NÃO sinta medo, para não atrair críticas.Se tem certa maneira de comportar-se que sabe que está certa, mas os outros julgam errada, não tenha medo. Se tiver, atrairá uma onda de críticas e maledicências.Se não tiver medo, ninguém terá coragem de falar de você. O medo irradia forças negativas, que atraem críticas.Se você não teme, paralisa a crítica nos outros, que se sentem tolhidos e dominados por sua força mental positiva.
terça-feira, 22 de maio de 2018
22º Dia do Mês
22º Dia do Mês
1. Neste dia concentre-se em elementos da realidade que são caracterizadas por uma
reprodução contínua. Aqui está um exemplo concreto: a eternidade ou o conceito de
espaço infinito. Recordo-vos aqui mais uma vez que, enquanto você está contemplando
tais conceitos, tais como a eternidade, você deve construir e manter o resultado
desejado na sua consciência.
2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 8153485
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 198516789
3. Sua alma é uma estrutura que já está formada. Sua alma é também uma estrutura
restaurável. Veja como sua alma é criada e olhe como ela foi restaurada. No ato da
restauração você encontrar a sua alma. Olhe para o seu mundo e veja onde o Criador
tem restaurado a si mesmo. Olhe para o mecanismo de restauração e você vai ver o
amor.
O amor é o que traz a luz ao mundo. O amor é a base ou fundação do mundo. É o amor
que sempre existiu e que era originalmente. Olha quem criou o amor e você se verá. O
amor pertence a você, é você, e você pertence ao amor. Criar com amor, com a graça
de criar, criar com a grande alegria de uma vida compartilhada e felicidade mútua e
você será capaz de ver a alegria que todos os que o rodeiam ver.
Esteja ciente da alegria de todos que o cercam e seu coração será preenchido com
felicidade. Seja a alegria e harmonia e lhe trará toda a eternidade. Olhe com seus olhos
eternos, olhe com o seu corpo eterno, olhe com sua visão eterna e dê a todas as suas
relações da talha dourada da eternidade.
Olhe através de sua eternidade para todas as pessoas e presenteie-as com a eternidade.
Olhe através de sua eternidade o seu entorno e mundo inteiro e presenteie-o com a
eternidade. O mundo vai florescer e vai se tornar uma flor que floresce eternamente. E
esta flor vai ser o seu mundo, que é também o mundo de todos. Você vai viver e sua
felicidade será sem fim.
1. Neste dia concentre-se em elementos da realidade que são caracterizadas por uma
reprodução contínua. Aqui está um exemplo concreto: a eternidade ou o conceito de
espaço infinito. Recordo-vos aqui mais uma vez que, enquanto você está contemplando
tais conceitos, tais como a eternidade, você deve construir e manter o resultado
desejado na sua consciência.
2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 8153485
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 198516789
3. Sua alma é uma estrutura que já está formada. Sua alma é também uma estrutura
restaurável. Veja como sua alma é criada e olhe como ela foi restaurada. No ato da
restauração você encontrar a sua alma. Olhe para o seu mundo e veja onde o Criador
tem restaurado a si mesmo. Olhe para o mecanismo de restauração e você vai ver o
amor.
O amor é o que traz a luz ao mundo. O amor é a base ou fundação do mundo. É o amor
que sempre existiu e que era originalmente. Olha quem criou o amor e você se verá. O
amor pertence a você, é você, e você pertence ao amor. Criar com amor, com a graça
de criar, criar com a grande alegria de uma vida compartilhada e felicidade mútua e
você será capaz de ver a alegria que todos os que o rodeiam ver.
Esteja ciente da alegria de todos que o cercam e seu coração será preenchido com
felicidade. Seja a alegria e harmonia e lhe trará toda a eternidade. Olhe com seus olhos
eternos, olhe com o seu corpo eterno, olhe com sua visão eterna e dê a todas as suas
relações da talha dourada da eternidade.
Olhe através de sua eternidade para todas as pessoas e presenteie-as com a eternidade.
Olhe através de sua eternidade o seu entorno e mundo inteiro e presenteie-o com a
eternidade. O mundo vai florescer e vai se tornar uma flor que floresce eternamente. E
esta flor vai ser o seu mundo, que é também o mundo de todos. Você vai viver e sua
felicidade será sem fim.
115 - Louise Hay
115- “Amo e aceito os membros da minha família tal como são neste preciso momento.”a
CAPÍTULO 23 - Não Fuja
CAPÍTULO 23
— Por Tyron! Achamos! — A voz de John vibrava de felicidade. — Nina, aguente firme!
Estou indo!
Pisquei várias vezes para ter certeza de que não havia acabado de morrer e que não se
tratava de uma traquinagem do meu subconsciente para me poupar de uma morte sofrida.
Quando tornei a focar a visão eu o vi: caindo do céu como um anjo ruivo, ele mergulhava no
abismo amarrado a uma corda cingida à sua cintura. Lá em cima ouvi o bufar de cavalos e um
murmurinho frenético. Ao redor do grande buraco criado no teto daquela câmara quatro
arqueiros lançavam suas flechas precisas, interrompendo o ataque dos nossos algozes. À
medida que se aproximava de nós, detectei os olhos cor de mel se arregalando ao ver que
Shakur era o responsável por me manter viva.
— Joguem mais três cordas! Richard está entre eles! — comandou acelerado um dos
arqueiros. Na verdade, era uma arqueira, e eu também a conhecia: era Samantha! — Rápido!
Antes que o exército de Leônidas nos descubra!
— Pode soltá-la! — avisou John ao se aproximar de nós. Shakur hesitou por um instante,
mas, exaurido, e vendo que John carregava um escudo para nos proteger, acatou em seguida.
Respirei aliviada quando Richard, sem perder tempo, ajudou seu líder a subir. Agora ele não
era mais o alvo dos homens de Von der Hess, que retrocediam em função da chuva
inesperada de flechas.
— Minha mãe! — alertei preocupada. — Não vou sem eles!
— Vamos resgatá-los. Fique tranquila. — John me mostrou as cordas que caíam naquele
exato momento pela cratera, como três enormes cachos se desenrolando no ar.
— Ah, John! — Aliviada e feliz, abracei-o com vontade arrebatadora.
— Deu um trabalhão te encontrar, moça! — Seu sorriso era tão largo que todo o medo
se desintegrou dentro de mim. John me trazia paz, esperança.
— Isso porque não procurou direito — brinquei e sorri de volta enquanto éramos puxados
pela corda. Ele me encarou com tanta intensidade que corei por um instante. Paralisado atrás
de seu escudo, Rick nos observava sair dali.
Em minha lenta subida, vi Shakur correr ao encontro de minha mãe enquanto Richard,
com escudos em mãos, protegia os três. Trocando de posições, Shakur segurou o escudo
dando espaço para que seu hábil resgatador principal fosse o primeiro a amarrar uma das
cordas ao redor do corpo. Em seguida foi a sua vez, agora acobertado por Rick, de cingir a
própria cintura e a de minha mãe em uma única corda. Em seguida o líder de Thron segurou
Stela desacordada em seus braços e deu o comando para que iniciassem o tracionamento.
Fiquei tocada ao vê-lo descartar uma das cordas para subir unido a ela. O sentimento bom
que nutria por ele crescia vertiginosamente dentro de mim.
— Atrelem dois cavalos! Rápido! — ouvi Samantha berrar. Ela se apoiava na borda da
cratera acima de nós.
— O que está havendo? — indaguei ao observar as três cordas subindo muito
lentamente.
— O grupo é pequeno. Nossos cavalos estão exaustos, mas... — respondeu John com a
testa repleta de rugas e o maxilar trincado —, tem algo errado acontecendo aqui.
Claro que tinha! Von der Hess!
Era palpável a energia contrária agindo sobre nossos corpos. Forcei a visão e,
permanecendo escondido em áreas de penumbra da grande câmara, eu o encontrei de braços
levantados e olhos fechados. A boca de Von der Hess se movimentava com velocidade e não
deixava dúvidas: ele estava realizando algum tipo de magia!
— Força! — esbravejou John. O comando repetido pelos ecos conferia ainda mais
gravidade à situação.
De repente as cordas pararam. Eu e John estávamos bem mais próximos da saída, mas
ainda perigosamente pendurados sobre o colossal abismo e longe do alcance dos nossos
aliados. Mudo e com sua usual cara de poucos amigos, Richard encontrava-se no meio do
caminho. Shakur e mamãe, por sua vez, estavam bem abaixo, dando-me a sensação de que a
corda que os tracionava havia feito mínimo progresso.
— Não escutaram o que John ordenou? — bramiu Samantha nervosa e, em seguida, ouvi
relinchos tensos e o bufar de cavalos sendo açoitados sem piedade. — Tom, eu assumo sua
posição! — ordenou a loura. — Vá! Ajude a puxar as cordas!
Em outra ocasião eu riria da situação. O gigantesco Tom talvez fosse mais forte que
qualquer um dos cavalos! Mas o momento era crítico demais e tudo que conseguia pensar era
no risco que corríamos pendurados sobre o mortal precipício.
Então escutei um esbravejar vigoroso. A voz grave que admirava cada vez mais ecoava
com furor, majestosamente poderosa, reverberando pelas paredes de todo o cânion. Sem
deixar de abraçar mamãe nem por um segundo, Shakur bradava palavras sem sentido para
mim. Os olhos de todos se arregalaram quando, repentinamente, as cordas balançaram e,
lentamente, começaram a subir por conta própria.
Claro! Agora eu havia entendido o porquê de Shakur querer fazer uma boa abertura no
teto que cobria o cânion! Ele pretendia utilizar-se da luz do sol como fonte de energia para
impor a sua magia!
— Rápido! Força! — bradou John, mesmo sem entender o que estava acontecendo. Ouvi
os animais sendo chicoteados com violência. Estremeci com a ideia.
— Parem de espancar os animais! — vociferei. Minha voz estava mais intensa que
poderia imaginar. — Conversem com eles! É para animá-los, e não para matá-los!
— Como é que é?! — rebateu Samantha ultrajada. Mesmo de longe era possível ver que
seu rosto estava repleto de manchas vermelhas. Ela não conseguia camuflar o ódio que sentia
por mim. — Sua híbrida ingrata e...
Senti o corpo de John enrijecer ao redor do meu.
— Façam o que ela diz! — ordenou John. Samantha, apesar de contrariada, não
retrucou. A loura apenas praguejou alto e, em seguida, ouvi conversas acaloradas sendo
travadas entre eles. — Obedeçam! — repetiu o líder.
Um inesperado solavanco e nossos corpos despencaram em uma queda vertiginosa.
Agarrei-me com força ao corpo de John, fechei os olhos em resposta e senti o vento gelado
lambendo nossos rostos. Durante a aceleração, escutei berros apavorados ficando para trás.
Meu estômago revirou por completo, transformando-se em um sufocante bloco de gelo
agarrado à garganta. Um baque violento. As cordas chicotearam no ar, jogando nossos
corpos, frágeis marionetes, de um lado para o outro.
