CAPÍTULO 4
— Isso é ridículo! — trovejou Shakur e tive a impressão de que os homens de branco
tremeram por um instante. — Vocês estão brincando com coisa séria. Há centenas de anos
não fazemos isso. Para que acordar Malazar?
Havia uma sensação de inquietude no ar. A acústica não parecia mais tão perfeita como
antes e escutei os uivos do vento fazendo um coro mórbido, como se houvesse um choro de
espíritos do lado do grande domo de energia. Von der Hess pareceu desconfortável com a
situação. Estremeci.
— Foi decisão da maioria, caro Shakur — respondeu Sertolin com a voz rouca.
— O que querem provar com isso?
— Que o que ele fez foi grave demais! — intrometeu-se Napoleon. Sertolin mantinha a
cabeça baixa e andava de um lado para o outro. Napoleon avançava com claro sarcasmo na
voz: — Preciso relembrá-lo, caro líder, de que esse resgatador matou Collin, seu próprio filho,
tornou-se um desertor, fez uso das pedras-bloqueio, acobertou a híbrida e ainda a ajudou a
fugir? Isso sem contar com os rumores que chegaram até nós, mas que não temos como
comprovar já que a híbrida ainda se encontra viva...
— Que rumores? — questionou Shakur, a voz dura como o aço.
— Que Richard de Thron tentou acasalar com a híbrida!
Shakur pareceu não esperar por aquela resposta e, apesar de ter sido um único instante,
vi quando ele engoliu em seco e hesitou. Foi o tempo suficiente para que todos os magos
olhassem em minha direção. Sertolin continuava a encarar o chão enquanto o murmurinho
generalizado dos soldados preencheu os vazios naquela atmosfera artificial em que nos
encontrávamos.
— A catacumba de Malazar servirá de exemplo para os zirquinianos que ousarem violar
as normas de forma tão absurda como Richard de Thron o fez! — bradou Napoleon.
— Deixem-me concluir o serviço e vingar a morte de meu filho, Collin. Permitam-me levar
esse resgatador para Thron e submetê-lo aos castigos de meu reino. Dou-lhes minha palavra
que eu mesmo me encarregarei da sua partida — pediu o líder de negro e Napoleon repuxou
os lábios, segurando um meio sorriso de satisfação por presenciá-lo fazer esforço descomunal
e engolir seu orgulho. Shakur nunca pedia, ele mandava. — No final das contas dará no
mesmo e não sujeitaremos Zyrk a um mal sobre o qual não teremos controle, caro conselheiro.
— É tarde demais — rebateu o homem cadavérico. — O Grande Conselho não volta
atrás em suas determinações.
— Mesmo quando tem ciência de um erro? — indagou Wangor enfrentando-os. — Sendo
assim, acho que não são muito diferentes de nós, meros zirquinianos.
Meu avô era realmente bom com as palavras, como todos diziam. Kaller concordou,
liberando uma risada mordaz em retribuição e Shakur balançou a cabeça positivamente.
Mesmo sem esboçar movimento, por um breve instante, vi uma expressão vívida se formar na
face do abatido Leônidas. Von der Hess parecia agitado. Era impressão minha ou os líderes
começavam a se entender e ir contra o Grande Conselho?
— Pense antes de expressar suas opiniões, Wangor — advertiu-o Napoleon. Sertolin
permanecia com a fisionomia pensativa. — Está decidido! Richard de Thron será levado para
execução na catacumba de Malazar assim que chegarmos a Sânsalun.
— Seus estúpidos! — Shakur forçou uma gargalhada alta. Sua paciência tinha ido para o
espaço. — Não enxergam que é com o demônio que estarão lidando?
— Malazar já recebeu oferendas em sua catacumba no passado e nada aconteceu! —
rebateu Trytarus.
— Nada aconteceu porque Zyrk era um caos na época! Seria muito esforço para uma
recompensa tão pequena. Mas agora temos a híbrida em nosso poder, seu idiota! Ou você
acha que a besta não tem conhecimento disso?
— Meça suas palavras ao falar comigo, Shakur! — ameaçou nervoso o tal do Trytarus.
— Não se esqueça de que também podemos condenar um líder à catacumba! Vejo um futuro
muito sombrio em seu caminho.
— Suas visões estão há mais de uma década atrasadas, caro colega! Se não percebeu,
eu já vivo nesse caminho sombrio há muito tempo! Diga algo relevante, imbecil! — Shakur
trovejou.
— Não! — advertiu de forma séria Sertolin para o mago vidente ao vê-lo se empertigar
no lugar.
— Vejo sua partida dessa dimensão! — Trytarus bradou sem dar atenção ao alerta de
Sertolin. Shakur havia ferido seu orgulho. — E... ocorrerá... em breve... Argh!
Sertolin balançava a cabeça, inconformado, enquanto Trytarus se contorcia ao seu lado,
a pele ficando arroxeada, a garganta emitindo um chiado estranho. Ele estava asfixiando.
— Milorde, não! — intercedeu Braham. — Acalme-se, meu senhor. Estamos todos
tensos. Trytarus errou, mas não o puna. Liberte o nosso irmão, magnânimo.
Silêncio generalizado.
Constatado: o pequenino Sertolin era realmente poderoso. Ele mal parecia fazer esforço
para punir o outro sujeito que também era um mago. Após um momento de expectativa,
Sertolin piscou forte e Trytarus caiu no chão ao seu lado, zonzo e aspirando o ar de maneira
desesperada.
— Mestre, desculpe, eu não sei o que deu em mim, eu... — tentou argumentar Trytarus,
mas Braham fez um sinal com a cabeça para que ele ficasse quieto. Ele parecia ser muito
sensato, mesmo sendo o mais jovem de todos. Sertolin continuava com o semblante
transtornado, ilegível. Não conseguia entender, mas podia jurar que detectei um lampejo de
amargura por detrás daquele seu acesso de fúria.
A visão de Trytarus gerou emoções opostas entre os presentes. Shakur não era um
sujeito que gerasse sentimentos pela metade. Era tudo ou nada. Se alguém não o adorava, na
certa o odiava. E isso ficou estampado no que acabava de observar ao meu redor: sem
sucesso, Wangor e Kaller tentaram disfarçar seu contentamento mantendo uma postura
impassível e diplomática. Von der Hess e Kevin escancararam o sorriso de satisfação. Os
homens de Thron, por sua vez, ficaram apáticos, quase um bando de zumbis. Em poucos dias
eles perderam seu norte, seus adorados líderes. Sem Richard, Collin ou Shakur, quem iria
comandá-los? Senti-me muito mal por eles. Sabia que Richard matara Collin para me salvar e
os abandonara por minha causa. Agora Shakur também acabaria morrendo e uma voz sinistra
sussurrava em meus ouvidos que eu seria a culpada. Chacoalhei a cabeça e observei Shakur
por um instante. Sua figura intimidadora e fria, o corpo inteiro sempre coberto de negro, suas
cicatrizes de queimaduras, os resquícios de alguém que já sofrera o suficiente por muitas
vidas, e, sem que eu conseguisse mapeá-la, senti uma emoção estranha se espalhar por
minha alma...
