sábado, 19 de maio de 2018

118 - minutos de sabedoria

VOCÊ, que é jovem, construa a sua felicidade em bases sólidas. A felicidade não depende dos outros, mas de nós mesmos. Se alguém quiser desviá-lo do bom caminho,não o acompanhe: siga a estrada
reta do bem, pois só assim conseguirá ter alegria em seu coração. Estude o mais que puder, ouça os conselhos de seus pais, seja puro e sincero em suas afeições, pois assim construirá uma vida nobre e digna.

19º Dia do Mês - exercicios de concentração

19º Dia do Mês
1. No dia 19 o foco é em fenômenos externos em algo que existiu primeiro como todo e,
em seguida, transformou-se na totalidade de suas partes separadas. Um exemplo disto é
uma nuvem que se transforma em gotas de chuva. Outro exemplo é a copa cheia de
uma árvore que se transforma em galhos separados e folhas em queda.
Enquanto você está se concentrando em coisas semelhantes, tente descobrir leis
segundo as quais, o desenrolar destes eventos não pode ser permitido. O objetivo deste
exercício é encontrar essas leis.
"Você se torna o que você é", e que é o universo, com plenitude final e perfeição, não é
mesmo contexto, porque não há separação.

2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1254312
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 158431985

3. O esforço do espírito para ter o seu legítimo lugar no mundo, assim como a luta de sua
alma para a encarnação do Criador levando sua mente a estar sob supervisão. Sua
consciência torna-se de parte da consciência universal. Você se torna quem você é. Sua
eternidade é revelada em suas contemplações. Seus reflexos se tornam eternidade. Seus
pensamentos fazem o mundo eterno. Você é onde você está e você vai estar onde
você não é. Você sempre vai estar lá, embora o mundo seja composto por intervalos de
tempo. E lá onde você vai ser, num momento do tempo se tornará um mundo, e o
espaço irá juntar-se com a eternidade. Tempo dá o seu reinado e você estará em
movimento. Você estará no tempo eterno. Você vai sentir o tempo eterno e desta vez o
eterno envolve você. Cada momento do seu tempo é nascido eterno. Sinta a
eternidade em cada momento e você vai ver que a eternidade é já dentro do seu
domínio

113 - Louise Hay

113- “Sei perdoar, sou amoroso, bom e gentil, e sei que a vida me ama.”