— John! Não! — Samantha berrou em pânico e aquilo me preocupou. A loura não
parecia ser dada a acessos de chilique.
— Argh! — John arfou e, assustado, abraçou-me ainda mais. Richard xingou alto,
mirando como uma águia o meu corpo atrelado ao de John. Ele franziu o cenho, mas poderia
jurar que não foi devido à inesperada queda.
— Esqueceu-se de que está em meu território? — Estremeci com a gargalhada sinistra
de Von der Hess. — Esta nunca foi a sua especialidade. Desista, Ismael!
— Von der Hess chamou Shakur de... Ismael?! — questionou John sobressaltado, as
sardas mais avermelhadas que o normal.
— Depois eu explico — assegurei em estado de tensão.
— Muito tempo se passou, Hess. As especialidades mudam — o líder de negro retrucou
com escárnio e levou uma das mãos ao ar: — Invotuculum it saem protegivum!
As cordas vibraram e, para nossa felicidade, desataram a subir. Estupefato, Von der
Hess excomungava de maneira ensandecida enquanto um vento quente girava ao redor dos
nossos corpos.
— Ele...?! Magia...! — tornou a exclamar John, parecendo mais desorientado com a
descoberta do que com a nossa péssima situação.
— Rápido, Samantha! — Foi a vez de Richard dar o comando, ao perceber o
atordoamento momentâneo de John. A loura assoviou alto e fomos brindados com o som dos
cascos dos animais aumentando de intensidade. Senti-me aliviada por não escutar açoites ou
relinchar de dor.
As cordas continuavam a subir, agora bem mais velozes. A sequência continuava a
mesma: a minha vinha à frente, seguida pela de Rick e, por fim, a que carregava mamãe e
Shakur. Podia jurar que aquela ordem era proposital e que o líder de negro se assegurava de
que ficaria por último. Os soldados de Von der Hess reagiram e novas rajadas de flechas
passaram raspando pelos nossos corpos.
— Parem! — ordenou nervoso o bruxo albino. — Vocês podem atingi-la!
Eu e John fomos os primeiros a alcançar o topo. Ao me ver chegar abraçada a ele,
Samantha franziu o cenho e repuxou os lábios, confirmando o que eu já suspeitava há um bom
tempo: ela gostava de John! A raiva que nutria por mim era porque morria de ciúmes dele.
— Os homens de Leônidas estão a caminho! — Um soldado acabava de chegar com a
péssima notícia.
— Preparar para partir! — Samantha deu o comando, alertando o pequeno grupo que
deveríamos sair em disparada ao término de sua contagem regressiva.
— Eu não vou deixá-los — comuniquei determinada.
— Ah, vai sim! Depois desse trabalho para te buscar? Nem que eu tenha que arrastá-la
pelos cabelos — Samantha partiu para cima de mim. Enfrentei-a com inesperada força. Sentime
uma rocha, firme e intransponível. Não havia espaço para medo dentro dessa nova Nina.
— Parem com isso! — John se colocou entre nós. — O tempo será suficiente! Graças a
Tyron a subida deles está sendo rápida — soltou, olhando desconfiado de mim para a loura.
— Samantha, use os cavalos que nos tracionaram! Amarrem-nos aos outros animais! — A
ordem de John foi estratégica. Era sensato nos manter afastadas enquanto esfriávamos os
ânimos.
Ela saiu de vista e eu me aproximei da borda da grande abertura que eles haviam criado.
Ao lado de John, fiquei observando as duas cordas subirem e me dei conta de que elas
traziam os três grandes amores da minha vida. Agora estava claro dentro de mim: eu também
amava Shakur!
Uma inquietação vibrou em meu espírito. Agoniado, ele parecia querer chamar a minha
atenção, alertar-me de algo. Com os nervos à flor da pele e o coração pulsando na boca, vi
aliviada Richard alcançar a base onde estávamos e deixar o corpo cair, com a respiração
difícil e os olhos fechados. Em meio ao horror que acabávamos de passar, só agora notava
que o coitado tinha as mãos e os ombros tingidos de sangue. Entretanto, por mais que me
preocupasse com ele, havia uma inquietação crescendo furiosamente dentro de mim. Aquele
alerta em forma de taquicardia não era bem-vindo. Mais rápido. Mais rápido. Mais rápido!
Naquele instante, daria tudo para trocar de lugar com eles. A agonia pela espera ruía com o
que restara de intacto nos meus nervos.
— Força! — John ordenou. A expressão em seu rosto mudara do entusiasmado para o
apreensivo.
Como em um filme de terror, Von de Hess ressurgia ainda mais alvo e traiçoeiro do que
antes, plainando no ar como uma assombração. Jurei ter visto, para depois desaparecer,
pequenos pontos pretos flutuarem sobre suas mãos brancas e ossudas. Ah, não!
— Ele vai usar os escaravelhos! — alertei num sussurro afônico.
— Ele não pode — rebateu John ao meu lado. — Se for pego usando tais criaturas será
banido para o Vértice!
— Mas ele usou! Há centenas deles! Eu vi!
John perdeu a cor.
— Droga! Vamos sair daqui, Nina — ele me puxava com os olhos arregalados.
— Nunca! — explodi sem arredar o pé.
— Se não partirmos agora seremos pegos, John! — Samantha gritava nervosa. — Os
homens de Leônidas estão próximos!
— Eu não vou sem eles! — guinchei e olhei bem dentro de seus olhos cor de mel. John
tinha a testa lotada de vincos. Os soldados aguardavam apenas uma ordem sua para dar o
toque de partir.
— Poupe o seu grupo — determinou Richard, aproximando-se de mim e de John. —
Deixe dois cavalos. Nós os alcançaremos.
— Vamos esperar mais um pouco — John retrucou, tenso.
Outros berros resgataram nossa atenção para o que acontecia na fenda abaixo de nós.
A felicidade em ver que Shakur e mamãe conseguiriam se aproximar a tempo foi rapidamente
varrida do meu peito. Nos instantes finais da sua subida, Von der Hess soltou a bomba que
faria meu mundo tornar a ruir e tudo ao redor perder a importância.
— Quando vai aprender a desistir? — bradou com sarcasmo o bruxo malévolo. — A
humana nunca será sua!
Shakur não respondeu e vi quando a abraçou ainda mais.
— Tolo! Por que continua a se iludir? Você não é humano e ela não é uma zirquiniana!
— Cale-se! — bramiu o líder de negro.
— Você sempre soube que ela estava viva por causa da minha energia! A força proibida
que apenas eu domino! — Von der Hess não dava trégua. — Quantas maravilhas teríamos
acesso... Quantos mistérios seriam desvendados se os idiotas do Grande Conselho não a
tivessem me impedido de usar!
— Quantas tragédias teriam acontecido se deixássemos você utilizar essa energia
abominável — desdenhou Shakur e o mago estreitou os olhos.
— Humm... Pensa que ganhou esse confronto? Tragédia é o que acontecerá para você
em breve, meu caro. — Riu de maneira artificial. — Assim que sair da cobertura da minha
“energia abominável”, sua humana definhará e morrerá em questão de horas!
Minha mãe morreria em questão de horas...
— NÃO!!! — O berro de dor de Shakur foi único porque o meu ficou aprisionado, perdido
em algum lugar entre minha dor e desesperança.
— Por Tyron! Achamos! — A voz de John vibrava de felicidade. — Nina, aguente firme!
Estou indo!
Pisquei várias vezes para ter certeza de que não havia acabado de morrer e que não se
tratava de uma traquinagem do meu subconsciente para me poupar de uma morte sofrida.
Quando tornei a focar a visão eu o vi: caindo do céu como um anjo ruivo, ele mergulhava no
abismo amarrado a uma corda cingida à sua cintura. Lá em cima ouvi o bufar de cavalos e um
murmurinho frenético. Ao redor do grande buraco criado no teto daquela câmara quatro
arqueiros lançavam suas flechas precisas, interrompendo o ataque dos nossos algozes. À
medida que se aproximava de nós, detectei os olhos cor de mel se arregalando ao ver que
Shakur era o responsável por me manter viva.
— Joguem mais três cordas! Richard está entre eles! — comandou acelerado um dos
arqueiros. Na verdade, era uma arqueira, e eu também a conhecia: era Samantha! — Rápido!
Antes que o exército de Leônidas nos descubra!
— Pode soltá-la! — avisou John ao se aproximar de nós. Shakur hesitou por um instante,
mas, exaurido, e vendo que John carregava um escudo para nos proteger, acatou em seguida.
Respirei aliviada quando Richard, sem perder tempo, ajudou seu líder a subir. Agora ele não
era mais o alvo dos homens de Von der Hess, que retrocediam em função da chuva
inesperada de flechas.
— Minha mãe! — alertei preocupada. — Não vou sem eles!
— Vamos resgatá-los. Fique tranquila. — John me mostrou as cordas que caíam naquele
exato momento pela cratera, como três enormes cachos se desenrolando no ar.
— Ah, John! — Aliviada e feliz, abracei-o com vontade arrebatadora.
— Deu um trabalhão te encontrar, moça! — Seu sorriso era tão largo que todo o medo
se desintegrou dentro de mim. John me trazia paz, esperança.
— Isso porque não procurou direito — brinquei e sorri de volta enquanto éramos puxados
pela corda. Ele me encarou com tanta intensidade que corei por um instante. Paralisado atrás
de seu escudo, Rick nos observava sair dali.
Em minha lenta subida, vi Shakur correr ao encontro de minha mãe enquanto Richard,
com escudos em mãos, protegia os três. Trocando de posições, Shakur segurou o escudo
dando espaço para que seu hábil resgatador principal fosse o primeiro a amarrar uma das
cordas ao redor do corpo. Em seguida foi a sua vez, agora acobertado por Rick, de cingir a
própria cintura e a de minha mãe em uma única corda. Em seguida o líder de Thron segurou
Stela desacordada em seus braços e deu o comando para que iniciassem o tracionamento.
Fiquei tocada ao vê-lo descartar uma das cordas para subir unido a ela. O sentimento bom
que nutria por ele crescia vertiginosamente dentro de mim.
— Atrelem dois cavalos! Rápido! — ouvi Samantha berrar. Ela se apoiava na borda da
cratera acima de nós.
— O que está havendo? — indaguei ao observar as três cordas subindo muito
lentamente.
— O grupo é pequeno. Nossos cavalos estão exaustos, mas... — respondeu John com a
testa repleta de rugas e o maxilar trincado —, tem algo errado acontecendo aqui.
Claro que tinha! Von der Hess!
Era palpável a energia contrária agindo sobre nossos corpos. Forcei a visão e,
permanecendo escondido em áreas de penumbra da grande câmara, eu o encontrei de braços
levantados e olhos fechados. A boca de Von der Hess se movimentava com velocidade e não
deixava dúvidas: ele estava realizando algum tipo de magia!
— Força! — esbravejou John. O comando repetido pelos ecos conferia ainda mais
gravidade à situação.