Shakur pareceu perceber que eu o observava, encarou-me com vontade e, após enrijecer
por um momento, desatou a gargalhar. Realmente gargalhar de felicidade. Parecia
imensamente satisfeito com a notícia de sua morte iminente. Pobre criatura!
— Eu já morri há muito tempo, seu idiota! — disse em meio às insanas gargalhadas. —
Mas agora sou eu quem fará uma previsão que não esperará décadas para acontecer, caros
colegas. Aliás, direi o dia exato — rebateu Shakur com sarcasmo demoníaco. — Dentro de
quatro luas essa dimensão estará arruinada se vocês continuarem com essa ideia absurda da
oferenda na catacumba de Malazar. Não há magia que consiga deter tal demônio, seus
estúpidos! Se não fosse por Chawmin, Malazar estaria solto há muito tempo e nada do que
conhecemos existiria. Nada.
— Se vai morrer em breve, por que se preocupa tanto com o que vai acontecer com
Zyrk, caro Shakur? — sibilou Von der Hess.
— Porque não desejo que um bando de imbecis como vocês acabem destruindo tudo que
construí! Porque a nossa dimensão será arruinada num piscar de olhos.
— Sei... Um líder sanguinário e maníaco por poder como você querendo nos pregar essa
moral? Acha que acreditamos nesse seu amontoado de desculpas esfarrapadas? Diz logo o
seu plano, mascarado. Você nunca joga para perder — alfinetou Von der Hess.
“Shakur nunca joga para perder.” As mesmas palavras de Rick... Céus! Seria uma nova
jogada dele? Quem estava falando a verdade?
— Meu plano é arrancar sua cabeça de lombriga com as minhas próprias mãos e colocála
como aperitivo para Malazar — rosnou Shakur. — Na certa a besta morreria envenenada e
ficaríamos finalmente livres!
— Calados! — ordenou Sertolin quando um ruído ensurdecedor preencheu o lugar, e
várias trincas, vários curtos-circuitos pipocaram pela bolha de energia que nos envolvia,
permitindo que uma ventania violenta forçasse caminho por elas. De repente, tudo voltou a
ficar em silêncio e, quando dei por mim, todos os membros do Conselho denunciavam
fisionomias que variavam entre enfurecidas ou preocupadas.
— Guimlel! — berrou assustado um dos magos de branco que até então permanecera
calado. — Como conseguiu entrar?
A aparição intempestiva de Guimlel me fez recordar de imediato da promessa que havia
lhe feito e que não consegui cumprir: afastar-me de Richard se realmente o amasse e
quisesse mantê-lo vivo. Um nó de culpa se formou em minha garganta, mas uma pontada de
esperança crescia em minha alma. Guimlel não estaria ali à toa. Ele veio ajudar Richard!
— Esqueceu com quem está falando, Artholil? Trytarus não previu minha aparição? —
Guimlel estalou a língua com claro desdém e abriu um sorriso forçado. Imaginei que Shakur
acharia graça daquela piada, mas sua postura rígida e seu semblante hostil mostravam o
contrário. Guimlel continuou: — Aliás, devo confessar que foi decepcionante esse escudo
energético que colocaram aqui. Achei que após a minha saída vocês desenvolveriam uma trava
mais forte, algo que realmente os protegesse de visitas inoportunas — disse essa última frase
displicentemente enquanto fazia varredura em todos.
— Você não é bem-vindo aqui, Guimlel — rebateu Napoleon nervoso. — Não foi
convocado.
— Eu me convoquei — respondeu o médium sem alterar o tom de voz brincalhão. Com
os lábios repuxados, Guimlel olhou rapidamente em minha direção e fechou a cara. Ao ver
Richard desacordado próximo a Shakur, sua expressão ficou ainda pior e suas pupilas
vibraram. Eu poderia jurar que sua ira seria voltada para mim, à minha cáustica presença na
existência de Rick, mas estranhamente era o líder de negro a quem ele encarava com fúria. E
parecia ser recíproco, porque Shakur estava com a postura mais enrijecida do que antes.
Apesar de ser magro e não ter o porte largo de Shakur, Guimlel era uma figura igualmente
imponente com seus quase dois metros de altura.
— E posso saber por qual motivo, caro Guimlel? — indagou Sertolin de forma educada.
A expressão vacilante do pequenino líder demonstrava que ele era atormentado por algum tipo
de conflito.
— Para relembrar a fraca memória dos caros colegas — Guimlel respondeu de forma
gentil.
— Sobre que assunto especificamente? — insistiu Sertolin.
— Sobre o grave erro com relação à execução de Richard de Thron!
Graças a Deus!
Pelo olhar de assombro das pessoas ali presentes, tudo indicava que era verdade o que
a Sra. Brit havia me contado: ninguém sabia que Guimlel foi como um pai adotivo para Richard
durante onze anos.
— Eu admiro seus lampejos de loucura, caro Guimlel — suspirou Von der Hess. — Achoos
sedutoramente corajosos.
— Obrigado — respondeu Guimlel, estalando o pescoço como se estivesse se alongando
antes de dar início a uma luta.
— Pare com esse showzinho e fale logo! — trovejou Shakur impaciente.
— Vejo que seu temperamento continua o mesmo — rebateu o médium com um sorriso
cínico, mas seu olhar felino denunciava o contrário.
Foi a primeira vez que Shakur ameaçou sair de seu lugar, mas recuou, provavelmente ao
se chocar com o campo de energia que o envolvia. O poderoso Guimlel, diferentemente de
todos nós, passeava livremente pelo domo. Recordei-me das explicações da Sra. Brit de que
ele havia pertencido ao Grande Conselho no passado, e que saíra de lá desde que fora taxado
como louco.
— Diga logo, Guimlel! — ordenou Sertolin, começando a perder a paciência.
— Antes de condenarem qualquer zirquiniano ao Vértice, o Grande Conselho deveria
checar com os mensageiros interplanos a respeito da procriação da vítima.
— Não fazemos essa tolice há anos! — guinchou Napoleon.
— Pois eu sempre averiguo — retrucou Guimlel de forma enigmática. — Tive a sorte de
tomar conhecimento de algo fabuloso. Por que não checam o que os mensageiros me
disseram desta vez?
— Meu líder afirma que se é para discutir tais bobagens ele prefere se retirar. Não está
se sentindo bem — replicou a voz ofídica de Von der Hess.
— Você fica — ameaçou Shakur.
— Quem pensa que é para me dar ordens, mascarado? — rebateu Von der Hess. —
Nós estamos nesta reunião porque desejamos e sairemos quando bem entendermos. — Von
der Hess ajeitou o capuz na cabeça e passou os braços ao redor de Leônidas. — Até a
próxima, caros senhores — concluiu e acenou para o Conselho.
O som estridente de uma trovoada aconteceu no mesmo instante em que ele se
despedia. A seguir havia silêncio e...