CAPÍTULO 21 - Não Fuja

CAPÍTULO 21
Subitamente determinado, Shakur jogou o corpo sem resistência de Richard por sobre os
ombros. Ele conseguiu a proeza de levantar a montanha de músculos de Richard com incrível
facilidade, carregando-o com destreza enquanto descia os degraus suspensos à beira do
abismo.
— Como está a humana? — Shakur tentou disfarçar, mas sua voz saiu cheia de
expectativa quando chegamos à entrada da cela onde mamãe se encontrava. Pelo visto, ele
não imaginava que eu já sabia que ele era Ismael, o meu pai adotivo de um passado bem
distante.
— Não consegue falar, mas acho que entende o que se passa ao seu redor. Tenho medo
de que não esteja apenas dopada, mas que lhe tenham causado algum dano irreversível e...
— Não consegui continuar ao ver a hemiface do líder de negro perdendo a cor gradualmente.
Depois de tantos anos, ele ainda se importava com ela? E qual seria a reação de Stela ao se
deparar com ele?
— Preciso colocá-lo no chão antes que me acerte um chute — Shakur esboçou um
sorriso ao ver que Richard começava a mexer as pernas e o posicionou do lado de fora da
entrada.
— Não é perigoso deixá-lo aqui? — indaguei.
— Qualquer lugar dentro de Marmon é perigoso. Ao menos aqui ele pode nos dar o
alerta da chegada de algum intruso. Não que isso seja de grande serventia com ele nesse
estado, mas... — deu de ombros. — Temos que pegar sua mãe e sair o mais rápido possível.
Vou fazer duas viagens até a base. Primeiro eu a levo. Depois carrego Richard.
— Tudo bem.
— Rick, fique de olho e berre se alguém se aproximar, ouviu? — comandou Shakur.
— Pode deixar — assentiu, mas o coitado mais parecia um sonâmbulo que falava durante
o sono.
Shakur segurou minhas mãos ainda amarradas e, sem que eu esperasse, desceu um
lance de degraus conduzindo-me ao nível logo abaixo do nosso.
— Para onde está me levando?
— Feche os olhos, Nina, e não os abra em hipótese alguma.
— Fechar os olhos?
Não gostei daquela ordem inesperada. O mortal abismo piscava abaixo de mim.
— Vou cortar a corda.
— E por que eu preciso fechar os olhos?
— Porque vou remover a minha máscara. — Havia uma advertência velada em seu tom
de voz sombrio. — A parte de trás da minha máscara possui um bordo afiado como uma
lâmina. Uma arma secreta...
— Ah! — Isso explicava o porquê dele se afastar de Richard. Não queria que seu pupilo,
ainda que fora de suas faculdades completas, presenciasse o triste segredo que guardava a
sete chaves.
— Dê-me a sua palavra que não abrirá os olhos em hipótese alguma.
— Eu prometo.
Sem hesitar, estendi os braços, satisfeita em saber que me veria livre daquelas malditas
amarras, e cerrei os olhos com força. Escutei a respiração de Shakur ficar diferente, menos
forçada, e, em seguida, ele segurar delicadamente minhas mãos. A agradável sensação de
bem-estar que ele costumava me gerar estava novamente presente. Deixei o ar escapar dos
meus pulmões, mas meu momento de tranquilidade foi interrompido por um novo berro.
— Ninnnaaa! — A voz de mamãe, bem mais forte e lúcida do que antes, rasgava o ar e
me enchia de aflição e felicidade. — Ninnn!
— Não! — Shakur alertou, nervoso.
— Não vou abrir os olhos — rebati, mal contendo a agitação em minhas pernas.
— Maldição! Os ecos vão acabar nos denunciando — resmungou ele, terminando o
serviço de forma acelerada.
— Ninnnannn! — Os berros dela aumentavam de intensidade.
Os grunhidos altos de mamãe vibravam em meus tímpanos. Manter os olhos fechados
parecia uma tarefa hercúlea. De repente ela soltou um gritinho fino, como se acabasse de
levar um susto, e se calou. O silêncio repentino conseguia ser ainda mais aterrorizante que
seus berros. Ah, não! O que havia acontecido agora? Shakur acelerava o serviço e a
respiração entrecortada evidenciava sua tensão. Finalmente senti a pressão em meus pulsos
aliviar e uma pequena ardência tomar o seu lugar.
— Pode abrir os olhos. Assim que sairmos daqui, darei um jeito nisso — prometeu
acelerado, referindo-se às feridas abertas na palma da minha mão direita. — Venha! —
ordenou, guiando minhas passadas enquanto subíamos os degraus que nos separavam da
cela onde mamãe estava.
Shakur estancou o passo repentinamente e meu coração deu um salto quando não avistei
Richard na entrada da cela. Ao entrar, deparei-me com uma cena esdrúxula, quiçá, cômica.
Richard, com sua postura altiva quase recuperada e surpreendentemente bem menos
sonolento, tentava acalmar minha mãe fazendo barulhinhos baixos e cadenciados, desses que
a gente utiliza para chamar gatos. Mamãe, por sua vez, encontrava-se de costas para a porta,
mas permanecia sentada no lugar onde eu a havia deixado. Ao me aproximar, vi que ela tinha o
semblante de surpresa estampado no rosto, os olhos arregalados ao máximo e a boca
esboçava um sorriso estranho.
— Mãe?! Rick?!
— Juro que não fiz nada para assustá-la. Eu só entrei o mais rápido que pude e pedi
para que se acalmasse. Então ela ficou assim desde o momento em que pôs os olhos em mim
— explicou ele com as mãos na nuca, a fala ainda lenta.
Não tive como não sorrir. Sob o efeito dos danos causados pelos Escaravelhos de Hao e
sem a sua armadura de cavalheiro indestrutível, Richard era quase um rapaz como outro
qualquer. Quase.
— Está tudo bem, Rick — soltei duplamente aliviada por detectar que ambos estavam
em condições melhores. — Ela não está no seu normal e...
— Eleee é...? Filhhh de...? — Mamãe murmurava em estado de êxtase. Sua expressão
atordoada não era de alguém que via uma assombração, mas uma miragem. — Mais claross.
Seus olhossss...
— Calma, mãe. Está tudo bem — adiantei-me ao ver seu estado perturbado. — Esse é
Richard de Thron.
— Naummm! — ela berrou nervosa, jogando os braços frouxos no ar ao perceber que
Richard, após piscar para mim, afastava-se de nós, indo para o outro lado da cela. Pelo canto
do olho vi que ele obedecia a algum comando do seu líder.
— Mãe, temos que sair daqui.
— Naunnn consiggo, filha... — Stela piscou várias vezes e, oscilando entre momentos de
lucidez e insanidade, sorriu levemente para mim. Então ela fechou os olhos e tombou a cabeça
sobre o corpo. Ela havia me compreendido, mas suas forças não eram suficientes.
— Está tudo bem. Trouxe alguém que vai nos ajudar — apontei para a porta onde, com
os olhos fixos no chão, encontrava-se a altiva figura de negro. Senti um arrepio percorrer
minha pele e um nó de saliva prender em minha garganta com a sua reação.
— Ohhhh! — Mamãe tornou a levantar a cabeça e, ao visualizar a aproximação de
Shakur, seus olhos triplicaram de tamanho e ela começou a berrar.
— Está tudo bem, mãe! — tentei acalmá-la em meio ao pânico. Não sabia se ela
delirava, se havia pressentido alguma coisa, se o havia reconhecido ou se seria somente o
pavor de se deparar com a sinistra figura de negro. Seus berros assustadores ecoavam no
ambiente, assombrando-o ainda mais.
Como se isso não fosse o suficiente e para deixar a mim e Shakur ainda mais aturdidos,
ela segurou o rosto dele e desatou a chorar copiosamente.