De repente as cordas pararam. Eu e John estávamos bem mais próximos da saída, mas
ainda perigosamente pendurados sobre o colossal abismo e longe do alcance dos nossos
aliados. Mudo e com sua usual cara de poucos amigos, Richard encontrava-se no meio do
caminho. Shakur e mamãe, por sua vez, estavam bem abaixo, dando-me a sensação de que a
corda que os tracionava havia feito mínimo progresso.
— Não escutaram o que John ordenou? — bramiu Samantha nervosa e, em seguida, ouvi
relinchos tensos e o bufar de cavalos sendo açoitados sem piedade. — Tom, eu assumo sua
posição! — ordenou a loura. — Vá! Ajude a puxar as cordas!
Em outra ocasião eu riria da situação. O gigantesco Tom talvez fosse mais forte que
qualquer um dos cavalos! Mas o momento era crítico demais e tudo que conseguia pensar era
no risco que corríamos pendurados sobre o mortal precipício.
Então escutei um esbravejar vigoroso. A voz grave que admirava cada vez mais ecoava
com furor, majestosamente poderosa, reverberando pelas paredes de todo o cânion. Sem
deixar de abraçar mamãe nem por um segundo, Shakur bradava palavras sem sentido para
mim. Os olhos de todos se arregalaram quando, repentinamente, as cordas balançaram e,
lentamente, começaram a subir por conta própria.
Claro! Agora eu havia entendido o porquê de Shakur querer fazer uma boa abertura no
teto que cobria o cânion! Ele pretendia utilizar-se da luz do sol como fonte de energia para
impor a sua magia!
— Rápido! Força! — bradou John, mesmo sem entender o que estava acontecendo. Ouvi
os animais sendo chicoteados com violência. Estremeci com a ideia.
— Parem de espancar os animais! — vociferei. Minha voz estava mais intensa que
poderia imaginar. — Conversem com eles! É para animá-los, e não para matá-los!
— Como é que é?! — rebateu Samantha ultrajada. Mesmo de longe era possível ver que
seu rosto estava repleto de manchas vermelhas. Ela não conseguia camuflar o ódio que sentia
por mim. — Sua híbrida ingrata e...
Senti o corpo de John enrijecer ao redor do meu.
— Façam o que ela diz! — ordenou John. Samantha, apesar de contrariada, não
retrucou. A loura apenas praguejou alto e, em seguida, ouvi conversas acaloradas sendo
travadas entre eles. — Obedeçam! — repetiu o líder.
Um inesperado solavanco e nossos corpos despencaram em uma queda vertiginosa.
Agarrei-me com força ao corpo de John, fechei os olhos em resposta e senti o vento gelado
lambendo nossos rostos. Durante a aceleração, escutei berros apavorados ficando para trás.
Meu estômago revirou por completo, transformando-se em um sufocante bloco de gelo
agarrado à garganta. Um baque violento. As cordas chicotearam no ar, jogando nossos
corpos, frágeis marionetes, de um lado para o outro.
— John! Não! — Samantha berrou em pânico e aquilo me preocupou. A loura não
parecia ser dada a acessos de chilique.
— Argh! — John arfou e, assustado, abraçou-me ainda mais. Richard xingou alto,
mirando como uma águia o meu corpo atrelado ao de John. Ele franziu o cenho, mas poderia
jurar que não foi devido à inesperada queda.
— Esqueceu-se de que está em meu território? — Estremeci com a gargalhada sinistra
de Von der Hess. — Esta nunca foi a sua especialidade. Desista, Ismael!
— Von der Hess chamou Shakur de... Ismael?! — questionou John sobressaltado, as
sardas mais avermelhadas que o normal.
— Depois eu explico — assegurei em estado de tensão.
— Muito tempo se passou, Hess. As especialidades mudam — o líder de negro retrucou
com escárnio e levou uma das mãos ao ar: — Invotuculum it saem protegivum!
As cordas vibraram e, para nossa felicidade, desataram a subir. Estupefato, Von der
Hess excomungava de maneira ensandecida enquanto um vento quente girava ao redor dos
nossos corpos.
— Ele...?! Magia...! — tornou a exclamar John, parecendo mais desorientado com a
descoberta do que com a nossa péssima situação.
— Rápido, Samantha! — Foi a vez de Richard dar o comando, ao perceber o
atordoamento momentâneo de John. A loura assoviou alto e fomos brindados com o som dos
cascos dos animais aumentando de intensidade. Senti-me aliviada por não escutar açoites ou
relinchar de dor.
As cordas continuavam a subir, agora bem mais velozes. A sequência continuava a
mesma: a minha vinha à frente, seguida pela de Rick e, por fim, a que carregava mamãe e
Shakur. Podia jurar que aquela ordem era proposital e que o líder de negro se assegurava de
que ficaria por último. Os soldados de Von der Hess reagiram e novas rajadas de flechas
passaram raspando pelos nossos corpos.
— Parem! — ordenou nervoso o bruxo albino. — Vocês podem atingi-la!
Eu e John fomos os primeiros a alcançar o topo. Ao me ver chegar abraçada a ele,
Samantha franziu o cenho e repuxou os lábios, confirmando o que eu já suspeitava há um bom
tempo: ela gostava de John! A raiva que nutria por mim era porque morria de ciúmes dele.
— Os homens de Leônidas estão a caminho! — Um soldado acabava de chegar com a
péssima notícia.
— Preparar para partir! — Samantha deu o comando, alertando o pequeno grupo que
deveríamos sair em disparada ao término de sua contagem regressiva.
— Eu não vou deixá-los — comuniquei determinada.
— Ah, vai sim! Depois desse trabalho para te buscar? Nem que eu tenha que arrastá-la
pelos cabelos — Samantha partiu para cima de mim. Enfrentei-a com inesperada força. Sentime
uma rocha, firme e intransponível. Não havia espaço para medo dentro dessa nova Nina.
— Parem com isso! — John se colocou entre nós. — O tempo será suficiente! Graças a
Tyron a subida deles está sendo rápida — soltou, olhando desconfiado de mim para a loura.
— Samantha, use os cavalos que nos tracionaram! Amarrem-nos aos outros animais! — A
ordem de John foi estratégica. Era sensato nos manter afastadas enquanto esfriávamos os
ânimos.
Ela saiu de vista e eu me aproximei da borda da grande abertura que eles haviam criado.
Ao lado de John, fiquei observando as duas cordas subirem e me dei conta de que elas
traziam os três grandes amores da minha vida. Agora estava claro dentro de mim: eu também
amava Shakur!
Uma inquietação vibrou em meu espírito. Agoniado, ele parecia querer chamar a minha
atenção, alertar-me de algo. Com os nervos à flor da pele e o coração pulsando na boca, vi
aliviada Richard alcançar a base onde estávamos e deixar o corpo cair, com a respiração
difícil e os olhos fechados. Em meio ao horror que acabávamos de passar, só agora notava
que o coitado tinha as mãos e os ombros tingidos de sangue. Entretanto, por mais que me
preocupasse com ele, havia uma inquietação crescendo furiosamente dentro de mim. Aquele
alerta em forma de taquicardia não era bem-vindo. Mais rápido. Mais rápido. Mais rápido!
Naquele instante, daria tudo para trocar de lugar com eles. A agonia pela espera ruía com o
que restara de intacto nos meus nervos.
— Força! — John ordenou. A expressão em seu rosto mudara do entusiasmado para o
apreensivo.
Como em um filme de terror, Von de Hess ressurgia ainda mais alvo e traiçoeiro do que
antes, plainando no ar como uma assombração. Jurei ter visto, para depois desaparecer,
pequenos pontos pretos flutuarem sobre suas mãos brancas e ossudas. Ah, não!
— Ele vai usar os escaravelhos! — alertei num sussurro afônico.
— Ele não pode — rebateu John ao meu lado. — Se for pego usando tais criaturas será
banido para o Vértice!
— Mas ele usou! Há centenas deles! Eu vi!
John perdeu a cor.
— Droga! Vamos sair daqui, Nina — ele me puxava com os olhos arregalados.
— Nunca! — explodi sem arredar o pé.
— Se não partirmos agora seremos pegos, John! — Samantha gritava nervosa. — Os
homens de Leônidas estão próximos!
— Eu não vou sem eles! — guinchei e olhei bem dentro de seus olhos cor de mel. John
tinha a testa lotada de vincos. Os soldados aguardavam apenas uma ordem sua para dar o
toque de partir.
— Poupe o seu grupo — determinou Richard, aproximando-se de mim e de John. —
Deixe dois cavalos. Nós os alcançaremos.
— Vamos esperar mais um pouco — John retrucou, tenso.
Outros berros resgataram nossa atenção para o que acontecia na fenda abaixo de nós.
A felicidade em ver que Shakur e mamãe conseguiriam se aproximar a tempo foi rapidamente
varrida do meu peito. Nos instantes finais da sua subida, Von der Hess soltou a bomba que
faria meu mundo tornar a ruir e tudo ao redor perder a importância.
— Quando vai aprender a desistir? — bradou com sarcasmo o bruxo malévolo. — A
humana nunca será sua!
Shakur não respondeu e vi quando a abraçou ainda mais.
— Tolo! Por que continua a se iludir? Você não é humano e ela não é uma zirquiniana!
— Cale-se! — bramiu o líder de negro.
— Você sempre soube que ela estava viva por causa da minha energia! A força proibida
que apenas eu domino! — Von der Hess não dava trégua. — Quantas maravilhas teríamos
acesso... Quantos mistérios seriam desvendados se os idiotas do Grande Conselho não a
tivessem me impedido de usar!
— Quantas tragédias teriam acontecido se deixássemos você utilizar essa energia
abominável — desdenhou Shakur e o mago estreitou os olhos.
— Humm... Pensa que ganhou esse confronto? Tragédia é o que acontecerá para você
em breve, meu caro. — Riu de maneira artificial. — Assim que sair da cobertura da minha
“energia abominável”, sua humana definhará e morrerá em questão de horas!
Minha mãe morreria em questão de horas...
— NÃO!!! — O berro de dor de Shakur foi único porque o meu ficou aprisionado, perdido
em algum lugar entre minha dor e desesperança.
Oração do dia 22 Palavras para afastar sugestionamentos negativos.
Oração do dia 22
Palavras para afastar sugestionamentos negativos.
Já não sinto imperfeição alguma em minha Vida. Neste momento, compreendi que existe somente aquilo que eu reconheço. Já não temo desgraça nem enfraquecimento da força vital; não atribuo aos males poder que originalmente não possuem. Não vejo o mal nem infortúnios; não ouço nem digo palavras que expressem o mal ou infortúnios. Ninguém consegue toldar a minha mente falando de iniqüidade e imperfeições, pois me recuso a ouvi-las. Não sou influenciado por idéias ou sugestões negativas, pessimistas, pois estou acima delas. Já transcendi toda espécie de fraqueza e mesquinharia. Minha mente agora é totalmente positiva. Sinto-me cheio de determinação, coragem e fé inabalável em Deus, no ser humano e em mim mesmo. Executo minhas tarefas com dignidade e autoridade. Digo com firmeza as palavras que devo dizer. Sou forte, repleto de energia, autoconfiante e calmo. Estou sob a proteção da Vida Infinita, do Amor Infinito e da Sabedoria Infinita de Deus. Por isso, tenho plena autoconfiança e jamais vacilo. É-me dado todo o poder do céu e da terra. Agradeço a Deus-Pai.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
29 - Eliminando o Ódio: Expurgando o veneno - YOD YOD RESH
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REFLEXÂO:
Toda forma de destruição, incluindo os desastres naturais, ocorre por um único motivo: o ódio da humanidade em relação a nossos semelhantes.