Von der Hess e Leônidas permaneciam ali!
— Soltem-nos! — Von der Hess ordenou nervoso, olhando de maneira assustada de
Sertolin para Shakur. — O que está havendo aqui?
— Se importa em ficar por mais alguns minutos conosco, caro Leônidas? — indagou
Sertolin repentinamente. O velho líder tinha os olhos arregalados. Guimlel abriu um sorriso
preocupado, Wangor e Kaller permaneciam atordoados e a metade visível do rosto de Shakur
estava deformada de ódio. Ele empurrava os braços para cima, como se quisesse se ver livre
daquela barreira invisível.
— Meu senhor está exausto e... — Von der Hess titubeou e recuou.
— Eu aguento — confirmou Leônidas com um gesto positivo de cabeça. — Você nunca
me contou sobre essa questão de procriação, Hess.
— Não ia desgastar sua frágil saúde com tolices, meu senhor — respondeu o mago
albino.
— Se eu soubesse disso, talvez as coisas pudessem ter sido diferentes... Se meu
Daniel... — A voz de Leônidas saía num murmúrio sofrido.
— Ninguém muda o destino, milorde — Von der Hess respondeu ao seu líder, mas
encarava Shakur de um jeito diferente, como se o analisasse com interesse agora.
— Eu quero ver o que esses mensageiros interplanos disseram para ele. — O líder de
Marmon apontou para Guimlel.
— Ótimo! — rebateu Guimlel satisfeito. Ele gesticulava como um apresentador de
programas de auditório. — Como todos já sabem — explicou olhando para os líderes —, os
mensageiros interplanos nos relatam o melhor dia e parceiro de procriação para os
zirquinianos. Mas não se trata apenas disso. O que está em jogo é a manutenção do poder. É
por isso que temos os melhores exemplares do nosso lado. Nossos filhos são belos, fortes e
inteligentes, enquanto as crias das sombras continuam cada vez piores. O Grande Conselho
sabe que precisa de crias “adequadas” para manter o tênue equilíbrio de Zyrk. — Guimlel tinha
a expressão modificada agora. Parecia que dava uma espécie de repreensão aos líderes. —
Não é mera coincidência que os filhos dos líderes sejam os melhores resgatadores de Zyrk...
— Meu Daniel era imbatível — Leônidas liberou um choro fino. — Ainda hoje não acredito
na morte estúpida que teve.
Vi Wangor engolir em seco e abaixar a cabeça. Leônidas não sabia sobre o fato de ter
sido Dale, meu pai, o responsável pela morte de Daniel, seu filho?
— Dale era meio instável, mas também era muito bom com as armas, caro Wangor —
comentou Guimlel com um sorriso mordaz.
Wangor permaneceu cabisbaixo e nada respondeu.
Meu pai era instável. O que todos queriam dizer com aquilo? Guimlel sabia que Dale
matou Daniel e tripudiava sobre meu avô?
— Não foi o seu caso, mascarado. Você não teve muita sorte com a sua cria — Guimlel
tornou a se dirigir a Shakur, que, para minha surpresa, também não reagiu. Pelo contrário, vi
seus ombros tombarem após fechar os olhos. Perto dele, o corpo ferido de Richard tinha
espasmos involuntários, como se estivesse em convulsão.
Ah, não! Ele estava piorando!
— Aonde quer chegar, Guimlel? — Havia expectativa no tom de voz de Sertolin.
— Que a situação mudou, Mon Senhor! — Guimlel ficou repentinamente sério. — Que
não é apenas com inteligência que se ganha uma batalha e se governa uma dimensão.
Precisamos de homens! Termos os melhores exemplares é ótimo, mas não teríamos número
de soldados suficientes para enfrentar uma batalha caso nossas sombras se unissem e
rebelassem contra nós. Não percebem? Elas estão se multiplicando desordenadamente. E,
graças ao descaso dos senhores com relação a essa checagem com os mensageiros
interplanos — disse com fisionomia feroz —, algumas sombras tiveram crias com elevado grau
de inteligência. Estas poucas cabeças pensantes se tornarão líderes e perceberão que estão
em número superior ao nosso. Logo incutirão na mente de seus comandados a se voltarem
contra nós. Não seremos apenas depostos, seremos eliminados, e Zyrk será governada pela
escória do mundo! Não enxergam que a estupidez dos senhores está condenando Zyrk, assim
como a segunda dimensão? Precisamos nos preparar! Existem horrores mais iminentes do que
a híbrida!
— Vá direto ao ponto, Guimlel — ordenou Sertolin, visivelmente desconfortável com a
situação.
— Richard de Thron só poderá cumprir sua pena após a data de seu acasalamento —
disse por fim.
— O quê?! — questionou Napoleon intransigente.
— Os mensageiros afirmaram que ele será o procriador do exemplar mais poderoso que
Zyrk já produziu nesses milhares de anos, o único que poderá enfrentar Malazar e matar as
bestas da noite! Tornaremos a ter poder e faremos a balança do domínio voltar a pender para
o nosso lado.
Naquele instante a felicidade que senti por saber que Richard teria mais algum tempo de
vida foi parcialmente corroída por um ciúme enlouquecedor. Saber que quem desfrutaria
aquele momento mágico com Richard não seria eu, mas sim Samantha, fez ferver minha mente
e hormônios. Fui trazida à realidade pela risada falsa de Von der Hess. Shakur permanecia
imóvel e de cabeça baixa, os demais líderes estavam atordoados com a notícia enquanto os
senhores do Conselho argumentavam entre si.
— Mas o resgatador de Thron está em péssimas condições. Morrerá antes mesmo de
chegar ao dia do seu acasalamento — soltou Leônidas em alto tom.
— Não se o nobre Conselho me permitir chamar uma pessoa para tratá-lo — retrucou
Guimlel para Sertolin.
O pequeno líder ficou pálido e, sem que eu pudesse esperar, desapareceu bem diante de
nossos olhos. Alguns segundos depois ele estava de volta e trazia uma caixa brilhosa em suas
mãos enrugadas.
— O que ele diz é verdade — anunciou Sertolin. — Chamem Labrítia! O condenado
ficará preso até a data de seu acasalamento e, em seguida, será dado em sacrifício a
Malazar.
terça-feira, 1 de maio de 2018
Oração do dia 1 Palavras para o Renascimento.
Oração do dia 1
Palavras para o Renascimento.