— Isssmael!!!
Céus! Ela o havia reconhecido!
— Desculpppp...
Minha boca secou e, mesmo ardendo em brasas, todo meu corpo foi acometido por um
suor frio e paralisante. Desculpas? Stela estava pedindo desculpas a ele? A surpreendente
constatação: se mamãe não estava delirando, ela havia ocultado muito mais coisas de mim do
que eu podia imaginar. Por quê? Para me proteger? Por medo? Mas... Se fosse realmente
isso, por que eu podia jurar que havia muito mais escondido naquele pranto sofrido? Algo que
minha mente, ainda rodando dentro daquele furacão de emoções, não conseguia captar, mas
que deixava minha intuição em estado de alerta máximo e afirmava que seu choro
desesperado nada mais era do que uma confissão de culpa e arrependimento.
— Stela, não chore! Está tudo bem! — Shakur respondeu com a cabeça entre as mãos
dela e começou a arfar alto em sua tentativa de esconder a emoção que o tomava. — Por
favor, não chore!
Novo golpe. A inesperada reação de Shakur concluiu o serviço, congelando-me dos pés à
cabeça e me comovendo profundamente. Em sua ânsia por confortar minha mãe, Ismael, até
então o temido Shakur, deixou à mostra aquilo que tentava ocultar por detrás da sua máscara
e atitudes amedrontadoras: amor em seu estado mais puro!
Seu amor por Stela era tão grande que ele havia jogado nossa segurança de lado e
acabara de nos colocar em risco real. O timbre grave e alto da sua voz podia ser escutado de
longe e, se houvesse alguém nas redondezas, nossas chances de fuga haviam sido
aniquiladas. Mamãe não parava de soluçar. Agoniado ao extremo, ele a aninhava em seu peito
e implorava para que ela ficasse calma, mas a cena em andamento estraçalhava meus nervos
e chacoalhava minha razão com violência. A atitude inesperada de Shakur me fez vacilar. Ele
realmente se importava com minha mãe! E agora nós tínhamos algo em comum. Respirei
fundo e deixei todas as dúvidas que nutria em relação ao líder de Thron se desintegrarem e,
instantaneamente, senti-me conectada a ele de uma forma agradável e definitiva. Pouco
importava agora o que eles escondiam de mim. Talvez não houvesse outro momento e ele
precisava saber.
— Shakur, eu me lembrei, e-eu... — Com medo de perder a coragem, adiantei-me aflita,
sendo imediatamente atropelada por outro pranto enfurecido de minha mãe. Stela soluçava
ainda mais alto do que antes e dificultava as coisas para o meu lado. Intoxicada pela emoção
que me consumia, perdi a linha do raciocínio e tinha certeza de que ia sufocar a qualquer
instante.
— Por favor, Stela. Fique calma! — Shakur implorava e parecia mais desorientado do
que eu. O corpo de mamãe tremia em meio aos espasmos. Seu choro de agonia ecoava
livremente pelo sombrio abismo. Aquela situação era, no mínimo, apavorante. Nós dois
sabíamos que minha mãe era uma pessoa que não chorava. Em toda a minha vida eu só tinha
visto Stela chorar duas vezes. Duas únicas vezes em dezessete anos... — Eu sinto que ela
está mais consciente, então por que ela não para de chorar? Eu não entendo...
“Consciente”? Meu Deus! Aquela crise de choro era porque mamãe sabia o que eu ia
dizer? Seria sua capacidade de percepção tão forte assim?
— Ela pressente... — soltei um sussurro aflito, a respiração entrecortada.
— Por Tyron! — ele bradou exasperado. — Ela pressente o quê?!
— O-O que preciso tanto lhe dizer. — Tinha a sensação de que duas mãos
estrangulavam meu pescoço. — Que eu...
— O que precisa me dizer, Nina? — Sua voz trovejante perdeu a força e, de repente,
suas palavras chegaram baixas e cadenciadas, como se elas começassem finalmente a fazer
sentido para ele.
Era chegado o momento. Não podia voltar atrás. Faltava-me a coragem de ir adiante, de
quebrar a barreira do orgulho, do rancor, da incompreensão por ter sido esquecida por aquele
que mais deveria ter me amado. Por que ele havia nos abandonado? O que havia lhe
acontecido? Vê-lo em seu atual estado, o corpo terrivelmente deformado por cicatrizes de
queimaduras, silenciava-me de alguma forma. Mais do que isso, fazia-me querer desculpá-lo
por sua ausência em nossas vidas e dava-me a sensação de que ele já havia quitado seus
pecados com juros altíssimos. E, apesar do momento inoportuno, era a hora (não sabia se
teria outra!) de colocar um ponto final no drama do meu curto histórico de vida, de aceitar os
amores com que fui presenteada. Imperfeitos sim, mas meus. Uma inexplicável jornada de
sentimentos dilacerados, personagens feridos, destinos atormentados. Um caminho talhado
nas pedras da perda e da mágoa, mas, assim como afirmava uma voz interior, asfaltado com
o sangue da resignação dos fortes, daqueles que deram a sua carne para que eu pudesse
continuar e ir além. Faltava-me a coragem de pronunciar a palavra que faria a diferença, que
dissolveria parte da muralha que haviam construído à minha volta, dos muros que deveriam me
proteger, mas que agora apenas me sufocavam. Pude senti-la em minha boca, dançando de
um lado para o outro em minha língua, embalada por minha hesitante determinação.
A palavra.
Eu precisava liberá-la. Algo me dizia que ela poderia ser capaz de romper todas as
barreiras mágicas, a nossa única possibilidade de fugir dali e sobreviver. Segurei o ar com
firmeza, uma vez que não eram apenas as minhas mãos e pernas que tremiam. Meu
nervosismo atingira patamares tão altos que era possível sentir meu coração golpeando
brutalmente meus pulmões. Se era quase impossível respirar, concentrar-me havia se tornado
uma tarefa sobre-humana. Mas eu era uma híbrida! E deveria agir como tal! Fechei os olhos,
recuperei o fôlego e segurei a emoção que me paralisava.
— Por que nos abandonou? — indaguei, surpreendida com o inesperado desejo do meu
coração.
Céus! Aquela não era a pergunta!
— Hã? — a voz dele falhou e, após um instante de perceptível incompreensão, rebateu
feroz: — Eu nunca abandonei vocês! Eu jamais as abandonaria!
— Não?
— Nunca — disse taxativo e a certeza daquela palavra vibrou no meu peito. Nunca.
Mamãe soluçou mais alto. Estremeci.
— Eu me lembro — murmurei. — De você, de nós... — Enxuguei a lágrima que ardia em
minha face. Não conseguia acreditar que aquilo ia mesmo acontecer, naquele terrível momento
de tensão. A penumbra do ambiente em nada ajudava. Como seria a reação dele por detrás
da máscara? Ficaria feliz? Debocharia da minha desgraça?
— V-Você se lembra, Pequenina? — Sua voz saiu com dificuldade, a emoção no ar,
palpável. Ele abriu um sorriso indeciso.
Uma força maior havia se compadecido de mim e me presenteara com o dom da
recordação. Meus sonhos apagados foram redesenhados na atmosfera zirquiniana e minha
memória se comprazia com a enxurrada de lembranças. Em minha tenra infância, em todas
elas Ismael estava presente. E não era uma presença casual, mas sim repleta de carinho e
atenção. Ninguém havia lutado tanto pela nossa família quanto ele. Não havia Dale ou qualquer
pessoa em nenhuma das quatro dimensões que poderia ocupar o seu lugar.