A Cabala ensina que furacões, enchentes, terremotos e doenças são gerados pelo ódio coletivo que arde em nossos corações.
Na verdade, não existe desastre natural, apesar do que está escrito em nossas apólices de seguro.
O comportamento e o coração humanos são os únicos fatores determinantes do que ocorre em nosso meio ambiente e entre as nações.
Aqui está o que os antigos cabalistas têm a dizer sobre este assunto-. Se uma pessoa testemunha qualquer forma de ódio - em sua própria rua ou em qualquer lugar do mundo -, isto significa que, em alguma medida, esta pessoa ainda tem ódio em sua própria alma.
Se nutrimos o mais diminuto ódio ou animosidade por outra pessoa - por qualquer motivo que seja, válido ou inválido, quer estejamos conscientes disto ou quer neguemos o fato para nós mesmos -trazemos destruição para o mundo.
Limpando o ódio de nossos corações, podemos remediar de imediato todos os problemas do mundo, eliminando sua causa.
AÇÂO:
Seja dolorosamente honesto!
Reconheça todas as pessoas de quem você sente raiva, inveja a quem você deseja o mal ou por quem sente total aversão, ou uma combinação desses sentimentos.
Com a Luz deste Nome, jogue fora todos os sentimentos negativos com uma trouxa de roupa molhada.
MEDITE NESTAS LETRAS E VOCALIZE: Reeí
AÇÃO: Sempre que você se sentir reativo, experimente respirar
profundamente três vezes e trazer a mente um momento
significativo de sua vida, algo que tenha lhe emocionado.
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Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
DESDE O PRINCÍPIO, O SER HUMANO VIVE ENVOLTO PELA PAZ DE DEUS.
Desde o princípio vivemos no mundo pacífico de Deus. É como se à nossa volta resplandecessem os claros raios do Sol. Mas, mesmo vivendo no mundo da Luz, se estivermos com os olhos cerrados, não enxergaremos a luz que brilha em torno de nós. A chave para solucionar o problema está em abrir a “janela da mente”.
54 - minutos de sabedoria
Cada um recebe de acordo com o que dá. Se você der ódios e indiferença, há de recebê-los de volta. Mas se der atenção e carinho, há de verse cercado de afeto e amor.Ninguém se, aproxima do espinheiro, por causa dos espinhos, nem do lodo, porque suja.
Mas todos apreciam permanecer perto das flores, que espalham beleza e perfume.Cada um recebe de acordo com o que dá.
21º Dia do Mês
21º Dia do Mês
1. No dia 21 do mês concentrar intensamente em sequências numéricas em ordem
descendente, por exemplo: 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10. Os números usados para esta
sequência deve estar no intervalo entre 1 e 31 (o número máximo de dias no mês). Isto
lhe dá 31 números para trabalhar. Confiar completamente seu sentimento interior para a
seleção dos números para a sequência.
2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 8153517
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 589148542
3. Olhe como um córrego da montanha desce a montanha. Olhe como a neve derrete.
Depois de ter visto isso com os olhos, olhe para as imagens com a sua visão interior. Você
vai notar que suas imagens interiores não são diferentes do que as produzidas pelos seus
olhos. Você vai ver que sua consciência não é diferente de seu corpo, você vai ver
como sua alma constrói seu corpo. Não se esqueça dessa percepção. Transfira-a de um
segundo para o outro, comunique aos outros, fora do momento criar a eternidade. Você
vai tornar-se tão eterno que, sem tentar, parece que você viveu antes.
Este é processo eterno da criação, esta é a vida eterna. Construa outros objetos em
torno de si de acordo com o mesmo princípio. Construa mundos. Crie alegria, semeie a
semente e assim faça o pão. Deixe que haja ferramentas e máquinas, mas máquinas
inofensivas e não destrutiva e você verá que você vive neste mundo e que as máquinas
são dadas a você como expressão do seu criador e sua consciência. Parem as
máquinas quando eles ameaçam você.
Restaure o corpo quando ele estiver doente. Manifeste a ressurreição, quando alguém
em casa morrer. Não permitir a morte de alguém. Você é o Criador. Você é o
Manifestador – vá, crie e avance em harmonia com o mundo. Se mova em harmonia
com toda a criação; em harmonia com o quê você, em algum momento da eternidade,
criou e em harmonia com você mesmo.
1. No dia 21 do mês concentrar intensamente em sequências numéricas em ordem
descendente, por exemplo: 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10. Os números usados para esta
sequência deve estar no intervalo entre 1 e 31 (o número máximo de dias no mês). Isto
lhe dá 31 números para trabalhar. Confiar completamente seu sentimento interior para a
seleção dos números para a sequência.
2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 8153517
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 589148542
3. Olhe como um córrego da montanha desce a montanha. Olhe como a neve derrete.
Depois de ter visto isso com os olhos, olhe para as imagens com a sua visão interior. Você
vai notar que suas imagens interiores não são diferentes do que as produzidas pelos seus
olhos. Você vai ver que sua consciência não é diferente de seu corpo, você vai ver
como sua alma constrói seu corpo. Não se esqueça dessa percepção. Transfira-a de um
segundo para o outro, comunique aos outros, fora do momento criar a eternidade. Você
vai tornar-se tão eterno que, sem tentar, parece que você viveu antes.
Este é processo eterno da criação, esta é a vida eterna. Construa outros objetos em
torno de si de acordo com o mesmo princípio. Construa mundos. Crie alegria, semeie a
semente e assim faça o pão. Deixe que haja ferramentas e máquinas, mas máquinas
inofensivas e não destrutiva e você verá que você vive neste mundo e que as máquinas
são dadas a você como expressão do seu criador e sua consciência. Parem as
máquinas quando eles ameaçam você.
Restaure o corpo quando ele estiver doente. Manifeste a ressurreição, quando alguém
em casa morrer. Não permitir a morte de alguém. Você é o Criador. Você é o
Manifestador – vá, crie e avance em harmonia com o mundo. Se mova em harmonia
com toda a criação; em harmonia com o quê você, em algum momento da eternidade,
criou e em harmonia com você mesmo.
CAPÍTULO 22 - Não Fuja
CAPÍTULO 22
Concentrado e carregando mamãe em seus braços, Shakur caminhava à frente do
pequeno grupo, eu vinha no meio e Richard dava-nos cobertura, posicionando-se logo atrás.
Começamos a subida dos desnivelados degraus ao lado do abismo de forma atenta e
cadenciada. Não seria necessário um exército para nos eliminar. Qualquer descuido ali seria
fatal. Por sinal essa ideia começou a crescer em minha mente à medida que avançávamos.
Caso tudo desse errado, se eu os perdesse, mergulhar para sempre naquele precipício surgia
como uma alternativa inesperadamente interessante... E viável.
— Como você vai lutar sem uma espada, Rick? — inquiri preocupada à medida que
chegávamos ao ponto mais alto do lugar. Só então havia me dado conta de que eles não
tinham armas.
— Quem disse que vou lutar sem uma espada? — Pude escutar sua risadinha logo atrás
de mim.
Que ótimo! Seu convencimento estava de volta!
— Ah! Pelo visto o maldito escaravelho afetou seu juízo também.
— Está preocupada comigo, Tesouro?
— Você é um inconsequente, isso sim! — retruquei e ele riu ainda mais, mas me segurou
pela cintura e me puxou para junto de si antes que eu desse o passo seguinte. Quando me
virei, Richard estava sério e me encarava com vontade. Um misto de desejo e carinho se
mesclavam no azul-turquesa derretido de seus olhos.
— Não poderia partir sem ver seu rostinho bravo uma última vez. Não tem ideia de como
fica linda quando se zanga comigo. Acho até que isso me faz implicar mais do que deveria com
você, minha pequena.
Meu coração deu um pulo no peito. “Minha pequena”?
Olhei rapidamente por cima do ombro e vi o corpo de Shakur enrijecer. Ele nos
observava de soslaio. Era essa a forma como ele carinhosamente chamava mamãe.
— Nós não vamos morrer — assegurei hesitante.
— Nós vamos partir sim, mas algo me diz que não será hoje.
— Como lutará sem espada? — insisti.
— Terei que ter mais cuidado com os primeiros soldados — explicou. — Precisarei
eliminá-los e pegar suas armas sem me colocar em risco. A partir daí será fácil acabar com os
demais, até porque, além de eu estar em posição superior, esses degraus estreitos foram de
grande ajuda. Lutarei, no máximo, contra dois de cada vez. Isso é moleza — piscou
convencido, mas então seu rosto se fechou, sombrio. — Não é isso o que me preocupa, Nina.
Ele não precisaria dizer. Conhecia sua força em batalha, mas não havia armas que o
livrassem dos malditos Escaravelhos de Hao.
— Então não temos saída, Rick. A escada acaba aqui e não temos para onde ir —
sentenciei.
— Tyron vai iluminá-lo — sussurrou e olhou para alguns degraus acima, onde Shakur e
Stela estavam. O líder de negro havia colocado o corpo desacordado de mamãe de encontro
ao paredão rochoso, posicionando-se à sua frente enquanto estendia os braços no ar em
diversas posições. Ele parecia estudar o vento e as pequenas faixas de luz no distante teto
negro acima de nós.
— Você confia cegamente nele, não?
— Shakur é excepcional em seus estratagemas. Nunca errou, mas... — O orgulho na
resposta de Rick vinha impregnado de preocupação.
— Mas?
— Ele está diferente. Tudo isso acontecendo... — ponderou. — Pode prejudicar suas
decisões.
— Você escutou a nossa conversa?
— Principalmente a parte final. Achei que havia pirado de vez — confessou. — Agora
tudo faz sentindo, mas...
— Não é nada educado sair sem se despedir de seu anfitrião!
Fomos interrompidos por uma voz ácida e afeminada: Von der Hess! Ele surgia na
entrada do calabouço, em uma posição bem abaixo de onde estávamos. Um grupo de dez
soldados fortemente armados lhe dava cobertura. Eles tinham a pele muito branca,
provavelmente por viverem longe dos raios solares naquele mundo subterrâneo. Curiosamente
todos eles eram loiros e bonitos, assim como Kevin. Estremeci ao me recordar o quanto
aquele crápula era semelhante ao mago. Seriam os homens de Von der Hess tão traiçoeiros
quanto o mago?