No céu e na terra, tudo começa com o “agora”. No “agora”, renascemos. Agora, eu comando minha própria vida. Sou dono de minha vida. Neste momento, renasço com mais força e coragem, preparado para o trabalho e para a vivência de um novo dia. Estou pronto para me dedicar ao meu trabalho com o máximo entusiasmo. Avanço nesta jornada da vida com o coração repleto de alegria, pois tenho a convicção de que tudo que desejo já foi providenciado por Deus. Estou ciente de que Deus está presente em mim jamais deixo de sentir Sua presença. Hoje também sinto dentro de mim a força onipotente e ilimitada que me sustenta sempre, o dia todo. Aconteça o que acontecer na minha vida, nunca estou despreparado para enfrentar quaisquer situações. Se a situação exige sabedoria, estou provido de sabedoria; se exige a manifestação de amor; estou com o coração repleto de amor; se exige coragem; estou provido de coragem; se exige força, estou provido de força. Minha vida está em perfeita comunhão com Deus. A água da vida flui eternamente do âmago de meu ser. Deus, que é verdade, ensina-me tudo e me conduz ao caminho da verdade. Sou protegido pela Força onipotente. Tenho dentro de mim a fonte da força ilimitada. Dessa fonte emana uma força misteriosa e também uma sensação de grande paz. Com certeza, todas as pessoas com que eu entrar em contato no dia hoje sentirão que na atmosfera que emana de mim existe uma força mágica. Estou ciente de que esta força mágica é a força do Ser Eterno que está presente no meu interior. Agradeço ao Ser Eterno.
meiditaão diária (cecp) dia 01/05
Focalizo toda as minhas energias na realização das minhas aspirações
segunda-feira, 30 de abril de 2018
7 - DNA da Alma: Recolocando as coisas no seu estado perfeito - ALEF KAF ALEF
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REFLEXÂO:Antes do início dos tempos, a Luz infinita do Criador se escondeu para criar um ponto de escuridão, um espaço no qual nosso universo pudesse ser gerado.
O objetivo disto era criar uma arena onde não houvesse Luz e ordem, onde pudéssemos, através de nossos próprios esforços de compartilhar e escolher o bem em vez do mal, criar nossa própria Luz espiritual.
Para esconder a Luz infinita, foram erguidas dez "cortinas", cada uma reduzindo um pouco mais a Luz do Criador, até ser criado um lugar praticamente destituído de Luz.
Este é o nosso mundo de caos, de confusão e da segunda lei da termodinâmica, que afirma, entre outras coisas, que tudo deve enfim passar por um processo de deterioração e degeneração - todas as coisas devem se tornar cada vez mais desordenadas.
Isto é conhecido como entropia.
(Se por acaso você já tiver pensado algo assim, é por causa disso que precisa de um litro de água para cozinhar macarrão e de uns dois litros pra lavar a panela.)
As 22 letras do alfabeto hebraico são os instrumentos da Criação.
Elas são o DNA do nosso universo e da nossa alma.
Este Nome nos conecta com o poder total dessas 72 forças da Criação, o que é muito bom, porque traz renovação, ordem e força criativa para as áreas onde precisamos desesperadamente disto.
AÇÂO: Você recebe o impacto total das forças da Criação.
Você devolve sentido a vidas que muitas vezes, parecem sem sentido, e propósito para um mundo que, muitas vezes, parece sem propósito.
A ordem retorna.
A estrutura emerge.
Tudo se arruma.
MEDITE NESTAS LETRAS E VOCALIZE: Acá
AÇÃO: Experimente servir uma outra pessoa. Pode ser levar um
café na cama para um parente, varrer o chão do local onde você
trabalha. Enfim, seja solidário através de uma ação concreta.
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Minutos de Sabedoria 136
Minutos de Sabedoria
136
Derrame raios de sol de alegria em torno de si. Desta maneira, formará um círculo de pessoas que sentirão prazer em estar a seu lado. Quando algum amigo seu estiver triste, sabe que encontrará alegria em você. Derrame sua luz sobre todos os que o rodeiam, porque a alegria é obra Divina. Seja um raio de luz a iluminar as criaturas que se acercam de você.
Carlos Torres Pastorino
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
MENTALIZANDO-SE A GRANDIOSIDADE, ELA MANIFESTA-SE CONCRETAMENTE.
Nossa verdadeira natureza é o “ser humano perfeito”. E surgimos na face da Terra para manifestar concretamente essa natureza verdadeira. É fato que “mentalizando-se a grandiosidade, ela se manifesta concretamente”. Não se subestime jamais. Mentalize que você é um ser grandioso. As pessoas tornam-se aquilo que acreditam ser. Esta é uma Verdade imutável.
95- Louise Hay
95- “Liberto-me de toda resistência ao dinheiro e permito que ele flua alegremente para a minha vida.”
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 3
Todos os homens tiveram que remover suas armas e abandonar seus animais. Visto de
longe, parecíamos um grupamento de escravos marchando como num cortejo fúnebre. Uma
procissão dentro de um silêncio perturbador pelas planícies decadentes de Zyrk. Todos
pareciam saber que se tratava de uma marcha da morte para a morte. Uma parte dos
soldados de branco ia abrindo caminho. O meu animal fora amarrado ao de Napoleon e
cavalgávamos lado a lado. Ficando sempre atrás do cavalo de Shakur, o mago girava sua
cabeça com frequência de mim para Shakur, estudando-nos com enervante interesse.
Dois outros grupos de soldados de branco vinham atrás de nós. Um deles ficava em uma
estratégica posição intermediária, dando cobertura a Napoleon enquanto vigiavam Kevin e
Richard, ambos amarrados em seus animais. O corpo exangue e sem vida de Richard vinha
tombado sobre um cavalo malhado, que, incomodado, remexia-se com frequência, fazendo o
pescoço de Richard ganhar ângulos cada vez mais retorcidos. Sentia meu corpo enrijecer por
inteiro nas vezes em que, ainda inconsciente, eu o escutava soltar gemidos de dor. Não
poderia cometer novamente a idiotice de demonstrar meu interesse por Rick. Eu o tornara
vulnerável e foi por me amar demais que ele estava ali, naquele estado. Por ter optado me
poupar e decidido entregar suas armas ao crápula do Kevin. Agora era a minha vez de
retribuir. Mas como o livrar daquela gente e ajudá-lo? Minha mente rodava dentro de um
furacão de possibilidades e ideias. Mas uma certeza me fazia permanecer mais forte do que
nunca: eu não podia perdê-lo. Eu não ia perdê-lo! Algo em mim dizia que Rick ia aguentar. Ou
seria apenas desespero e negação?
Precisava ter muito cuidado com minhas reações, principalmente sabendo que Kevin
estava ali. Nas poucas vezes em que girei a cabeça sobre os ombros fingindo me ajeitar sobre
o cavalo e alongar o pescoço quando, na verdade, desejava checar o estado de Rick, dava de
cara com os olhos de serpente de Kevin me observando com intensidade. O maldito fazia
questão de me provocar olhando de Richard para mim e abrindo um discreto sorriso de triunfo.
No entanto, eu podia captar que as coisas também não estavam boas para o seu lado.
Algumas vezes eu o observei de rabo de olho e detectei tensão em seu rosto louro ofídico.