— Sim, pai, eu me recordo agora — finalmente soltei a palavra que estava presa em
minha alma e queimava minha garganta. Pai.
Um silêncio interminável e, por um triz, todos os meus nervos não foram desintegrados.
Então o gemido de Shakur preencheu o sombrio lugar, deixando-o ainda mais triste,
dilacerante. Meu coração comprimiu no peito, num misto de dor e felicidade. Perdida em meu
drama particular, escutei um arfar forte e vi um Richard de olhos arregalados e passos
cambaleantes desaparecer atrás de mim.
Shakur colocou carinhosamente minha mãe no chão e veio em minha direção, abraçoume
com arrebatador carinho paternal, e, emocionado, encheu minha testa de beijos. Tomei
novo fôlego e segurando a perturbação que ameaçava aniquilar completamente com o que
restara da minha voz, acrescentei:
— Eu me lembro da gente brincado no Central Park e de você buscando uma flor para
colocar no meu castelo de areia. Recordo-me da mamãe dando bronca e a gente gargalhando,
de você me girando no ar e me chamando de...
— Pequenina — rouco, ele concluiu a frase para, em seguida, deixar escapar seu pranto
seco e cheio de estrondo, como vários trovões estourando dentro dos meus tímpanos. O
choro de Stela, por sua vez, silenciou. Meus joelhos bambearam e as lágrimas me cegavam.
— Eu sinto muito, filha.
“Filha”.
Sonhei com aquele momento por anos a fio em minha atribulada e solitária adolescência.
Imaginei os mais lindos lugares para aquela aguardada declaração e os mais diversos rostos
masculinos por detrás dela. Nada havia saído como eu esperava: o ambiente era hostil,
encontrava-me encurralada à beira de um precipício e corria risco de morte, sem contar que
não havia conseguido ver a face do meu tão sonhado pai, ocultada por suas terríveis cicatrizes
e uma máscara amedrontadora. Mas, ainda assim, não trocaria aquele momento por nenhum
outro. Ele não podia ter sido melhor ou mais verdadeiro. Ri da minha desgraça. Assim como a
face do líder de negro, minha vida sempre fora um grande caos. O meu caos. O mais incrível
é que eu me sentia muito bem dentro dele, perfeita para ele, e só agora eu conseguia
enxergar essa verdade atordoante.
Então tudo fez sentido.
Shakur havia me chamado de filha e, mesmo nas terríveis condições, eu compreendi que
era autêntico, que ele realmente sentia isso. Meu espírito regozijou dentro de mim e uma força
pulsante vibrou em minhas células. Mesmo sem saber seus motivos, tudo em mim o perdoava
por ter desaparecido de nossas vidas. Eu o perdoava.
— Precisamos ir, Nina — disse ele acelerado, acariciando meus cabelos e se afastando
de mim. Assenti, mas, naquele instante, tudo que eu mais desejava era manter meu rosto
afundado em seus braços protetores, voltar no tempo e tornar a sentir o bem-estar e a
segurança que só ele era capaz de me fazer experimentar.
O peitoral de Shakur subia e descia acelerado, prova real da sua emoção, mas ele não
perdeu tempo e envolveu Stela em seus braços. Mamãe, por sua vez, continuava a encarar
Shakur de forma catatônica, como quem vira uma assombração. Então, quando o líder de
Thron inspirou com força e, altivo, deu o comando, fui eu quem perdeu o chão ao presenciar
aquela cena inesperada. Ele não percebeu em sua preocupação e pressa urgentes, mas eu vi.
Eu realmente vi.
O rosto de mamãe se acendeu, suas pupilas dilataram e as bochechas ganharam cor,
mas algo único e incontestável, aconteceu. Algo pelo qual esperei a vida inteira e nunca tive a
oportunidade de presenciar, mas que acabava de se materializar bem na minha frente. Meu
peito inflou de felicidade repentina e o mundo, mesmo com suas trapaças e surpresas,
acabava de entrar em órbita e me brindar com um momento ímpar. Um instante apenas, mas
lá estava ele: o fulgurar dos seus olhos negros! O mesmo cintilar que eu me recordava de ter
visto nos meus sonhos, o mesmo brilho que vislumbrei na fotografia.
O brilho do amor!
Mamãe ainda o amava. E dentro de mim algo afirmava que aquilo era real e não um
momento de loucura. Céus! Nada daquilo fazia sentido! Se ela o amava com aquela
intensidade, por que fugira dele durante todas as nossas vidas?
— Shakur, há movimentação lá embaixo. — Richard entrou de rompante na cela e vibrei
de felicidade ao perceber que ele se encontrava em estado de alerta máximo.
Teria ele recuperado o ânimo tão rapidamente por ter presenciado o que acabara de
ocorrer ali?
— Von der Hess já sabe — sibilou Shakur após contrair a testa.
— Mas que droga! — praguejou Rick com a cara amarrada. Apesar de olhar em todas
as direções, era para o colossal abismo que ele encarava com um misto de ódio e frustração.
— Como vamos protegê-las nessas condições?
— Você se preocupa mesmo com ela... — Shakur estreitou os olhos em minha direção e
nos estudou por um instante. Abaixei o rosto, ruborizada, e Rick se empertigou no lugar.
Hesitante, ele caminhou para perto de mim, segurou minha mão e puxou meu corpo para junto
do seu.
— Claro que sim! Mas isso não vem ao caso agora. Temos que arrumar um meio de
salvá-las — respondeu e senti meu peito estufar. Shakur ameaçou um sorriso, satisfeito. — E
se o maldito bruxo liberar mais daqueles insetos?
Silêncio.
A pergunta pragmática de Richard dissera tudo. Não havia saída. Como eles nos
protegeriam durante o combate? Ali não havia o meu dom para me defender ou a magia de
Shakur para nos mandar para outro lugar. Mesmo que Rick e seu líder sobrevivessem ao
confronto contra uma multidão de soldados, sempre haveria o risco do ataque daqueles
escaravelhos malditos. Dessa vez, Von der Hess não arriscaria novamente. Shakur, Richard e
minha mãe seriam eliminados de imediato. Eu não. Estremeci com esse pensamento, mas o
rechacei momentaneamente.
— Vamos subirrr! — opinou Stela, pegando-nos de surpresa. Sua insanidade vinha a
calhar e me gerava certo alento: ela não sofreria com o que estava por acontecer.
— Não! Não! Não! — bramia Shakur.
Rick abriu um sorriso desanimado e começou a balançar a cabeça de um lado para o
outro. Shakur fechou os olhos e deixou sua cabeça tombar. Então, sem que nenhum de nós
pudesse esperar, mamãe levantou delicadamente a cabeça do líder de preto e acariciou sua
hemiface descoberta.
— Ismael! — liberou com a voz embargada de emoção. E, antes de perder
completamente os sentidos, olhou para cima e murmurou: — Luz.
Shakur soltou um gemido e afundou o rosto no corpo desacordado de mamãe. Rick
engoliu em seco, seus olhos arregalados comprovavam outra surpresa: seu adorado líder era
Ismael, um famoso mago tido como morto há muitos anos.
— Ela tem razão! Nós vamos subir! — Shakur levantou a cabeça repentinamente e olhou
para mamãe com admiração.
— Subir?! Não há saída naquela direção! — Richard protestou com a cara mais fechada
ainda, uma veia tremia em sua mandíbula.
— Marmon é um reino subterrâneo, Rick. Que estupidez a minha! — rebateu o líder
acelerado. — Eu havia reparado, mas não prestei a devida atenção. Os feixes de luz são
pontos de saída!