O médium cochichou algo entre eles e, em seguida, os soldados partiram para cima de
nós, subindo os degraus em fileira, um atrás do outro.
— Fique atrás de mim, Nina! — Richard colocou-se rapidamente à minha frente e, num
piscar de olhos já tinha as pupilas verticais, as mãos fechadas em punho e seus músculos
pareciam ter triplicado de tamanho.
— Pegue os capacetes deles, Rick! — ordenou Shakur com a voz baixa a alguns degraus
acima de mim.
— Capacetes?! — Richard olhou para trás, certificando-se de que havia compreendido
corretamente a ordem.
— Pegue-os e os jogue para mim! — repetiu o líder.
Cristo Deus! Do que nos adiantariam capacetes? E como se isso fosse fácil em meio a
uma luta com um precipício abaixo de nós!
— Ok! — Foi a resposta determinada de Richard, aguardando no nível superior o ataque
do primeiro adversário que avançava sobre ele. O rapaz abandonou o escudo para poder se
apoiar na parede de pedra com a mão esquerda enquanto segurava a espada com a direita.
Atrás dele, outro soldado havia feito o oposto, dispensando a espada e segurando o escudo à
frente do parceiro para lhe dar cobertura. Qualquer passo em falso e os três cairiam nos
braços escancarados do imenso precipício. Até ganhar ritmo, a luta começou de forma lenta,
com os três estudando os passos, cientes do terrível perigo à espreita, a garganta aberta,
pronta para engoli-los a qualquer instante. Ainda assim a destreza e a velocidade dos
movimentos de Rick me impressionavam. Ele conseguia escapar com facilidade dos golpes do
adversário. Aproveitando-se do fato de que o segundo soldado não tinha uma arma em mãos,
em uma investida impensável Rick avançou sobre o primeiro, segurando o braço armado do
inimigo em uma luta corpo a corpo. O homem resistiu ao ataque e sua espada fez letais
movimentos a esmo no ar. Gelei quando Rick arriscou a vida ficando de costas para o abismo,
com uma das mãos imobilizando o braço que tinha a espada enquanto a outra segurava com
força o corpo do adversário. Se o homem se desequilibrasse, os dois cairiam. Em uma luta
corpo a corpo, Richard fez o adversário girar no próprio eixo e, perigosamente assumindo uma
posição entre os dois inimigos, utilizou-se da força oponente a seu favor. Num movimento
rápido e inesperado, deixou de fazer força e jogou o corpo para o lado. Na ausência de
resistência, o soldado voou para a frente e, para seu infortúnio, acabou acertando o ombro do
próprio companheiro, que se contorceu, urrando de dor. Sem perder tempo, Richard deu um
golpe nas pernas do inimigo armado que perdeu o equilíbrio e despencou, fazendo seu
derradeiro berro ecoar morbidamente em direção ao precipício. Rick tentou pegar a espada
que serpenteou no ar, mas deixou a ideia de lado quando uma flecha passou a centímetros de
deu crânio.
— Nina, abaixe-se! — berrou.
— Estou bem — assegurei e, com semblante aliviado, ele deu um voo rasante sobre o
outro sujeito ferido, arrancando abruptamente seu capacete e lhe desferindo uma sequência de
socos violentos. Richard ainda conseguiu sacar o escudo do adversário antes que ele
tombasse desacordado e fosse chutado para o abismo pelos próprios companheiros. Apesar
de Richard conseguir eliminar os adversários, o abismo a poucos centímetros de distância
tornava as lutas rápidas e desajeitadas. Sem contar que o fato de ele não ter conseguido
obter uma espada até então começava a me preocupar.
— Aqui, Nina! — Rick aproveitou o momento para jogar o escudo em minha direção.
Apesar de mais pesado do que poderia imaginar, segurei-o com força e me senti melhor por
ter algo com que me proteger. — Shakur! — Em meio à confusão, Richard lançou o capacete
para o líder de negro que o agarrou no ar. Sem perder tempo, o líder rodopiou o braço,
tomando impulso, e o lançou com força para o alto. O objeto voou em meio aos olhares
atordoados, em especial, o de Von der Hess. Um baque surdo seguido de um ruído forte
vibrou pelo lugar e um discreto filete de luz rasgou a penumbra onipresente. O capacete havia
atravessado o teto falso fazendo um buraco nele, mas, pela forma como Shakur socou o ar,
praguejando alto e deixando evidente sua frustração, ficava claro que o resultado foi aquém
das suas expectativas. Rick xingou ao perceber que o plano do seu líder tinha ido por água
abaixo. Von der Hess respirou aliviado e uma pitada de cor retornara ao seu rosto ainda mais
pálido que o usual.
— Joguem seus capacetes no cânion! — ordenou o bruxo ao grupamento. Ele havia
compreendido o plano de Shakur, mas eu não. De que adiantaria o líder de Thron fazer uma
abertura maior no teto falso de Marmon se não possuíamos corda ou alguém que pudesse
nos puxar? Mas, por outro lado, Von der Hess não teria ordenado seus homens a se livrarem
dos capacetes se não tivesse ficado preocupado com aquela tentativa...
— Não faça besteira, Ismael! — advertiu o bruxo de branco pedindo aos seus soldados
que recuassem por um momento.
— Esqueceu-se de que sou mestre nesse quesito? — Foi a resposta atrevida de Shakur.
— Por que arriscar a vida dos quatro? — Von der Hess gesticulava exageradamente.
Sua voz conseguia ser ainda mais falsa do que me recordava.
— Quantas eu poderia poupar se escutasse seus sábios conselhos?
— Boa pergunta. Deixe-me ver... — O bruxo batia os dedos nos lábios sem cor. — Três.
— Três?! Que bondade a sua! — O líder de negro liberou uma risada sarcástica, para
então rebater de forma afiada: — Por quanto tempo? Poucos dias? Ou seriam apenas
segundos?
— Como você se prende a detalhes, Ismael! — Von der Hess disfarçou o sorriso ofídico.
— Vejo que mudou muito pouco nesses anos de desaparecimento, querido amigo.
— Você nunca teve amigos.
— É verdade. — O mago de Marmon ruminava as palavras, pensativo. — Você sabe que
sempre dei valor ao tempo. Amigos gastam muito dos nossos preciosos minutos.
— Avalie bem a sua estratégia, Hess, porque estamos dispostos a morrer os quatro.
Perderá tudo.
O bruxo enrijeceu com aquela afirmação inesperada e seu maxilar trepidou. Ele tentou
esconder seu nervosismo em ascensão, ocultando parte do rosto com a manta branca.
— O que quer negociar? — questionou Von der Hess por fim, o tom rouco surpreendendo
a todos. Seria aquela a sua voz verdadeira?
— Retire a cobertura.
— Passe-me a híbrida primeiro.
— Negativo — Shakur gargalhou alto, mas levou as mãos à máscara e iniciou seu
cacoete de nervosismo. A situação era ruim. — Achou que eu abriria mão da híbrida? Ela é a
única garantia de que sairei vivo daqui.
— Pensei que tivesse apreço pela humana e pelo seu resgatador, Ismael.
Shakur permanecia com um sorriso de descaso frente à sutil ameaça e tornou a balançar
a cabeça, como se estivesse decepcionado com a atitude de Von der Hess.
— Você me conhece muito bem para saber que não gasto palavras à toa. Eu já disse: ou
sobreviveremos os quatro ou morreremos todos.
— Idiota! — esbravejou o mago de Marmon e, tornando a olhar para seus homens,
comandou com ira mortal: — Peguem a híbrida e matem os demais!
Em fila de subida nos degraus desnivelados, os soldados retornaram ao ataque com
força total. Trocando de posições, eles faziam investidas velozes, lançando e puxando suas
espadas rapidamente de volta, impossibilitando Rick de agarrar uma delas em meio aos
ataques. Richard, por sua vez, defendia-se, mas suas ações pareciam travadas e eu
imaginava o motivo: Por que lutar se o plano do seu líder havia ido por água abaixo? De que
adiantaria manter a disposição se suas chances de fuga foram aniquiladas?
Segurei a angústia que começava a crescer dentro de mim e, sem me dar conta do que
procurava, olhei para cima e acabei vendo o que não deveria: Shakur estava ajoelhado,
cabisbaixo, em frente ao corpo inerte de mamãe e, com o olhar sombrio, acariciava seu rosto
com ternura incomparável. O aperto no meu peito começou a me queimar de dentro para fora.
Meu corpo se arrepiou e, agoniado, pareceu querer expulsar meu espírito.
Não podia ser... Aquilo era uma despedida?
Minha cabeça girava, perdida em meio ao caos da situação. A parte final de um filme
sendo exibida em fragmentos impregnados de entrega e tristeza: Rick em sua luta perdida,
mamãe em péssimo estado, Shakur desolado, o abismo. Perdi o ar, catatônica. Uma
sensação ruim, como um sentimento de perda e desesperança, estremeceu minhas certezas,
abalou minha fé e me fez cair, prostrada no chão.
Um som abafado, ritmado como as batidas de um coração, começou reverberar de
repente em meus tímpanos. O ruído ganhou intensidade, ficando dolorosamente estridente.
Larguei o escudo e, desorientada, levei as mãos aos ouvidos, procurando me proteger daquele
mal-estar inesperado. Sem que desse por mim, eu estava toda encolhida e, tremendo, tinha a
cabeça entre os joelhos. O mundo perdeu a cor e me vi num gélido mar de escuridão.
— Nina?! O que está havendo? Nina, fale comigo! — escutei os berros abafados de
Richard ao longe, como se ele estivesse a quilômetros de distância. Algo agradável e
repentino anulou os efeitos do desamparo que me consumia e me atraiu em outra direção.
Levantei-me e, muito lentamente, dei os primeiros passos de encontro àquela sensação
arrebatadora que me invadia sem cerimônia. Havia um magnetismo no ar, uma energia
pulsante que ardia em meu sangue e bombeava meu coração de uma forma diferente. Uma
voz melodiosa, etérea, ganhou espaço em minha mente. Ela entoava um cântico suave, quase
uma canção de ninar, e embalava minhas pernas. Uma emoção inigualável me preencheu, um
sentimento de felicidade extrema se espalhava por minha pele, e uma palavra vibrou, única e
poderosa, em minha mente: Filha.
— Nina! — Mais berros abafados ao fundo. — Segure-a, Shakur!
— Filha. — A voz angelical me chamava, nítida e gentil.
— Não consigo! Há uma força agindo nela! Eu não entendo... Por Tyron! — Escutei o
bramido tenso do líder de Thron ficando para trás também. Pouco importava agora.
— Ninaaaaa!
Algo em mim quis responder aos berros desesperados de Rick, mas então um convite
inusitado arrancou minha atenção:
— Venha para casa, filha — pedia carinhosamente a voz suave em minha mente.
“Casa”? Voltar para casa...
— Nina, por favor, não perca a sua fé! O que quer que seja, essa força se alimenta
disso! — Shakur implorava ao longe.
— Senti tanto a sua falta — confessou a voz gentil.