Atrás de nós marchava uma comprida fila de homens amarrados em sequência em uma
grande corda. Depois de horas caminhando por lugares áridos e escarpados, eles começaram
a reclamar de fome, sede e cansaço, mas o segundo grupo de soldados que vinha em seu
encalço não lhes dava atenção e, impiedosamente, forçava-nos a imprimir um ritmo ainda mais
forte. Dentro do torturante silêncio da expectativa, a viagem permanecia tensa. Napoleon não
permitiu nenhuma parada e nossa escassa alimentação foi baseada em tâmaras e ameixas
distribuídas por dois soldados de branco. A água era racionada e fornecida apenas para o
seleto grupo de pessoas montadas. Não reconheci o caminho que Napoleon e seus homens
tomaram, e supus que devíamos estar cavalgando nas áreas neutras da terceira dimensão.
Não passamos nas proximidades da Floresta Fria, do Pântano Negro ou de nenhum dos reinos
que conheci. A atmosfera cinza de Zyrk ficava cada vez mais pesada, tingida de chumbo, e os
únicos sinais de vida presente, como pequenas aves, riachos e vegetações rasteiras, foram
ficando para trás e dando lugar a uma trilha desértica e fria. Eu não precisava olhar para o céu
para saber a hora do dia. Bastava verificar o semblante de preocupação nas faces dos
homens de Shakur e Kevin. O grande terror de todos os zirquinianos apareceria em breve: as
bestas da noite de Zyrk! Jamais me esqueceria das faces de pavor de Max e seus homens em
nossa corrida desesperada para Storm.
Fisgadas de inquietude e ansiedade começaram a me incomodar. O céu ganhava
pinceladas de um azul enegrecido e mortal. Vasculhei ao redor e não encontrei lugar algum
onde pudéssemos passar a noite. O exército branco continuava em sua marcha firme e
constante, alheio ao pânico em ascensão. Reclamações dos homens presos atrás de nós
romperam a mordaça do silêncio. Bramidos por clemência e xingamentos eram seguidos de
berros de desespero, agonia e dor. Dor?
Virei a cabeça para trás e detectei o pequeno tumulto. A agitação entre os presos estava
sendo contida com severidade pelos soldados de branco. Encarei Kevin, que desviou o olhar
de mim, mas poderia jurar que suas pupilas estavam completamente verticais agora, evidência
do perigo iminente. Napoleon e seus homens permaneciam indiferentes ao pavor que se
alastrava pelo grupo. Apesar de estar de costas para mim, também não detectei qualquer sinal
de preocupação de Shakur. O líder de preto não levantou a cabeça para analisar o céu ou fez
qualquer movimento de cabeça ou corpo durante toda a viagem. O estranho homem parecia
estar em um tipo de transe ou algo parecido, pois sua postura ereta confirmava que ele não
estava dormindo. Tornei a olhar para o céu que agora já era completamente cinza escuro.
Tremi.
Mas que droga! Eles não iam se esconder? Eles não pretendiam fugir? Que loucura era
aquela?
— Armar acampamento — ordenou Napoleon repentinamente para seus comandados.
Ali? A céu aberto?!
Sem conseguir abrandar minha respiração, só deu tempo de piscar algumas vezes e
então, sem mais nem menos, a noite caiu. Um negrume tão absoluto que eu não era capaz de
enxergar um palmo à minha frente. Esmagando as cordas que me aprisionavam, minhas mãos
desataram a suar e meu coração começou a bater forte no peito. Aquela taquicardia não era
bem-vinda. Podia pressentir algo ruim se aproximando. Droga! Droga! Droga! O que aqueles
magos sádicos estavam planejando agora? Uma carnificina? Os cavalos começaram a
relinchar, nervosos. O meu animal desatou a balançar a cabeça de um lado para o outro e
arrastava as patas no chão.
— Ôoooo! — pedi, tentando camuflar a tensão em minha voz. Parecia ridículo tentar
acalmá-lo quando meu pulso já havia atingido uma velocidade assustadora.
O murmurinho de vozes começou a se avolumar e, em questão de segundos, o chão
começou a tremer. Ah, não! Eu já havia passado por aquilo antes para saber que não se
tratava de um terremoto... Não precisava fechar os olhos para tentar segurar a onda de pavor
que me tomava. Já estava cega dentro daquela macabra escuridão. Desesperada em me
soltar, desatei a morder as cordas e cheguei a ferir meus pulsos com os dentes.
— Nós vamos morrer! — ouvi o berro que estava guardado em minha garganta vir lá de
trás, provavelmente de um dos homens presos.
— Calado! — Foi a primeira advertência bramida no breu absoluto. Ela conseguia a
façanha de ser, ao mesmo tempo, serena e ameaçadora.
A segunda advertência viria em seguida e seria ainda mais esmagadora: o ganido de um
animal.
Ah, não! Ia acontecer!
— Vocês são loucos! As feras vão nos dilacerar nesse descampado! — insistiu a voz
apavorada.
— Cale-se! — Foi a mesma resposta.
— Merda! Seremos todos mort... Argh!!! — O berro de dor aconteceu ao mesmo tempo
em que um clarão ofuscante explodiu no lugar, como se centenas de lâmpadas fluorescentes
tivessem sido acesas ao mesmo tempo. Mal tive tempo de contrair os olhos devido à súbita
claridade porque o horror da cena seguinte conseguiu fazer meus olhos pularem das órbitas.
Foi tudo tão rápido que tive apenas um centésimo de segundo para ver o homem que
reclamava ser contorcido e arremessado no ar e, em seguida, uma chuva de sangue jorrar
sobre nossas cabeças juntamente com partes dilaceradas do seu corpo. Elas só não nos
atingiram porque, subitamente, estávamos sob a proteção de um campo energético invisível,
uma gigantesca bolha de sabão mágica. Reencontrei minha respiração.
— O aviso foi dado! Não ousem nos desafiar — bradou Napoleon para o grupo
assustado.
— Não era para não deixarem ninguém para trás? — A pergunta sarcástica de Shakur
fez Napoleon cerrar os punhos. À nossa frente, o líder de negro parecia um boneco de cera e
permanecia sem mover um músculo sequer.
— Sertolin autorizou agirmos com firmeza em caso de insubordinação — retrucou o
mago.
Uma risadinha baixa foi a resposta de Shakur. Desafiar Napoleon diante do que acabara
de acontecer? Tinha de admitir: ele era realmente um homem petulante.
— Diminuam a força! Quero chegar com sobra de energia a Sânsalun! — ordenou
Napoleon para seu grupo e as mágicas luzes fluorescentes diminuíram sua intensidade.
Claro! Era por isso que o exército de branco estava tão calmo! Eles sabiam o tempo
todo que estávamos protegidos. Eles apenas ainda não haviam “acendido” suas luzes porque a
claridade do sol os fazia poupar energia.
— Não adianta, híbrida. — O mago me pegou forçando a visão, querendo ver além
daquela bolha de magia onde estávamos aprisionados. Olhei de soslaio para ele e me deparei
com outro sorriso irônico em sua face repleta de pregas. — Não conseguirá enxergar o que
está do lado de fora do grande domo a não ser que permitamos. E o que está do lado de fora
também não é capaz de nos ver.
— A não ser que você resolva expulsar alguém — enfrentei-o com sarcasmo. Ele fechou
a cara.