Oração do dia 19 Palavras para expressar a comunhão com Deus.


Oração do dia 19
Palavras para expressar a comunhão com Deus. 
Neste momento, encontro-me no recôndito do Templo do Senhor Supremo. Estou diante de Deus, e minha alma está em paz. Agora, o que é mundano não entra no meu campo visual. Neste instante desligo-me do mundo dos cinco sentidos e entro em retiro no âmago do mundo espiritual. Estou em contato com Deus – que é o todo de tudo. Abasteço-me nesta fonte de vida, paz e prosperidade. Estou na presença de Deus – e Ele renova minhas forças. Minha mente se abre, e minha alma aguarda a revelação de Deus. Meu corpo recebe a infinita força curativa de Deus. Livre de todo e qualquer temor, estou em paz do âmago do sereno mundo espiritual. Nenhum infortúnio pode me acometer. Nenhum mal pode me atormentar, pois não temo o mal, ciente de que ele não é força real. Vejo apenas o bem, ouço apenas o bem. Diante de mim, tudo se apresenta belo e bom. Confio plenamente na força renovadora e no poder criador de Deus. Creio em Deus e sinto-me repleto de júbilo. Expresso minha sincera gratidão a Deus

meditação diária (cecp) dia 19

Sou um continuo desejo ardente de perfeição e felicidade

sexta-feira, 18 de maio de 2018

69 - Achados e Perdidos: O que fazer quando você está perdido e confuso - HE ALEF RESH


69 - Achados e Perdidos: O que fazer quando você está perdido e confuso - HE ALEF RESH
Quando você quer encontrar seu caminho de volta para casa...

REFLEXÂO:
Há momentos em que nos encontramos sem rumo na jornada da vida.
Sentimo-nos perdidos.
Desnorteados. Confusos.
A vida se torna um labirinto sem fim, e não sabemos para que lado ir. 
AÇÂO:
Usando este Nome como bussola, o caminho para seu lar espiritual é iluminado.
Você recuperar seu rumo. 
A cada passo que dá e a cada momento que passa, você sente conforto, confiança e um sentido mais porte de direção.

MEDITE NESTAS LETRAS E VOCALIZE: Rêê
 AÇÃO: Independente de você ter uma religião ou não, faça um pequeno ritual de oração neste dia. Mais importante do que a forma é a concentração e emoção ao faze-lo. Isto te ajudará a perceber que há grande proteção a sua volta.

Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária

Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
QUEM VIVIFICA O TEMPO, VIVIFICA A PRÓPRIA VIDA.
 
Os conhecimentos esquecidos podem ser relembrados, mas o tempo perdido em inatividade nunca pode ser recuperado. Tempo é Vida, e a Vida é mais valiosa que qualquer coisa. Quem desperdiça o tempo está cometendo uma tolice maior que andar jogando dinheiro. A Vida não é estacionária. Ela progride ou regride.

Minutos de sabedoria 110

caminhe alegre pela vida! Plante sementes boas de paz e otimismo, vivendo bem com sua consciência. Ajude aos outros o mais que puder, de tal forma que sua vida se torne uma alegria constante, por beneficiar a todos. Não pergunte se eles agradecerão ou retribuirão a você. Faça o bem, sem pensar na recompensa, porque só assim você demonstrará amor para com todos.

18º Dia do Mês - exercícios de concentração

18º Dia do Mês
1. Neste dia focalize objetos imóveis. Isto poderia ser um edifício, uma mesa ou também
uma árvore. Escolha algo que agrade a você. Então olhe para a essência individual do
objeto escolhido, o seu significado. O objetivo para você é que você precisa entender o
que este objeto significa para você. Isso é o exercício.

2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1854212
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 185321945

3. Vá aonde há pessoas. Você vai quando: as coisas estão acontecendo. Você está
trabalhando onde não há resistência. E quando você reconhece isso, a resistência se
tornará transparente, o seu poder enfraquecerá e você também vai ver o mundo da
eternidade mesmo quando há resistência. Vá e seja em todos os lugares que você quer
ser. Você pode estar em qualquer lugar. Você pode abraçar toda a riqueza do mundo,
e por esta razão que você luta com a resistência de uma vida eterna. A resistência cai.
Você vai ver a luz da vida eterna e recebê-la. Assim será para sempre e sempre e para
todos os tempos.

112 - Louise Hay

112- “Padrões antigos e negativos já não me limitam. Desapego-me deles facilmente.”

