falando ao mesmo
tempo, berros de desespero, gritos de horror, pessoas chorando alto. Fecho os olhos quando
uma rajada de vento quente atinge meu rosto. Vasculho ao redor e não as encontro. A fumaça
negra já se alastrou e impregna minhas narinas. O local exala um calor mortal. Sinto-me dentro
de uma fornalha. Olho em todas as direções. Ainda sinto o cheiro delas. Há uma nuvem
claustrofóbica de pavor. Os berros estão cada vez mais altos. Sei que os resgatadores estão
por ali, mas não consigo enxergá-los. Resolvo ficar visível, preciso das minhas forças, e
avanço ainda mais. Forço meu olfato em meio àquela nuvem de borracha carbonizada e capto
a essência delas. Estremeço. Não pode ser! Mal percebo o suor que gruda a roupa em minha
pele e sigo em direção ao foco do horror, o motivo de tudo.
E paraliso, catatônico, quando vejo meu coração abandonar o corpo.
Há um carro em chamas na minha frente. Labaredas, como ferozes línguas vermelhoalaranjadas,
o engolem com uma velocidade assustadora. A nuvem de fumaça ganhou peso e
lança suas garras febris em todas as direções, ameaçando sufocar os que ousarem se
aproximar. A lataria está em brasas, mas a parte interna ainda está relativamente preservada.
Levo as mãos à cabeça quando detecto duas pessoas lá dentro.
Tyron tenha misericórdia! São elas!
Dou dois passos à frente e então recuo por um momento. Sinto traços modificados na
essência delas. Aperto a cabeça entre as mãos, desorientado de pavor. Não tenho tempo. Há
muita fumaça e sei que meu estado de tensão está prejudicando minha capacidade olfativa,
mas reconheceria de longe o sangue que corre em suas veias. Meus olhos ardem e
lacrimejam. Sinto nova descarga de adrenalina e pavor. O fogo já se alastrou por todos os
lados e não tenho como ajudá-las. Começo a berrar e, enlouquecido, ando de um lado para o
outro em meio ao calor demoníaco. Não tenho como romper aquela barreira mortal. Sei que é
um caminho sem volta. Torno a encarar o carro em chamas e uma certeza me invade a alma:
eu sou um forte! Não vou abandoná-las! Jurei que as protegeria! Dei minha palavra que daria
minha vida para salvá-las e agora é a hora de provar!
Eu sou um homem de palavra!
Se não serei capaz de salvá-las, então partirei com elas!
Deixo os berros de advertência atrás de mim e avanço como um raio em direção ao
maldito carro. Suporto com os dentes trincados a ardência alucinante das queimaduras em
minhas mãos e rosto enquanto abro a porta do carro em brasas e me deparo com os dois
corpos à minha frente. Não consigo acreditar no que vejo. Tombo para a frente, curvado pelas
queimaduras irreversíveis da amargura e do sofrimento. Vomito fel. Fui enganado! Acho que
escuto novos gritos de pavor atrás de mim. Não tenho certeza de mais nada porque acabo de
morrer. O corpo que carrego pertence a um morto-vivo. Estou morto muito antes de meu
coração parar de bater e minha pele desintegrar. Sou lambido pelas chamas, mas estou
anestesiado. Os danos das brasas incandescentes da fúria e decepção são arrasadores.
Perco a única coisa que me mantinha de pé: a fé em um ser superior. Tyron é uma farsa; o
amor, uma armadilha demoníaca; os seres humanos, pragas a serem eliminadas da face da
terra.
Então eu morro e me transformo em um monstro de corpo e alma
46 - Certeza Absoluta: O que fazer quando a dúvida surge - YOD RESH AYIN
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REFLEXÂO:
Verbete no dicionário: princípio da incerteza
Substantivo
1. Um princípio da mecânica quântica que sustenta que aumentar a precisão de medida de uma quantidade observável aumenta a incerteza pela qual outras quantidades possam ser conhecidas.
Desenvolvido pelo físico teórico Werner Heisenbergem 1927.
2. Parte da atual visão científica da natureza da realidade física, com implicações para a filosofia em geral.
Se injetarmos dúvida em qualquer aspecto destes ensinamentos, estaremos literalmente tirando o fio da tomada e desligando seu funcionamento.
"Quero ver para crer" deve ser substituído por "quando eu crer, vou ver!"
Lembre-se de que ter certeza não significa simplesmente ter confiança de que obteremos o que queremos.
Ter certeza significa reconhecer que já estamos recebendo o que precisamos para o crescimento espiritual.
É verdade que, quando a dificuldade acontece, as dúvidas começam a vir à tona em nossas mentes.
Ficamos incertos acerca da realidade do Criador.
Questionamos a justiça no universo.
Tememos pelo futuro.
Apontamos o dedo da culpa para os outros, ou para os céus.
Quando invocamos o poder da certeza, porém, todas essas sensações negativas desaparecem, como a neblina que encobre uma montanha implacável.
Em todas as áreas da vida, a duração do caos e da dor é sempre diretamente proporcional ao nosso próprio nível de incerteza e falta de responsabilidade.
AÇÂO:
Certeza! Segurança! Convicção! Confiança! Tudo isto enche seu coração através da meditação deste Nome.
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