— Forneçam água aos animais e os deixem descansar. Serão celas individuais para a
híbrida, Shakur, Richard e Kevin! Os demais prisioneiros ficarão em uma grade única!
Os homens de branco removeram nossos animais e retiraram as cordas que nos
amarravam.
— Argh! — urrei quando tentei dar um passo à frente e senti mais do que uma pancada
no nariz. Acabara de receber um choque elétrico! Meus músculos contraíram e, em defesa,
puxaram meu corpo para trás. Agora entendia porque ninguém havia se movimentado. Era
essa a explicação da mansidão generalizada: havia uma barreira invisível e eletrificada
envolvendo cada um de nós. Kevin soltou uma risada alta com o meu gemido, Richard
continuava desacordado e retorcido sobre o próprio corpo, Shakur permanecia indiferente a
tudo que acontecia ao seu redor, imóvel e em pé. Os demais homens foram levados dali.
Provavelmente conduzidos para a tal grade única que Napoleon mencionara, mas não consegui
enxergar mais nada porque um grande campo magnético azul-claro em forma de nuvem surgiu
bem no meio do caminho. Era o local onde os magos foram descansar após uma espécie de
oração, um cântico monótono e repetitivo. Apenas dois deles ficaram de vigília do lado de fora
da nuvem. A claridade foi cedendo e dando espaço a uma discreta penumbra.
Sentei-me no chão e me obriguei a respirar. Precisava de oxigênio para conseguir
raciocinar. Pense, Nina! Pense! Quatro. Apenas esse número pipocava em minha cabeça,
como um pisca-pisca defeituoso e chamativo. O vi de todas as maneiras, tamanhos e cores.
Quatro luas até chegarmos a esse tal de Sânsalun. Ou melhor, apenas essa noite e mais três
dias, pela contagem do Napoleon. Precisava me concentrar. Necessitava urgentemente de um
plano para sair dali, mas era inundada a cada instante com pensamentos que faziam meu
coração comprimir dentro do peito. Mesmo que conseguisse uma forma de fugir daquela
gente, como eu ia viver sabendo que deixei Richard para trás depois de tudo o que ele havia
feito por mim? Mas também tinha certeza de que, mesmo se ele estivesse em boas
condições, jamais me ajudaria no plano que estava determinada a seguir e que não abriria mão
em hipótese alguma: buscar minha mãe. Dane-se Zyrk! Dane-se segunda dimensão! Dane-se
tudo! Quando todos desistiram de mim, quando eu mesma pouca importância dei à minha
existência, foi ela quem nunca duvidou. A única pessoa que morreu dia após dia durante
dezessete anos para me manter viva precisava de mim e eu nunca mais a decepcionaria. Eu ia
salvá-la, assim como ela fez comigo. Pouco importava a minha vida agora ou a de Richard. Era
nela que eu tinha de focar. Apenas nela.
Estava sentada e com a cabeça espremida entre as mãos quando ouvi um estrondo alto,
como se uma ventania raivosa tentasse abrir passagem por uma trinca na cápsula que nos
envolvia. Uma discreta claridade se insinuou. Era exatamente isso o que estava acontecendo:
uma rachadura surgira naquele domo de bruxaria e a silhueta de uma pessoa surgira no meu
campo de visão. Os homens de vigília deram o alerta e a nuvem de energia azul-clara se
dissipou num piscar de olhos. Napoleon desatou a correr em direção à pessoa que se
aproximava. Atrás dele, seus homens mais próximos permaneciam de mãos dadas, como se
unindo forças para um ataque iminente. As luzes tornaram a acender.
— Bom serviço, Napoleon — adiantou-se um senhor bem idoso e baixinho, de barba
branca e óculos fundo de garrafa que surgia pela trinca. Logo atrás dele ainda consegui
identificar o ganido interrompido de uma besta assim que a bolha de magia voltou ao seu
estado anterior e a rachadura desapareceu.
— Milorde?! O que aconteceu? O senhor está bem? — indagou Napoleon visivelmente
atordoado. Ao longe detectei a tal grade onde colocaram os homens de Kevin e Shakur:
provavelmente uma cela elétrica idêntica à que eu me encontrava só que com proporções bem
maiores.
— Perfeitamente bem — respondeu o pequeno senhor.
— Então... O que o traz aqui?! — Havia evidente preocupação e respeito no tom de voz
afetado de Napoleon. Sua postura submissa confirmava minha suspeita: aquele pequenino
senhor era o chefe do Grande Conselho. — Tenho tudo sob controle e estávamos a caminho
de casa.
— Achei que minha presença aqui seria mais útil do que ficar em Sânsalun aguardando.
— Por que não nos comunicou que viria ao nosso encontro? — Napoleon tentava
camuflar seu evidente desconforto com a atitude do líder. — Nós o teríamos aguardado,
milorde.
— Eu sei, meu caro. Foram tantas as decisões repentinas que acabei me esquecendo.
Tinha ciência de que, como sempre, a sua parte seria feita com perfeição — bajulou-o e vi o
peito magro de Napoleon estufar de satisfação. — Onde está Braham?
— Deve estar a caminho, Sertolin.
Sertolin fechou os olhos por um instante e, sem transparecer qualquer tipo de emoção,
comunicou:
— Os primeiros convocados acabam de chegar.
— Como assim? Ainda é noite, meu senhor, e...
— Ordenei que viessem, caro Napoleon. O tempo urge e decidi deixar tudo resolvido
antes mesmo de chegarmos a Sânsalun.
— Mas, Sertolin, nós...
A bolha de magia começou a estalar. Era possível detectar alguns clarões, pequenos
curtos-circuitos aumentando de tamanho em suas margens.
— Não façam resistência! Deixem-os passar pelo campo! — ordenou o líder do Grande
Conselho para os homens de branco que obedeceram imediatamente. — Seja bem-vindo, caro
Leônidas! — adiantou-se Sertolin para o senhor gordo e com visível dificuldade de respirar que
entrava amparado por uma figura sinistra. Encapuzado da cabeça aos pés por um tecido
branco brilhoso, apenas parte do rosto do acompanhante estava descoberto, evidenciando
uma face morbidamente pálida e olhos brancos como leite. Se não fosse por um discreto
trepidar, suas pupilas finas como um fio de cabelo teriam passado despercebidas.
— Só os líderes! A minha ordem não foi clara? — ralhou Napoleon para o soldado de
olhos arregalados que acompanhava os dois. — Por que trouxe Von der Hess também?
Claro! Aquele era Von der Hess!
— Se eu não viesse junto, meu líder não suportaria ficar sob a presença da magia do
Grande Conselho, caro Napoleon. Você sabe que ela é forte consumidora de energia e a
saúde de Leônidas inspira cuidados. — A voz de Von der Hess era surpreendentemente suave,
quase feminina.
Napoleon estreitou os olhos, furioso. Von der Hess não perdeu tempo e, com um sorriso
presunçoso, acrescentou:
— Acredito estar lhes fazendo um favor. Não sei se um motim em Marmon neste tenso
momento de Zyrk seria interessante para vocês administrarem, algo com que perdessem
tempo e energia...