CAPÍTULO 20 - Não Fuja

CAPÍTULO 20
O amontoado de corredores escuros pelos quais Truman me conduzia em nada ajudava
meu intento de desvendar possíveis saídas. Marmon conseguia ser ainda pior do que Thron
porque ali não havia gente. Mas não eram apenas os caminhos escavados desordenadamente
nas rochas que criavam uma atmosfera traiçoeira. Havia uma névoa abafada, um ar pesado e
estático obstruindo minha garganta e embaçando meu raciocínio. Algo estranho nos envolvia e
eu quase podia tocá-lo.
Um eco rasgou o silêncio absoluto. O sangue congelou instantaneamente em minhas
veias. Reconheci a voz.
Mamãe!
Outros berros nervosos, indecifráveis e sem coerência, como grunhidos animalescos,
vieram a seguir e quase me derrubaram. Por que ela berrava daquele jeito estranho? O que
eles haviam feito com ela?
Truman praguejou e me puxou com mais força, mantendo-me sempre à sua frente. Meu
coração ricocheteava dentro da caixa torácica e minha cabeça rodopiava alucinadamente,
perdida no ciclone de emoções que avançava sobre meu espírito. Expectativa. Ansiedade.
Felicidade. Medo.
Começamos a subir uma íngreme escadaria esculpida na margem da gigantesca parede
rochosa. Meus batimentos cardíacos triplicaram de velocidade quando vi a névoa negra fazer o
papel de corrimão à direita, embaralhando ainda mais os degraus desnivelados e criando
passagem escancarada para o precipício abaixo de nós. Uma mão segurou minha cintura. O
calafrio de advertência passeou por minha espinha e meu corpo enrijeceu. Algo dentro de mim
sinalizava que era Truman, e não o abismo, o maior perigo por ali.
— Está com medo, híbrida? — ele aproximou o rosto do meu. Não recuei quando seu
nariz roçou a minha nuca. Qualquer passo em falso e meu fim chegaria bem antes do
programado, nas profundezas daquele cânion maldito. — Deixe-me sentir... — ele continuava
suas investidas. — Humm... Essa energia que vem de você é bem tentadora, sabia?
Instintivamente acertei uma cotovelada em suas costelas.
— Valente, hein? Quero ver se continuará assim quando eu acabar com sua mãe, garota.
— Olhei por sobre o ombro e vi o brilho da maldade refletido em seus olhos. Deus! Aquela
injeção não era para acalmar, mas sim para matar Stela! O horror se apoderava do meu
corpo a cada degrau logrado e minha pulsação entrava em níveis perigosos. Eu precisava agir
e tinha de ser o mais rápido possível!
Imediatamente me recordei do golpe que John havia me ensinado quando estávamos em
Storm. Respirei fundo e, tentando a todo custo controlar a adrenalina desvairada em minhas
veias, abaixei num rompante, girando rapidamente o corpo. Truman quase tombou, mas
conseguiu se equilibrar desajeitadamente nas reentrâncias da parede de pedras à sua
esquerda. Aproveitando-me do momento, desvencilhei-me dele e, mesmo com as mãos
amarradas, lancei as palmas abertas em direção ao seu rosto. Ele recuou, mas, para meu
infortúnio, não urrou de dor conforme eu esperava. Se eu estava com os nervos à flor da pele
e lutava com todas as forças pela minha vida, por que minhas mãos não funcionaram contra
ele? O que havia de diferente ali? Truman franziu o cenho e avançou de forma abrupta sobre
mim, espremendo-me com fúria contra a parede rochosa.
— Você podia ter nos matado, sua estúpida! — esbravejou ele. O peso do seu corpo
imobilizava o meu por trás.
— Me solta! — ordenei com ódio assim que a mordaça se deslocou e me permitiu falar.
A pele do meu rosto ardia nos pontos onde era espremida contra a muralha áspera. O homem
tinha quase duas vezes a minha largura.
— Sabe o que eu vou fazer com uma híbrida idiota como você? — sussurrou em minha
orelha. — Tudo! E a cela da sua mãe virá bem a calhar... — arfou. — Só não decidi se
primeiramente eu faço você assistir à eliminação definitiva dela ou se deixo isso para depois de
usufruir as sensações que seu corpinho híbrido pode me oferecer. Nesse caso será sua mãe
que vai assistir — soltou uma risada forçada e o sangue ferveu em minhas veias. Revirei o
rosto e meus olhos se depararam com o frasco de vidro que continha a seringa aprisionado no
seu cinto de couro.
— Você vai morrer, verme — rosnei.
Ele achou graça da minha ameaça e me espremeu ainda mais contra a parede.
— Quanto mais difícil, melhor.
— N-Ninnn...!? F-Filh...
Aquele chamado fez toda a diferença do mundo. Tive de segurar a emoção que ameaçou
rasgar meu peito em pedaços e conter as lágrimas que romperam como mágica em meus
olhos. Ela podia estar doente ou drogada, mas minha mãe me chamava! Mamãe era uma
receptiva e captara a minha presença. Talvez por isso tenha começado a berrar e causar toda
aquela confusão. Stela, a única certeza de amor na minha vida, meu porto seguro que julgava
perdido, estava ali, tão perto e chamando por mim.
— Merda de humana! — reclamou o sujeito, afastando ligeiramente seu corpo do meu.
Bastou.
Não podia esperar para ver se minhas mãos funcionariam. Elas ainda eram um mistério
para mim... Aproveitando-me do momento, e ainda sem poder fazer amplos movimentos,
consegui segurar o frasco de vidro e, desajeitadamente, o espatifei, batendo-o com força
contra a parede. Segurei a dor das fisgadas provocadas pelos cacos de vidro penetrando em
minha pele, mas em momento algum cogitei a hipótese de reabrir minha mão. Suportei o ardor
enquanto sentia a seringa de metal tomar forma entre meus dedos encharcados de sangue e
estilhaços de vidro. No intervalo menor que de uma pulsação, eu cravava a agulha na coxa do
infeliz que, agora sim, arregalava os olhos e urrava alto. Atordoado, ele me soltou. Foi tudo tão
rápido que, somente após alguns segundos, o homem conseguiu se dar conta do que havia
acontecido.
— Morra! — berrei.
— Sua... — Truman esbravejou e voou sobre mim. Dei um pulo para trás, subindo
desequilibradamente pelos estreitos degraus. — Eu vou... — praguejou e o vi bambear logo
abaixo de mim assim que suas pupilas começaram a dilatar.
— Você vai sim, seu verme! — arranquei o molho de chaves preso em sua cintura com
tanta força que o fiz tombar para cima de mim. — Você vai para o quinto dos infernos! —
bradei assim que senti as chaves seguras entre os meus dedos, chutando-o para longe com
todas as minhas forças. Ele arregalou os olhos, mas não fez resistência. Suas pupilas
acabaram de entrar em dilatação máxima e o infeliz estava morto antes mesmo de despencar
no terrível precipício. A droga era poderosa e o matara com uma velocidade impressionante.
Mais assustador ainda foi presenciar o corpo de Truman perder o tônus ainda de pé, e, como
um boneco inflável que acabara de ser furado, ir esvaziando de cima para baixo. Sua cabeça
apática pendeu sobre o peito que, em seguida, arqueou-se para a frente, tombando sobre as
pernas bambas e despencando no precipício atrás de si. Pobre criatura!
Guiada pelos grunhidos desesperados da minha mãe, subi correndo em direção à porta
de madeira maciça que vedava a cela onde ela estava. Lá de dentro sua voz continuava
enrolada e suas frases saíam incompreensíveis. Estanquei por um instante, mirando o molho
de chaves dentro da minha mão ensanguentada e lutando para refrear a enxurrada de
emoções contraditórias que bombardeava meu coração. Tentando controlar meus nervos,
fechei os olhos e encostei a testa no batente da porta. Eu tinha de abri-la, mas, ao mesmo
tempo, era paralisada pelo medo. A Stela que eu encontraria do outro lado da porta não seria
a mesma que eu havia visto pela última vez em minha antiga dimensão, há quase dois meses,
naquele teatro da Broadway. Ela havia mudado. Eu havia mudado. Tantas coisas tinham
acontecido naquele curto intervalo de tempo! Meu mundo antigo havia ruído, engolido pela
voraz escuridão das descobertas, despedaçado em milhares de fragmentos de dor, perdas e
mentiras, e dado lugar a um novo mundo, também repleto de conflitos e desafios, mas, acima
de tudo, um universo que alvorecia e permitia novas chances, como o renascimento de uma
nova Nina. Nesta nova dimensão, eu não era uma simples garota que precisava fugir, eu era