Sentiu falta de mim...
— Nina, não! — Novo grito de pavor ao longe. Agora ele arranhava um choro de dor e
aflição. Sons de metais se chocando com fúria reverberavam em minha cabeça. — Pelo amor
de Tyron! Não a deixe cair, Shakur!
— Nina, sua mãe a ama! — bradou Shakur. Aquela mensagem gerou um novo circuito de
sensações em minhas artérias. Quis reabrir os olhos, mas não consegui. A canção de ninar
ficou ainda mais alta.
— Venha, filha. Venha para onde sempre foi o seu lugar.
Meu lugar...
— Não, Pequenina! Não faça isso. Não dê ouvidos ao demônio. E-eu... — a voz grave do
líder saía rouca. — Eu sempre te amei.
Pequenina? Apenas uma pessoa me chamava daquela maneira e ela... Ela me amava!
Nova avalanche de sensações. Meu corpo reagiu àquela informação com um estremecer
furioso e um estrondo alto, como o de um trovão, estourou em meus ouvidos, destruindo a
bolha que me envolvia e aniquilando a voz gentil. Meu corpo ficou em brasas, reagindo contra a
força que me puxava para baixo. Por alguma razão, eu sabia que ainda não era a hora de me
encontrar com a voz suave que me chamava. Não ainda.
— Oh! — Tentei pisar firme, mas meus pés não encontraram o chão e eu caí,
mergulhando com força no precipício. Joguei os braços no ar, nadando no nada.
— Nãoooooo! — O grito de pavor de Richard ricocheteou em todas as paredes daquele
lugar sombrio.
— Argh! — Shakur arfou alto. Senti um solavanco brusco, algo trombar em mim, agarrar
meu braço de qualquer jeito e, em seguida, meu corpo bater contra uma superfície dura e
áspera.
Desorientada, reabri os olhos e quase desmaiei com o que vi: eu estava pendurada no
precipício! Segura apenas por uma das mãos de Shakur, minhas pernas pedalavam
desajeitadamente no ar procurando alguma saliência na qual pudessem se apoiar. O líder de
negro também estava pendurado e sua outra mão era a responsável por segurar o peso de
nós dois juntos! O abismo negro crescia à medida que as forças de Shakur cediam,
escorregando cânion abaixo sob a ação do meu peso. Apesar de ser incrivelmente forte, o
coitado fazia esforço sobre-humano para conseguir suportar os nossos corpos
simultaneamente.
O que havia acabado de acontecer? Eu havia caído? Ele havia se jogado para me
salvar?
— Está tudo bem, Pequenina — ele tentou me acalmar, mas tinha a respiração
acelerada. — Eu nunca irei te soltar. Nunca — ele olhou para mim, a hemiface sã também
enrugada pela força colossal que realizava.
Nunca.
Aquela resposta...
Um feixe de luz, da pequena fenda que ele fez no teto do lugar, incidiu sobre nossos
rostos e iluminou meu espírito. A certeza contida dentro do lampejo de um sorriso triste que lhe
escapava: ele nunca me abandonaria! Shakur estava abrindo mão da própria vida para ficar
junto de mim. Não haveria no mundo prova de sentimento maior que aquela. Ele realmente me
amava!
Engasguei de emoção. Nem mesmo o medo do que poderia acontecer nos segundos
seguintes conseguiu sobrepujar a felicidade em seu estado mais puro, a compreensão em
forma de lágrimas que acabava de fechar a minha garganta, deixando-me sem voz.
— Meus homens podem ajudar! — bradou Von der Hess verdadeiramente solícito, vindo
logo atrás de seu grupamento. Todos nós sabíamos que ele estava apavorado com a
possibilidade de me perder.
— Não os deixem se aproximar de nós, Rick! — Shakur comandou, mas suas forças
começavam a falhar. — Argh!
— Porra! Você não vai conseguir aguentar por muito tempo! — esbravejou Richard. Sem
a mim para proteger, ele lutava como um louco suicida e, com várias feridas nos braços e
mãos, já havia conseguido pegar uma espada para si. Com a arma em punho, Rick fazia seu
estrago, eliminando os inimigos com velocidade absurda, mas novos soldados surgiam do
nada, consumindo seu tempo e impedindo que ele pudesse parar para nos ajudar. Ele sabia
também que seria alvejado caso lhes desse as costas. Von der Hess queria apenas a mim,
todos os demais eram descartáveis.
A respiração de Shakur assumira níveis perigosos, meus braços tremiam pelo esforço e
Rick travava sua luta inglória quando fomos surpreendidos por algo ainda mais inusitado: dois
soldados fugiram do confronto direto e, presos por cordas, escalavam as paredes das
margens internas do cânion e vinham em minha direção.
— Shakur! — apontei para o horror em andamento e o escutei praguejar alto.
Richard não teria como se abaixar para tentar impedir o ataque daqueles dois sem ser
alvejado. A distância diminuía e, em questão de segundos, aqueles sujeitos me alcançariam.
Minhas forças chegavam ao fim. O momento derradeiro estava próximo. Fechei os olhos e
respirei fundo. E se eu simplesmente me soltasse? Pouparia ao menos a vida de Shakur? Eu
sabia que não. Sabia que no instante em que meus dedos se abrissem os soldados do mago
não apenas matariam o rei de Thron, como dariam um fim imediato a Richard e à minha mãe.
— Pequenina! — Shakur pressentiu o perigo iminente. Eu não aguentaria muito tempo
mais.
— Mamãe, Rick... — pedi sem forças. — S-Sem dor... Peça a ele.
Shakur fez um imperceptível movimento de cabeça. Ele havia compreendido.
— Acabou. Recuar, Richard — soltou o líder de negro com a voz rouca para seu bravo
resgatador. — Rápido! Leve a humana consigo.
Richard contraiu as sobrancelhas fortemente, mas, para a minha surpresa, não xingou ou
contestou. Ele era um soldado e, mesmo acostumado às vitórias, reconhecia o momento de
recuar e experimentava, pela primeira vez, o gosto amargo da derrota.
— Pois partiremos juntos! Os quatro! — bradou meu amado em alto e bom som.
Então tudo aconteceu ao mesmo tempo: Rick girou nos calcanhares e voou em direção a
minha mãe, Von der Hess vociferou algo em estado de desespero, seus homens correndo em
direção a Richard, os soldados na parede interna do precipício agarrando a minha perna, eu
os chutando com o meu restante de forças, Shakur bradando alto e avisando a Rick que não
suportaria mais, novos urros de dor e, de repente...
Novo estrondo altíssimo, como de uma explosão, seguido de uma rajada de vento
quente. Um clarão ofuscante lavou a penumbra do local sombrio. O teto tinha sido varrido num
piscar de olhos e os raios solares mergulhavam sobre nossas cabeças! Em meio à cegueira
momentânea, uma nova comoção reverberou no lugar, alarmes apavorados e ordens berradas
às pressas aconteciam ao mesmo tempo em que um ataque ininterrupto de flechas passava
rasgando por nossas cabeças, alvejando nossos inimigos sem piedade. Desorientado, Von der
Hess lançava ordens atrás de ordens, mas seus homens recuavam. Perdi a respiração e todos
os meus músculos reagiram ao escutar uma voz que faria o meu coração trepidar em absoluto
júbilo.
— Ninaaaa!
Era John!
Concentrado e carregando mamãe em seus braços, Shakur caminhava à frente do
pequeno grupo, eu vinha no meio e Richard dava-nos cobertura, posicionando-se logo atrás.
Começamos a subida dos desnivelados degraus ao lado do abismo de forma atenta e
cadenciada. Não seria necessário um exército para nos eliminar. Qualquer descuido ali seria
fatal. Por sinal essa ideia começou a crescer em minha mente à medida que avançávamos.
Caso tudo desse errado, se eu os perdesse, mergulhar para sempre naquele precipício surgia
como uma alternativa inesperadamente interessante... E viável.
— Como você vai lutar sem uma espada, Rick? — inquiri preocupada à medida que
chegávamos ao ponto mais alto do lugar. Só então havia me dado conta de que eles não
tinham armas.
— Quem disse que vou lutar sem uma espada? — Pude escutar sua risadinha logo atrás
de mim.
Que ótimo! Seu convencimento estava de volta!
— Ah! Pelo visto o maldito escaravelho afetou seu juízo também.
— Está preocupada comigo, Tesouro?
— Você é um inconsequente, isso sim! — retruquei e ele riu ainda mais, mas me segurou
pela cintura e me puxou para junto de si antes que eu desse o passo seguinte. Quando me
virei, Richard estava sério e me encarava com vontade. Um misto de desejo e carinho se
mesclavam no azul-turquesa derretido de seus olhos.
— Não poderia partir sem ver seu rostinho bravo uma última vez. Não tem ideia de como
fica linda quando se zanga comigo. Acho até que isso me faz implicar mais do que deveria com
você, minha pequena.
Meu coração deu um pulo no peito. “Minha pequena”?
Olhei rapidamente por cima do ombro e vi o corpo de Shakur enrijecer. Ele nos
observava de soslaio. Era essa a forma como ele carinhosamente chamava mamãe.
— Nós não vamos morrer — assegurei hesitante.
— Nós vamos partir sim, mas algo me diz que não será hoje.
— Como lutará sem espada? — insisti.
— Terei que ter mais cuidado com os primeiros soldados — explicou. — Precisarei
eliminá-los e pegar suas armas sem me colocar em risco. A partir daí será fácil acabar com os
demais, até porque, além de eu estar em posição superior, esses degraus estreitos foram de
grande ajuda. Lutarei, no máximo, contra dois de cada vez. Isso é moleza — piscou
convencido, mas então seu rosto se fechou, sombrio. — Não é isso o que me preocupa, Nina.
Ele não precisaria dizer. Conhecia sua força em batalha, mas não havia armas que o
livrassem dos malditos Escaravelhos de Hao.
— Então não temos saída, Rick. A escada acaba aqui e não temos para onde ir —
sentenciei.
— Tyron vai iluminá-lo — sussurrou e olhou para alguns degraus acima, onde Shakur e
Stela estavam. O líder de negro havia colocado o corpo desacordado de mamãe de encontro
ao paredão rochoso, posicionando-se à sua frente enquanto estendia os braços no ar em
diversas posições. Ele parecia estudar o vento e as pequenas faixas de luz no distante teto
negro acima de nós.
— Você confia cegamente nele, não?
— Shakur é excepcional em seus estratagemas. Nunca errou, mas... — O orgulho na
resposta de Rick vinha impregnado de preocupação.
— Mas?
— Ele está diferente. Tudo isso acontecendo... — ponderou. — Pode prejudicar suas
decisões.
— Você escutou a nossa conversa?
— Principalmente a parte final. Achei que havia pirado de vez — confessou. — Agora
tudo faz sentindo, mas...
— Não é nada educado sair sem se despedir de seu anfitrião!