— Uma jogada de mestre, Hess. Vejo que finalmente conseguiu uma forma de participar
de uma reunião do Conselho — disse o velho Sertolin para o mago.
O sorriso de Von der Hess se modificou para um triunfante.
— A paciência é uma qualidade que venho desenvolvendo com os anos, Mon Senhor.
— Isso é bom... — retrucou com a voz modificada o líder do Grande Conselho enquanto
roçava a barba branca.
Novo crepitar na bolha e Kaller surgia acompanhado de outro soldado de branco.
— Seja bem-vindo, Kaller — saudou Sertolin para o líder de Storm.
— Curioso ter chegado antes de Wangor visto que Storm é bem mais distante que
Windston — comentou um mago atrás de Napoleon.
— Wangor é um velho e eu não estava em Storm — rebateu Kaller.
— Claro que você não estava em Storm... — Sertolin repetiu as palavras de Kaller,
parecendo estudar cada um dos presentes, como um experiente jogador que avaliava todas as
cartas na mão, todas as possibilidades antes da próxima rodada.
— Deseja começar a reunião agora, milorde? — indagou outro homem de branco. —
Pode ser que Wangor demore a chegar.
— Pode ser — respondeu o idoso senhor, tornando a observar com deliberada calma
cada um dos presentes e, ao se virar para mim, declarar em alto e bom som: — Quem diria
que, além de tudo, a híbrida seria uma procriadora tão bonita! Deve estar complicando as
coisas para os nossos resgatadores, não?
Sertolin começou a caminhar em minha direção, mas, de repente, ele paralisou no lugar
com os olhos arregalados e a expressão modificada quando, pela primeira vez desde a sua
chegada, ele prestava atenção à figura de Shakur.
— Você...?! — a voz do pequenino senhor saiu sem força. Ele parecia refrear a todo
custo alguma emoção que o tomava.
— Mon Senhor — Com a postura altiva, Shakur fez um discreto movimento com a
cabeça. Fiquei chocada com a forma educada com a qual Shakur o tratou. Sua voz estava,
surpreendentemente, impregnada de respeito.
Caramba! Aquele Sertolin devia ser muito poderoso mesmo porque até o temido Shakur
o respeitava.
Sertolin observou Shakur por um longo tempo em silêncio, suspirou profundamente e,
pensativo, dirigiu-se para uma posição mais central ao escutar outro ruído alto. Uma nova
tempestade elétrica e uma rajada de vento varreram o ambiente por uma fração de segundo.
No instante seguinte um soldado de branco surgiu segurando o braço de Wangor.
— Trouxe quem faltava! — bradou o sujeito de vasta cabeleira preta com alguns fios
brancos presos em uma tiara de ouro.
— Braham! — soltaram em uníssono os magos presentes que até então permaneciam
calados.
O homem sorriu de volta e soltou o braço do meu avô.
— Vovô! — gritei.
— Nina?! Você está bem? — perguntou ele com preocupação, mas não tentou vir em
minha direção.
Eu assenti com a cabeça e ele abriu um sorriso triste.
— Parabéns mais uma vez, Braham. Conseguir convencer Wangor não é para qualquer
um. Suas habilidades vêm me surpreendendo positivamente.
— Obrigado, magnânimo — respondeu o tal do Braham. Na casa dos trinta anos de
idade, ele era o mais jovem entre os magos.
De repente a fisionomia tranquila de Sertolin foi substituída por uma tensa. Ele franziu a
testa e começou a andar em círculos. Parecia agoniado com alguma coisa.
— Tudo bem, senhor? — indagou Napoleon.
— Tudo. Vamos aos assuntos que interessam. Diga os tópicos, Ferfil. — Sertolin
parecia ter pressa agora.
Um senhor de branco com cara de espantalho e nariz pontiagudo roçou a garganta:
— Primeiro tópico: o Grande Conselho determinou que a híbrida permanecerá sob seus
cuidados até que seja estabelecida a sua nova data de partida.
— Não! — rugiu meu avô. — Por favor, Sertolin, ela é minha neta. — Ele implorava
agora. — Eu lhe rogo, deixe-a ficar comigo. Ao menos até o dia da sua partida.
— Sinto muito — respondeu o senhor de barba branca, desviando o olhar. — Eu lhe
concederia este pedido se as pedras-bloqueio estivessem em nosso poder. — E, encarando
cada um dos líderes com olhos de águia, acrescentou: — Mas, como pressinto que alguma
informação importante está sendo ocultada, não posso arriscar.
— Mas, Sertolin, eu lhe prometo...
— Shhh — alertou Sertolin, fechando os olhos e balançando a cabeça em negativa. Meu
avô se encolheu, assim como meu coração. Quanto tempo ficaria em poder deles? —
Continue, Ferfil.
— Segundo tópico: o Grande Conselho condena ao Vértice, em caráter irrevogável e sob
a pena de execução simples, John de Storm, seu principal resgatador.
— Vocês não podem fazer isso! — Foi a vez de escutar o bramido de Kaller.
— John foi considerado cúmplice na fuga da híbrida — esclareceu Napoleon. — Ele está
foragido, mas receberá sua pena assim que o encontrarmos.
— Não há provas! — rebateu Kaller em tom desesperado. Tive pena dele. Mesmo
magoado com o filho, ele o defendia a todo custo. — Magnânimo Sertolin, não faça essa
injustiça. Estão cometendo um enorme equívoco. John foi influenciado pela híbrida. Ele não
traiu as normas do Grande Conselho.
— Trytarus viu John com a híbrida na Floresta Fria, Kaller. Eles estavam acompanhados
de Tom — respondeu o velho líder. — Viu mais alguém, mas não conseguiu identificar.
— Quem garante que as visões são perfeitas naquele local amaldiçoado? — Kaller
tentava convencê-lo do contrário.
— O imprestável do John não me ajudou em nada! — interrompi a conversa dos dois.
Tinha que inventar uma desculpa rápida que pudesse ajudar John. — Ele só queria se
aproveitar de mim, como todos vocês, seus zirquinianos nojentos!
Deu certo! Todos os rostos se viraram para mim.
— Eu entrei naquela floresta por conta própria, porque estava fugindo — continuei. —
Alguns dos seus tentaram me seguir, mas não foram corajosos o suficiente para enfrentá-la.
— Quase me convenceu — retrucou Von der Hess soltando uma risada abafada. — Só
faltaram as lágrimas humanas para o arremate final.
— Não se meta aonde não é chamado! — rebati.
— Não ouse duvidar da palavra da minha neta! — mentindo descaradamente e, para a
surpresa de todos, em especial de Kaller, Wangor saiu em defesa de John. — John de Storm
não ajudou Nina em momento algum. Foi tão incompetente quanto todos os meus homens! Tão
estúpidos que permitiram que uma simples garota lhes passasse a perna e conseguisse fugir
de Windston.