forte. Ali eu fazia a diferença e, mesmo diante da morte, sempre haveria uma alternativa que
havia sido desprezada até então: a esperança. Onde ela estivesse sempre haveria lugar para
a vida, para o amor.
Stela entenderia isso? Minha mãe compreenderia que agora eu queria ficar e lutar e
não mais viver fugindo para sempre?
Respirei fundo e, trincando os dentes para não permitir que meu coração saísse pela
boca e se jogasse naquele precipício, destranquei a porta. Stela parara de berrar. Havia
pressentido a minha chegada? Estaria tão emocionada quanto eu? Abri a porta lentamente e
então eu a vi. Deitada em posição fetal no chão, enrolada em um lençol encardido, e encolhida
em um dos cantos do fúnebre aposento. Mamãe levantou a cabeça em minha direção. Minha
alma congelou e lágrimas ininterruptas de felicidade, dor e pavor encharcaram minha face ao
ver seu estado decadente. Ela estava suja como um animal sarnento, tinha a aparência
abatida, o olhar perdido, e, ainda assim, tentou se arrastar, forçando seu corpo a vir em minha
direção, mas não conseguiu romper o torpor que a envolvia.
— Mãe, não! — engasguei atordoada e, jogando-me ao seu encontro, peguei sua cabeça
ferida entre as minhas mãos trêmulas e a coloquei sobre o meu colo. — Mãe!
— Mrrrrr.... Ellll..... — ela balbuciava olhando de maneira assustada para a porta.
Oh, Deus! Ela estava dopada ou haviam lhe causado algum dano mental?
— M-mãe, calma! V-vai ficar tudo bem, eu... — Em pânico com a recente descoberta,
comecei a afundar no lugar.
— Filh.... — Ela percebeu o horror em meus olhos e, mesmo em seu péssimo estado, vi
quando fez um esforço colossal para me tranquilizar, mas sua língua não obedeceu e caiu
frouxa para um dos cantos da boca. Ainda assim, o esboço de um sorriso se formou em seu
rosto. Com o olhar vidrado de emoção, soltou um suspiro alto e começou a soluçar.
— Eu sei, mãe. Eu sei.
Ela envolveu meu corpo em um abraço desesperado e chorei junto. O pranto das nossas
almas, da nossa felicidade, do seu escancarado alívio e do meu agradecimento por toda a sua
vida de amor e doação. Dor e desabafo. Entendimento. Não havia mais necessidade de
dizermos nada. O amor falava por nós.
— Precisamos sair daqui — disse por fim, utilizando todas as minhas forças para me
desvencilhar do aconchego do seu abraço, o melhor e mais seguro lugar do mundo, mesmo
nas condições mais inseguras.
Mamãe tornou a fechar os olhos, exaurida. Vasculhei ao redor na procura de algo que
pudesse utilizar em nossa fuga e meu estômago se revirou de tristeza ao detectar as péssimas
condições em que ela se encontrava. Uma caneca de alumínio com água pela metade jazia
largada no chão e a única fonte de iluminação do fúnebre lugar provinha de uma tocha presa
em uma reentrância na parede rochosa. Sem colchão, sem nada. Pobre Stela! Ela já havia
sido torturada o suficiente por minha causa e não suportaria vê-la sofrer nem por mais um
segundo sequer. Estremeci ao me recordar que Von der Hess poderia aparecer a qualquer
instante.
— Mãe, existe alguém que talvez possa nos ajudar.
Olhei para o molho de chaves e segurei a ânsia de tensão que subia pelo meu estômago.
Sabia que estávamos em uma situação muito ruim e a única pessoa que poderia nos ajudar
naquele momento talvez estivesse em condição ainda pior, mas algo me impulsionava a
arriscar. Ela segurou meu braço com seu resquício de forças, e, como que pressentindo algo,
arregalou os olhos. Traguei o ar com dificuldade ao vê-la tão preocupada.
— Eu sei o que estou fazendo. Confie em mim. Eu te amo — disparei num sussurro e
beijei sua testa. Ela soltou um grunhido em forma de murmúrio, mas, sem forças, tornou a
tombar a cabeça no meu colo. Fechou os olhos e, para minha sorte, eles estavam distantes
quando ela os reabriu, dando-me chances para sair rapidamente dali.
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— Preciso da sua ajuda — disse de rompante assim que abri a porta da única cela além
daquela onde se encontrava mamãe, na extremidade da escadaria de pedras e ponto mais
alto do penhasco esculpido em uma das paredes que margeavam o grande cânion.
— Estou pronto — respondeu o líder de negro de bate-pronto. Ele guardou algo
repentinamente no bolso de sua calça antes de ajeitar o pedaço de pano que colocara no lugar
da máscara fraturada. Soltei o ar, num misto de surpresa e alívio.
— Richard! — corri acelerada ao seu encontro.
— Oi, Tesouro! — piscou ele, ainda sentado no chão. Ele tinha a voz arrastada e
aparentava estar num quadro de sonolência artificial. As cordas rasgadas no chão
comprovavam que Shakur havia conseguido se soltar e também liberar Richard.
— O quê... ?
— Estou tentando acordá-lo há algum tempo, mas não está reagindo. Ele vai precisar de
mais tempo — explicou o líder de Thron com tom de voz estranho.
— Como assim? Nós não temos esse tempo! — guinchei ao ver que Richard jamais
conseguiria descer os degraus que margeavam o precipício naquele estado letárgico. — Sua
magia não funciona aqui?
— Ela é inexistente em áreas de forças obscuras — explicou taciturno enquanto olhava
para o nada.
— Mas você é forte! Pode carregá-lo! — Eu quase implorava.
— Não se faça de tola porque entendeu muito bem o que quis dizer. Sabe que apenas
me colocarei em perigo nessa descida e que terei que abandoná-lo na próxima cela. A não ser
que resolva deixar a sua própria mãe aqui. — Sua insinuação mais do que clara me fez
arrepiar por inteira: teria de optar entre Rick e a minha mãe?
— Não! — rugi.
— Então a escolha está feita. Despeça-se dele e vamos embora — comandou Shakur de
forma enérgica ao me ver tentar desesperadamente despertar a tapas um Richard em estado
aéreo.
— Não vou deixar nenhum dos dois para trás! — esbravejei e poderia jurar que Shakur
disfarçou um sorriso mordaz.
— A matemática é simples: um morre, três sobrevivem — Shakur respondeu de cabeça
baixa e de costas para mim. — Só tenho como carregar um dos dois.
— Não! — Novo choro fino saiu por minha garganta.
— Então morreremos os quatro — rebateu ele com a voz fria. — Eu, Richard e sua mãe
em alguns instantes e você daqui a alguns dias, após Von der Hess a torturar até o último fio
de cabelo para conseguir dar cabo de seus planos diabólicos.
— E-Eu, eu...
Uma ideia cintilou em minha mente acelerada e, sem hesitar, segurei o rosto perfeito de
Richard entre minhas mãos ainda presas por cordas e tasquei um beijo em sua boca. Beijei-o
com vontade, apertando seu corpo contra o meu com aflição e desejo. Sorri aliviada ao vê-lo
empertigar no lugar, reabrir os olhos e inspirar profundamente, mas, no instante seguinte, ele
tornava a tombar, desorientado, na parede atrás de si.
— Não adianta. Não temos poderes aqui dentro — suspirou Shakur ao me ver em estado
de choque.
Como assim? Ele sabia dos meus poderes? Droga. Droga. Droga! Não podia ser assim!
Eu não podia abandonar minha mãe e muito menos Richard.
— Decida-se! — bradou nervoso e começou a esfregar a parte ainda intacta da máscara
de metal. — Nosso tempo está se esgotando!
— Então será meio a meio! Dois morrem, dois se salvam — engoli em seco e determinei,
decidida de que estava tomando a atitude correta.
— Hã? — ele interrompeu seu cacoete e começou a me estudar.
— Eu fico com Richard. Você salva a minha mãe — segurei na marra a dor que ameaçou
se alastrar pelo meu peito. Eu mal conseguira reencontrar Stela e acabara de abrir mão dela,
mas, apesar de tudo, algo me dizia que meu lugar era onde Richard estivesse. — Por favor,
cuide dela pra mim.
— Você vai... ficar... com ele? — Arregalados, os marcantes olhos azuis de Shakur se
destacaram na penumbra do ambiente. — Vai arriscar sua vida por um zirquiniano?
— Ele fez muito mais por mim — confessei sem sair de perto de Richard.
Shakur levou uma das mãos à boca. Quando a retirou, ele exibia um sorriso estonteante,
igual ao que vi na fotografia em que abraçava a mim e mamãe, e caminhava a passos largos
em nossa direção: — Vamos lá, garota! Ou morreremos todos ou sobreviveremos os quatro!
— vibrou ele, pegando-me novamente de surpresa.