Fomos interrompidos por uma voz ácida e afeminada: Von der Hess! Ele surgia na
entrada do calabouço, em uma posição bem abaixo de onde estávamos. Um grupo de dez
soldados fortemente armados lhe dava cobertura. Eles tinham a pele muito branca,
provavelmente por viverem longe dos raios solares naquele mundo subterrâneo. Curiosamente
todos eles eram loiros e bonitos, assim como Kevin. Estremeci ao me recordar o quanto
aquele crápula era semelhante ao mago. Seriam os homens de Von der Hess tão traiçoeiros
quanto o mago?
O médium cochichou algo entre eles e, em seguida, os soldados partiram para cima de
nós, subindo os degraus em fileira, um atrás do outro.
— Fique atrás de mim, Nina! — Richard colocou-se rapidamente à minha frente e, num
piscar de olhos já tinha as pupilas verticais, as mãos fechadas em punho e seus músculos
pareciam ter triplicado de tamanho.
— Pegue os capacetes deles, Rick! — ordenou Shakur com a voz baixa a alguns degraus
acima de mim.
— Capacetes?! — Richard olhou para trás, certificando-se de que havia compreendido
corretamente a ordem.
— Pegue-os e os jogue para mim! — repetiu o líder.
Cristo Deus! Do que nos adiantariam capacetes? E como se isso fosse fácil em meio a
uma luta com um precipício abaixo de nós!
— Ok! — Foi a resposta determinada de Richard, aguardando no nível superior o ataque
do primeiro adversário que avançava sobre ele. O rapaz abandonou o escudo para poder se
apoiar na parede de pedra com a mão esquerda enquanto segurava a espada com a direita.
Atrás dele, outro soldado havia feito o oposto, dispensando a espada e segurando o escudo à
frente do parceiro para lhe dar cobertura. Qualquer passo em falso e os três cairiam nos
braços escancarados do imenso precipício. Até ganhar ritmo, a luta começou de forma lenta,
com os três estudando os passos, cientes do terrível perigo à espreita, a garganta aberta,
pronta para engoli-los a qualquer instante. Ainda assim a destreza e a velocidade dos
movimentos de Rick me impressionavam. Ele conseguia escapar com facilidade dos golpes do
adversário. Aproveitando-se do fato de que o segundo soldado não tinha uma arma em mãos,
em uma investida impensável Rick avançou sobre o primeiro, segurando o braço armado do
inimigo em uma luta corpo a corpo. O homem resistiu ao ataque e sua espada fez letais
movimentos a esmo no ar. Gelei quando Rick arriscou a vida ficando de costas para o abismo,
com uma das mãos imobilizando o braço que tinha a espada enquanto a outra segurava com
força o corpo do adversário. Se o homem se desequilibrasse, os dois cairiam. Em uma luta
corpo a corpo, Richard fez o adversário girar no próprio eixo e, perigosamente assumindo uma
posição entre os dois inimigos, utilizou-se da força oponente a seu favor. Num movimento
rápido e inesperado, deixou de fazer força e jogou o corpo para o lado. Na ausência de
resistência, o soldado voou para a frente e, para seu infortúnio, acabou acertando o ombro do
próprio companheiro, que se contorceu, urrando de dor. Sem perder tempo, Richard deu um
golpe nas pernas do inimigo armado que perdeu o equilíbrio e despencou, fazendo seu
derradeiro berro ecoar morbidamente em direção ao precipício. Rick tentou pegar a espada
que serpenteou no ar, mas deixou a ideia de lado quando uma flecha passou a centímetros de
deu crânio.
— Nina, abaixe-se! — berrou.
— Estou bem — assegurei e, com semblante aliviado, ele deu um voo rasante sobre o
outro sujeito ferido, arrancando abruptamente seu capacete e lhe desferindo uma sequência de
socos violentos. Richard ainda conseguiu sacar o escudo do adversário antes que ele
tombasse desacordado e fosse chutado para o abismo pelos próprios companheiros. Apesar
de Richard conseguir eliminar os adversários, o abismo a poucos centímetros de distância
tornava as lutas rápidas e desajeitadas. Sem contar que o fato de ele não ter conseguido
obter uma espada até então começava a me preocupar.
— Aqui, Nina! — Rick aproveitou o momento para jogar o escudo em minha direção.
Apesar de mais pesado do que poderia imaginar, segurei-o com força e me senti melhor por
ter algo com que me proteger. — Shakur! — Em meio à confusão, Richard lançou o capacete
para o líder de negro que o agarrou no ar. Sem perder tempo, o líder rodopiou o braço,
tomando impulso, e o lançou com força para o alto. O objeto voou em meio aos olhares
atordoados, em especial, o de Von der Hess. Um baque surdo seguido de um ruído forte
vibrou pelo lugar e um discreto filete de luz rasgou a penumbra onipresente. O capacete havia
atravessado o teto falso fazendo um buraco nele, mas, pela forma como Shakur socou o ar,
praguejando alto e deixando evidente sua frustração, ficava claro que o resultado foi aquém
das suas expectativas. Rick xingou ao perceber que o plano do seu líder tinha ido por água
abaixo. Von der Hess respirou aliviado e uma pitada de cor retornara ao seu rosto ainda mais
pálido que o usual.
— Joguem seus capacetes no cânion! — ordenou o bruxo ao grupamento. Ele havia
compreendido o plano de Shakur, mas eu não. De que adiantaria o líder de Thron fazer uma
abertura maior no teto falso de Marmon se não possuíamos corda ou alguém que pudesse
nos puxar? Mas, por outro lado, Von der Hess não teria ordenado seus homens a se livrarem
dos capacetes se não tivesse ficado preocupado com aquela tentativa...
— Não faça besteira, Ismael! — advertiu o bruxo de branco pedindo aos seus soldados
que recuassem por um momento.
— Esqueceu-se de que sou mestre nesse quesito? — Foi a resposta atrevida de Shakur.
— Por que arriscar a vida dos quatro? — Von der Hess gesticulava exageradamente.
Sua voz conseguia ser ainda mais falsa do que me recordava.
— Quantas eu poderia poupar se escutasse seus sábios conselhos?
— Boa pergunta. Deixe-me ver... — O bruxo batia os dedos nos lábios sem cor. — Três.
— Três?! Que bondade a sua! — O líder de negro liberou uma risada sarcástica, para
então rebater de forma afiada: — Por quanto tempo? Poucos dias? Ou seriam apenas
segundos?
— Como você se prende a detalhes, Ismael! — Von der Hess disfarçou o sorriso ofídico.
— Vejo que mudou muito pouco nesses anos de desaparecimento, querido amigo.
— Você nunca teve amigos.
— É verdade. — O mago de Marmon ruminava as palavras, pensativo. — Você sabe que
sempre dei valor ao tempo. Amigos gastam muito dos nossos preciosos minutos.
— Avalie bem a sua estratégia, Hess, porque estamos dispostos a morrer os quatro.
Perderá tudo.
O bruxo enrijeceu com aquela afirmação inesperada e seu maxilar trepidou. Ele tentou
esconder seu nervosismo em ascensão, ocultando parte do rosto com a manta branca.
— O que quer negociar? — questionou Von der Hess por fim, o tom rouco surpreendendo
a todos. Seria aquela a sua voz verdadeira?
— Retire a cobertura.
— Passe-me a híbrida primeiro.
— Negativo — Shakur gargalhou alto, mas levou as mãos à máscara e iniciou seu
cacoete de nervosismo. A situação era ruim. — Achou que eu abriria mão da híbrida? Ela é a
única garantia de que sairei vivo daqui.
— Pensei que tivesse apreço pela humana e pelo seu resgatador, Ismael.
Shakur permanecia com um sorriso de descaso frente à sutil ameaça e tornou a balançar
a cabeça, como se estivesse decepcionado com a atitude de Von der Hess.
— Você me conhece muito bem para saber que não gasto palavras à toa. Eu já disse: ou
sobreviveremos os quatro ou morreremos todos.
— Idiota! — esbravejou o mago de Marmon e, tornando a olhar para seus homens,
comandou com ira mortal: — Peguem a híbrida e matem os demais!
Em fila de subida nos degraus desnivelados, os soldados retornaram ao ataque com
força total. Trocando de posições, eles faziam investidas velozes, lançando e puxando suas
espadas rapidamente de volta, impossibilitando Rick de agarrar uma delas em meio aos
ataques. Richard, por sua vez, defendia-se, mas suas ações pareciam travadas e eu
imaginava o motivo: Por que lutar se o plano do seu líder havia ido por água abaixo? De que
adiantaria manter a disposição se suas chances de fuga foram aniquiladas?
Segurei a angústia que começava a crescer dentro de mim e, sem me dar conta do que
procurava, olhei para cima e acabei vendo o que não deveria: Shakur estava ajoelhado,
cabisbaixo, em frente ao corpo inerte de mamãe e, com o olhar sombrio, acariciava seu rosto
com ternura incomparável. O aperto no meu peito começou a me queimar de dentro para fora.
Meu corpo se arrepiou e, agoniado, pareceu querer expulsar meu espírito.
Não podia ser... Aquilo era uma despedida?
Minha cabeça girava, perdida em meio ao caos da situação. A parte final de um filme
sendo exibida em fragmentos impregnados de entrega e tristeza: Rick em sua luta perdida,
mamãe em péssimo estado, Shakur desolado, o abismo. Perdi o ar, catatônica. Uma
sensação ruim, como um sentimento de perda e desesperança, estremeceu minhas certezas,
abalou minha fé e me fez cair, prostrada no chão.
Um som abafado, ritmado como as batidas de um coração, começou reverberar de
repente em meus tímpanos. O ruído ganhou intensidade, ficando dolorosamente estridente.
Larguei o escudo e, desorientada, levei as mãos aos ouvidos, procurando me proteger daquele
mal-estar inesperado. Sem que desse por mim, eu estava toda encolhida e, tremendo, tinha a
cabeça entre os joelhos. O mundo perdeu a cor e me vi num gélido mar de escuridão.
— Nina?! O que está havendo? Nina, fale comigo! — escutei os berros abafados de
Richard ao longe, como se ele estivesse a quilômetros de distância. Algo agradável e
repentino anulou os efeitos do desamparo que me consumia e me atraiu em outra direção.
Levantei-me e, muito lentamente, dei os primeiros passos de encontro àquela sensação
arrebatadora que me invadia sem cerimônia. Havia um magnetismo no ar, uma energia
pulsante que ardia em meu sangue e bombeava meu coração de uma forma diferente. Uma
voz melodiosa, etérea, ganhou espaço em minha mente. Ela entoava um cântico suave, quase
uma canção de ninar, e embalava minhas pernas. Uma emoção inigualável me preencheu, um
sentimento de felicidade extrema se espalhava por minha pele, e uma palavra vibrou, única e
poderosa, em minha mente: Filha.
— Nina! — Mais berros abafados ao fundo. — Segure-a, Shakur!
— Filha. — A voz angelical me chamava, nítida e gentil.
— Não consigo! Há uma força agindo nela! Eu não entendo... Por Tyron! — Escutei o
bramido tenso do líder de Thron ficando para trás também. Pouco importava agora.