Von der Hess soltou outra gargalhada sinistra e seu capuz branco escorregou, deixando à
mostra boa parte do rosto horripilante. Muito mais do que ser pálido e com as córneas
completamente brancas, sua aparência meio homem, meio mulher se acentuava pela ausência
total de pelos. Ele era calvo, sem barba, sobrancelhas ou cílios.
— Deixe-a falar! — bradou Kaller. — A híbrida já está com seu futuro determinado. Não
tem nada a ganhar em nos contar a verdade!
— Verdade? — Von der Hess ridicularizava sob o exame minucioso de todos. — Ela é
uma híbrida! Preciso relembrá-los de que ela é uma bruxa com poderes obscuros?
— Bruxo é você, sua cobra albina! Quem me garante que não era você ou alguns de seus
homens atrás de mim lá na Floresta Fria? — desafiei-o feroz. — Quem nos garante que não
usou de algum tipo de bruxaria para incriminar John?
— Tão tola! E por que eu faria isso? — indagou tentando parecer indiferente. Entendi o
porquê de suas pupilas permanecerem sempre no seu estado vertical: desta forma Von der
Hess não estaria sujeito a ter suas emoções facilmente identificadas. Ele não poderia esperar,
no entanto, que eu detectaria um denunciador tremor em seu maxilar antes que ele tornasse a
cobrir o rosto com a manta branca.
Lancei-lhe um sorriso desafiador. Ele estreitou os olhos e se inclinou em minha direção.
— Calem-se! — determinou Sertolin. — Todos sabem que as visões de Trytarus nunca
falharam.
— Mas... — Kaller insistia.
— Cale-se — advertiu o velho líder com o tom de voz inalterado. — Prossiga, Ferfil.
— Terceiro tópico: o Grande Conselho condena ao Vértice em caráter irrevogável, e sob
a pena de execução máxima, Richard de Thron, seu principal resgatador. Como seus atos
ultrapassaram todas as penas de execução proclamadas por essa dimensão, foi determinado
que o mesmo será dado em sacrifício a Malazar assim que chegarmos a Sânsalun.
Mas... Malazar era Satanás!
Ah, não! Ainda que Rick sobrevivesse, dentro de quatro luas ele seria dado como
oferenda ao demônio!
Oração do dia 30 Palavras para concretizar o paraíso aqui e agora.
Oração do dia 30
Palavras para concretizar o paraíso aqui e agora.
A meditação Shinsokan para se unir ao ser absoluto consiste tão-somente em mentalizar, com a mente serena: “Deus está dentro de mim, e o paraíso existe aqui e agora”.
domingo, 29 de abril de 2018
56 - Dissipando a Raiva: Derrotando-a antes que ela derrote você - YOD KAF PE
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REFLEXÂO:
Em algum nível, todos são vulneráveis à idolatria, seja através da busca pela fama, seja através da veneração à riqueza e ao poder.
Reverenciamos imagens, especialmente a nossa própria imagem, à medida que nos sentimos obrigados a projetar para os outros.
A forma mais ostensiva de idolatria, segundo a Cabala, é a raiva.
Alguma coisa externa está controlando nossas emoções e reações.
Quando o computador pifa, perdendo arquivos importantes, e explodimos de raiva, estamos nos curvando diante de um ídolo de silicone.
Quando levamos uma fechada no trânsito e começamos a xingar, estamos idolatrando um deus metálico.
Quando perdemos a calma com nosso cônjuge ou filhos, e lhes causamos sofrimento injusto, estamos idolatrando um ídolo da escuridão.
Quando nos devotamos a ídolos, permitindo que situações externas ou outras pessoas instiguem a raiva e a ira dentro de nós, cortamos nossa conexão com a Luz.
Este é um grande erro, já que a Luz é a verdadeira fonte da satisfação de nossos desejos mais profundos.
AÇÂO:
Invocando o poder deste Nome, você retira o poder e a fascinação dos ídolos que controlam o mundo.
A raiva é purgada de seu coração.
Sua felicidade e paz mental são geradas a partir de dentro.
MEDITE NESTAS LETRAS E VOCALIZE: Peví
AÇÃO: Experimente doar algo seu que você considere importante
ou valioso. Com isso você experimentará a libertação que vem com
o desapego.
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Minutos de Sabedoria 89
Minutos de Sabedoria
89
Não perca sua serenidade. A raiva faz mal à saúde, o rancor estraga o fígado, a mágoa envenena o coração. Domine suas reações emotivas. Seja dono de si mesmo. Não jogue lenha no fogo de seu aborrecimento. Esqueça e passe adiante, para não perder sua serenidade. Não perca sua calma. Pense, antes de falar, e não ceda à sua impulsividade.
Carlos Torres Pastorino
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
Seicho-No-Ie do Brasil - Mensagem Diária
DENTRO DE VOCÊ MESMO EXISTE A CAPACIDADE PARA SOLUCIONAR OS PROBLEMAS.
As lições a serem aprendidas nesta vida são muitas; mas não precisamos nos preocupar, pois existe um princípio maravilhoso, segundo o qual “jamais nos serão apresentados problemas que não consigamos solucionar”. Existem muitos problemas difíceis, mas para o sr. A são apresentados problemas que somente ele pode resolver, assim como para o B são apresentados problemas que somente ele consegue solucionar.
29º Dia do Mês
29º Dia do Mês
1. Neste dia do mês realize um exercício de concentração generalizante: Reveja todos os
exercícios do primeiro ao vigésimo oitavo dia. Mas você deve absorvê-los em um único
instante. Isto é importante! Segure o caminho percorrido neste mês em um único
momento de percepção. Ao fazê-lo, você envia o seu trabalho a uma análise específica.
Neste dia você criar uma plataforma para o trabalho do próximo mês. Você pode
visualizar tudo que você fez na forma de uma esfera e em seguida, defina essa esfera
em uma linha reta se estende infinitamente cujo ponto de partida representa o mês
seguinte. Este fornece não só uma plataforma para o próximo mês, mas também para a
sua evolução sem fim.
2. Dígitos para Concentração
* Concentre-se intensamente na sequência de sete números: 1852142
* Concentre-se intensamente na sequência de nove números: 512942180
3. Olhe para o mundo com seus próprios olhos. Olhe para o mundo com todos os seus
sentimentos. Olhe para o mundo com todas as suas células. Olhe para o mundo com
todo o seu corpo e com tudo aquilo com que você pode ver e que você é. Olhe para o
mundo e para si mesmo, olhe para dentro de si mesmo. Olhe para o mundo com o
conhecimento que o mundo é em torno de você, que te envolve. Olhe para a realidade
que lhe concede vida. Olhe para a realidade que lhe concedeu a eternidade e você
verá que onde quer que você olhe, existe apenas esta realidade que lhe concede a
vida e a eternidade.
O Criador desta realidade é Deus. E Deus, que criou esta realidade, criou a vida eterna.
Ele te vê como você se vê e o vê como você não se vê. Ele é o seu Criador. Ele é o seu
Deus.
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