meditação di´~aria (cecp) dia 18

Nenhum desassossêgo pode perturbar-me 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

29 - Eliminando o Ódio: Expurgando o veneno - YOD YOD RESH


29 - Eliminando o Ódio: Expurgando o veneno - YOD YOD RESH
Eu vi o inimigo, e somos nós. – Pogo -

REFLEXÂO:Toda forma de destruição, incluindo os desastres naturais, ocorre por um único motivo: o ódio da humanidade em relação a nossos semelhantes.
A Cabala ensina que furacões, enchentes, terremotos e doenças são gerados pelo ódio coletivo que arde em nossos corações.
Na verdade, não existe desastre natural, apesar do que está escrito em nossas apólices de seguro.
O comportamento e o coração humanos são os únicos fatores determinantes do que ocorre em nosso meio ambiente e entre as nações.
Aqui está o que os antigos cabalistas têm a dizer sobre este assunto-. Se uma pessoa testemunha qualquer forma de ódio - em sua própria rua ou em qualquer lugar do mundo -, isto significa que, em alguma medida, esta pessoa ainda tem ódio em sua própria alma.
Se nutrimos o mais diminuto ódio ou animosidade por outra pessoa - por qualquer motivo que seja, válido ou inválido, quer estejamos conscientes disto ou quer neguemos o fato para nós mesmos -trazemos destruição para o mundo.
Limpando o ódio de nossos corações, podemos remediar de imediato todos os problemas do mundo, eliminando sua causa.
AÇÂO:Seja dolorosamente honesto!
Reconheça todas as pessoas de quem você sente raiva, inveja a quem você deseja o mal ou por quem sente total aversão, ou uma combinação desses sentimentos.
Com a Luz deste Nome, jogue fora todos os sentimentos negativos com uma trouxa de roupa molhada.

Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária

Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
AS IDÉIAS REPENTINAS QUE VÊM À MENTE SÃO IMPORTANTES.
 
Quem pretende realizar algum trabalho verdadeiramente grandioso deve estar sempre sintonizado com a Sabedoria de Deus. De vez em quando, você tem idéias maravilhosas que surgem repentinamente, não é? Essas idéias maravilhosas são a própria Sabedoria de Deus presente no Universo. Em outras palavras, sua fonte está na Imagem Verdadeira do Universo.

276 minutos de sabedoria

EVITE acusar e criticar.Procure, antes, colaborar, sobretudo com
seu exemplo digno e nobre.Tudo tem sua razão de ser na vida, embora
nem sempre saibamos compreender, porque não temos uma visão completa, jáque só podemos ver a superfície das pessoas e coisas. Deixe o julgamento Àquele que vê oscorações e que está dentro de cada um denós, lendo os mais secretos pensamentos e intenções.