— Ninaaaaa!
Algo em mim quis responder aos berros desesperados de Rick, mas então um convite
inusitado arrancou minha atenção:
— Venha para casa, filha — pedia carinhosamente a voz suave em minha mente.
“Casa”? Voltar para casa...
— Nina, por favor, não perca a sua fé! O que quer que seja, essa força se alimenta
disso! — Shakur implorava ao longe.
— Senti tanto a sua falta — confessou a voz gentil.
Sentiu falta de mim...
— Nina, não! — Novo grito de pavor ao longe. Agora ele arranhava um choro de dor e
aflição. Sons de metais se chocando com fúria reverberavam em minha cabeça. — Pelo amor
de Tyron! Não a deixe cair, Shakur!
— Nina, sua mãe a ama! — bradou Shakur. Aquela mensagem gerou um novo circuito de
sensações em minhas artérias. Quis reabrir os olhos, mas não consegui. A canção de ninar
ficou ainda mais alta.
— Venha, filha. Venha para onde sempre foi o seu lugar.
Meu lugar...
— Não, Pequenina! Não faça isso. Não dê ouvidos ao demônio. E-eu... — a voz grave do
líder saía rouca. — Eu sempre te amei.
Pequenina? Apenas uma pessoa me chamava daquela maneira e ela... Ela me amava!
Nova avalanche de sensações. Meu corpo reagiu àquela informação com um estremecer
furioso e um estrondo alto, como o de um trovão, estourou em meus ouvidos, destruindo a
bolha que me envolvia e aniquilando a voz gentil. Meu corpo ficou em brasas, reagindo contra a
força que me puxava para baixo. Por alguma razão, eu sabia que ainda não era a hora de me
encontrar com a voz suave que me chamava. Não ainda.
— Oh! — Tentei pisar firme, mas meus pés não encontraram o chão e eu caí,
mergulhando com força no precipício. Joguei os braços no ar, nadando no nada.
— Nãoooooo! — O grito de pavor de Richard ricocheteou em todas as paredes daquele
lugar sombrio.
— Argh! — Shakur arfou alto. Senti um solavanco brusco, algo trombar em mim, agarrar
meu braço de qualquer jeito e, em seguida, meu corpo bater contra uma superfície dura e
áspera.
Desorientada, reabri os olhos e quase desmaiei com o que vi: eu estava pendurada no
precipício! Segura apenas por uma das mãos de Shakur, minhas pernas pedalavam
desajeitadamente no ar procurando alguma saliência na qual pudessem se apoiar. O líder de
negro também estava pendurado e sua outra mão era a responsável por segurar o peso de
nós dois juntos! O abismo negro crescia à medida que as forças de Shakur cediam,
escorregando cânion abaixo sob a ação do meu peso. Apesar de ser incrivelmente forte, o
coitado fazia esforço sobre-humano para conseguir suportar os nossos corpos
simultaneamente.
O que havia acabado de acontecer? Eu havia caído? Ele havia se jogado para me
salvar?
— Está tudo bem, Pequenina — ele tentou me acalmar, mas tinha a respiração
acelerada. — Eu nunca irei te soltar. Nunca — ele olhou para mim, a hemiface sã também
enrugada pela força colossal que realizava.
Nunca.
Aquela resposta...
Um feixe de luz, da pequena fenda que ele fez no teto do lugar, incidiu sobre nossos
rostos e iluminou meu espírito. A certeza contida dentro do lampejo de um sorriso triste que lhe
escapava: ele nunca me abandonaria! Shakur estava abrindo mão da própria vida para ficar
junto de mim. Não haveria no mundo prova de sentimento maior que aquela. Ele realmente me
amava!
Engasguei de emoção. Nem mesmo o medo do que poderia acontecer nos segundos
seguintes conseguiu sobrepujar a felicidade em seu estado mais puro, a compreensão em
forma de lágrimas que acabava de fechar a minha garganta, deixando-me sem voz.
— Meus homens podem ajudar! — bradou Von der Hess verdadeiramente solícito, vindo
logo atrás de seu grupamento. Todos nós sabíamos que ele estava apavorado com a
possibilidade de me perder.
— Não os deixem se aproximar de nós, Rick! — Shakur comandou, mas suas forças
começavam a falhar. — Argh!
— Porra! Você não vai conseguir aguentar por muito tempo! — esbravejou Richard. Sem
a mim para proteger, ele lutava como um louco suicida e, com várias feridas nos braços e
mãos, já havia conseguido pegar uma espada para si. Com a arma em punho, Rick fazia seu
estrago, eliminando os inimigos com velocidade absurda, mas novos soldados surgiam do
nada, consumindo seu tempo e impedindo que ele pudesse parar para nos ajudar. Ele sabia
também que seria alvejado caso lhes desse as costas. Von der Hess queria apenas a mim,
todos os demais eram descartáveis.
A respiração de Shakur assumira níveis perigosos, meus braços tremiam pelo esforço e
Rick travava sua luta inglória quando fomos surpreendidos por algo ainda mais inusitado: dois
soldados fugiram do confronto direto e, presos por cordas, escalavam as paredes das
margens internas do cânion e vinham em minha direção.
— Shakur! — apontei para o horror em andamento e o escutei praguejar alto.
Richard não teria como se abaixar para tentar impedir o ataque daqueles dois sem ser
alvejado. A distância diminuía e, em questão de segundos, aqueles sujeitos me alcançariam.
Minhas forças chegavam ao fim. O momento derradeiro estava próximo. Fechei os olhos e
respirei fundo. E se eu simplesmente me soltasse? Pouparia ao menos a vida de Shakur? Eu
sabia que não. Sabia que no instante em que meus dedos se abrissem os soldados do mago
não apenas matariam o rei de Thron, como dariam um fim imediato a Richard e à minha mãe.
— Pequenina! — Shakur pressentiu o perigo iminente. Eu não aguentaria muito tempo
mais.
— Mamãe, Rick... — pedi sem forças. — S-Sem dor... Peça a ele.
Shakur fez um imperceptível movimento de cabeça. Ele havia compreendido.
— Acabou. Recuar, Richard — soltou o líder de negro com a voz rouca para seu bravo
resgatador. — Rápido! Leve a humana consigo.
Richard contraiu as sobrancelhas fortemente, mas, para a minha surpresa, não xingou ou
contestou. Ele era um soldado e, mesmo acostumado às vitórias, reconhecia o momento de
recuar e experimentava, pela primeira vez, o gosto amargo da derrota.
— Pois partiremos juntos! Os quatro! — bradou meu amado em alto e bom som.
Então tudo aconteceu ao mesmo tempo: Rick girou nos calcanhares e voou em direção a
minha mãe, Von der Hess vociferou algo em estado de desespero, seus homens correndo em
direção a Richard, os soldados na parede interna do precipício agarrando a minha perna, eu
os chutando com o meu restante de forças, Shakur bradando alto e avisando a Rick que não
suportaria mais, novos urros de dor e, de repente...
Novo estrondo altíssimo, como de uma explosão, seguido de uma rajada de vento
quente. Um clarão ofuscante lavou a penumbra do local sombrio. O teto tinha sido varrido num
piscar de olhos e os raios solares mergulhavam sobre nossas cabeças! Em meio à cegueira
momentânea, uma nova comoção reverberou no lugar, alarmes apavorados e ordens berradas
às pressas aconteciam ao mesmo tempo em que um ataque ininterrupto de flechas passava
rasgando por nossas cabeças, alvejando nossos inimigos sem piedade. Desorientado, Von der
Hess lançava ordens atrás de ordens, mas seus homens recuavam. Perdi a respiração e todos
os meus músculos reagiram ao escutar uma voz que faria o meu coração trepidar em absoluto
júbilo.
— Ninaaaa!
Era John!
Oração do dia 21 Palavras para intensificar o poder concretizador da expressão verbal.Oração do dia 21 Palavras para intensificar o poder concretizador da expressão verbal.
Oração do dia 21
Palavras para intensificar o poder concretizador da expressão verbal.
Acredito na natureza divina que existe em mim; acredito que está latente em mim a natureza divina, que é a luz da esperança; acredito na sublime natureza espiritual latente em mim; acredito que em mim fluem a vida, o amor e a onipotente Força de Deus. É-me dado todo o poder no céu e na terra. Por isso, acredito que tudo que busco se concretiza conforme as palavras que profiro com convicção. Minhas palavras estão carregadas do poder de Deus. Sei que Ele concretiza tudo de acordo com meu pedido. Aliás, Ele já providenciou tudo de que necessito. Meu coração está repleto de alegria e gratidão. Deus me guia; Deus me faz prosperar; Deus me abençoa. Deus faz de mim uma luz para iluminar a humanidade, porque acredito nEle e nas Suas promessas. Agradeço por me dar Vida e fazer brotar fé em meu coração.
sábado, 19 de maio de 2018
46 - Certeza Absoluta: O que fazer quando a dúvida surge - YOD RESH AYIN
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REFLEXÂO:
Verbete no dicionário: princípio da incerteza
Substantivo
1. Um princípio da mecânica quântica que sustenta que aumentar a precisão de medida de uma quantidade observável aumenta a incerteza pela qual outras quantidades possam ser conhecidas.
Desenvolvido pelo físico teórico Werner Heisenbergem 1927.
2. Parte da atual visão científica da natureza da realidade física, com implicações para a filosofia em geral.
Se injetarmos dúvida em qualquer aspecto destes ensinamentos, estaremos literalmente tirando o fio da tomada e desligando seu funcionamento.
"Quero ver para crer" deve ser substituído por "quando eu crer, vou ver!"
Lembre-se de que ter certeza não significa simplesmente ter confiança de que obteremos o que queremos.
Ter certeza significa reconhecer que já estamos recebendo o que precisamos para o crescimento espiritual.
É verdade que, quando a dificuldade acontece, as dúvidas começam a vir à tona em nossas mentes.
Ficamos incertos acerca da realidade do Criador.
Questionamos a justiça no universo.
Tememos pelo futuro.
Apontamos o dedo da culpa para os outros, ou para os céus.
Quando invocamos o poder da certeza, porém, todas essas sensações negativas desaparecem, como a neblina que encobre uma montanha implacável.
Em todas as áreas da vida, a duração do caos e da dor é sempre diretamente proporcional ao nosso próprio nível de incerteza e falta de responsabilidade.
AÇÂO:
Certeza! Segurança! Convicção! Confiança! Tudo isto enche seu coração através da meditação deste Nome.
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Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
TODOS OS ACONTECIMENTOS NOS ENSINAM ALGO.
Os acontecimentos fenomênicos são “mestres que nos proporcionam aprimoramento espiritual”. Isto é, os fatos que estão ocorrendo agora — quaisquer que sejam — infalivelmente nos ensinam algo. Eles constituem uma oportunidade para passarmos a viver uma vida maravilhosa, alcançando maior grau de despertar espiritual e manifestando mais nitidamente a nossa Imagem Verdadeira.
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